domingo, 20 de setembro de 2009

HOSPITAL - AMEAÇA DE RADIAÇÃO

Ontem fiquei ainda mais surpreso com o estado deplorável do único hospital (ou ex) público do município de Alto Parnaíba, no sul do Maranhão, objeto de matéria anterior, com a grave denúncia feita pelo radialista Carlos Biá em seu programa Comunidade em Ação, da Rádio Comunitária Rio Taquara FM, da vizinha cidade piauiense de Santa Filomena, de que o desativado aparelho de radio-x se encontra, sem qualquer proteção, largado nas dependências daquele prédio em ruínas, ameaçando, de forma concreta, a vida e a integridade física de quem se aproximar e mesmo da comunidade onde fica localizado o dito hospital.

Com potencial radioativo que nos faz recordar tristemente a tragédia com o césio de Goiânia, que vitimou várias pessoas incautas, e tendo em vista a diferença entre minha pequena cidade e a capital de Goiás, próxima à Brasília, e que, mesmo com todas essas vantagens, não evitou essa ocorrência que macula a história recente do Brasil, a minha preocupação cresce ainda mais - em Alto Parnaíba apenas três médicos clinicam; duas clínicas particulares; um velho posto de saúde abarrotado; o hospital público a ponto de ser cenário de uma tragédia. A quem apelar?

Além da morte iminente, a radiação nuclear pode causar e provocar doenças como o câncer, impondo sofrimentos terríveis às vítimas. A quem recorrer?

Amanhã, segunda-feira, estarei encaminhando expedientes à Câmara de Vereadores, à Prefeitura Municipal, ao Ministério Público e ao Ministério da Saúde, dando notícia do fato, a tempo, provavelmente, de que acontecimentos não desejados venham a se concretizar, promovendo uma catástrofe desnecessária e ao arrepio do século em que vivemos.

O hospital público fica localizado no bairro Santa Cruz, em frente ao Hospital e Maternidade São Geraldo e próximo a várias residências, inclusive do velho campo de futebol Orlando Medeiros. É preciso a reação da sociedade. A notícia é extremamente grave!

sábado, 19 de setembro de 2009

EM DEFESA DO CONCURSO PÚBLICO

Na qualidade de presidente do diretório municipal do Partido Democrático Trabalhista - PDT -, do município de Alto Parnaíba, o mais meridional do Maranhão, enderecei correspondência à Procuradora-Geral da Justiça maranhense, Dra. Maria de Fátima Travassos, chefe do Ministério Público estadual, defendendo a realização de concurso público para os cargos vagos da administração pública municial, executivo e legislativo, em face do sucessivo preenchimento dos mesmos através de meros contratos, sem o crivo do dispositivo constitucional que exige, desde a promulgação da Constituição da República em 05 de outubro de 1988, o prévio concurso público para o ingresso de qualquer pessoa no serviço público federal, estaduais, municipais e de outros órgãos governamentais, com exceções das funções de confiança ou comissionadas, como ministros de Estado, secretários estaduais e municipais.

A questão é institucional e é dever dos Partidos Políticos se manifestarem quando flagrantemente a Lei Maior da Nação é rasgada. Diga-se, de passagem, que essa esdrúxula e inconstitucional situação se perdura em Alto Parnaíba há vários anos, onde o último concurso, que não abrangeu todos os cargos, ocorreu em 2001. Infelizmente, ao chancelar os pleitos anuais do executivo para dar uma veste, mesmo frágil, de legalidade para a contratação provisória - o provisório se tornou permanente -, a Câmara Municipal, que é a representação direta do povo, também incorreu em postura nem um pouco responsável, principalmente com a realidade local.

O concurso possibilita a igualdade de oportunidades para que todos aqueles e aquelas, devidamente preparados, que queiram ingressar no serviço público, tenham reais chances de ali chegar, sem a necessidade do favor nunca pago ao empregador de plantão e de se verem sob o manto de contratos muitas vezes fajutos, eleitoreiros, cujas garantias sociais são mínimas, quando nenhuma é assegurada.

A seguir, para conhecimento público, o ofício acima mencionado.

"Ofício nº 004/2009-PDT-AP/MA - Alto Parnaíba/MA, 02 de setembro de 2009.

Sua Excelência a Senhora
Dra. MARIA DE FÁTIMA RODRIGUES TRAVASSOS CORDEIRO
Digníssima Procuradora-Geral de Justiça do Estado do Maranhão
Rua Oswaldo Cruz, 1396, Centro
São Luís/MA
65020-910

Senhora Procuradora-Geral,

O último concurso público realizado pelo Município de Alto Parnaíba (Prefeitura), ente federado localizado no extremo sul maranhense, a 1.100km da capital do estado, ocorreu em aproximadamente em 2001.

De lá para cá, de forma repetitiva, todas as novas contratações para cargos variados, que não possuem caráter emergencial, como professores, auxiliares de serviços gerais, vigias, além de profissionais da área de saúde e outros, se dão a critério unilateral do chefe do Poder Executivo, sem a necessidade do crivo do concurso público, o que, com certeza, fere de morte aqueles princípios elementares ao estado democrático de direito, consagrados no artigo 37, caput, da Carta Política da Nação – LEGALIDADE, IMPESSOALIDADE, MORALIDADE, EFICIÊNCIA E PUBLICIDADE.

Consta que teria o Município de Alto Parnaíba e o Ministério Público do Estado do Maranhão, através da promotoria local, firmado termo de conduta para a realização de concurso público, entretanto, se verídico, esse fato ainda não foi concretizado, permanecendo o mesmo tipo ilegal e inconstitucional de contratações, baseando-se o executivo na sucessiva aprovação, pela Câmara Municipal, de projetos de leis que possuem o condão de dar qualquer segurança jurídico-legal a essa prática, não mais tolerada em nosso país.

Alto Parnaíba também é Brasil e a população clama por medidas que impeçam a continuação dessa perversa desigualdade e ausência completa de isonomia para aqueles que legítima e legalmente pretendem alcançar o serviço público municipal, cujos contratos também servem de engodo à maioria dos contratados, pessoas simples do povo, que somente mais tarde, quando clamam por direitos no término desses contratos, deparam com a fragilidade dos mesmos.

É essa a preocupação do nosso partido, que congrega centenas de filiados em Alto Parnaíba, objetivando o cumprimento das leis, o respeito para com a Constituição da República, cujo dispositivo desrespeitado continuadamente e violado sistematicamente (artigo 37, inciso II, da CR/88) foi recepcionado pela Constituição do Estado do Maranhão e pela Lei Orgânica do Município de Alto Parnaíba, a moralidade na administração pública, sem ranço de qualquer natureza.

Em face desse quadro, pedimos a Vossa Excelência que determine medidas urgentes e necessárias para resguardar as leis e fazer com que o Município de Alto Parnaíba promova ainda no decorrer do ano corrente de 2009, antes que novos contratos sejam celebrados no início de 2010, concurso público para o preenchimento de todos os cargos disponíveis e atualmente preenchidos sem o prévio instrumento constitucional.

Sem nada mais para o momento e colocando-nos ao inteiro dispor de Vossa Excelência e desse órgão indispensável à democracia, apresentamos, na oportunidade, votos de consideração e respeito, e subscrevemo-nos,

Cordialmente,

DÉCIO HELDER DO AMARAL ROCHA
Presidente do Diretório Municipal do PDT de Alto Parnaíba/MA"

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

CASOS E CAUSOS

Recebi há poucos dias um livro escrito com simplicidade, narrativa fácil e típica do sertão, ao lado de uma inegável capacidade literária e de comunicação por parte de seu autor, o advogado Paulo Cruz Pereira, radicado em São Luís.

O remetente é o magistrado João Pereira Neto, atualmente titular da 2ª vara da comarca de Grajaú, no médio Maranhão, que vem a ser irmão do autor da obra Casos e Causos e a quem não conheço pessoalmente, mas nutro admiração pelo elevado conhecimento do direito alinhado a um gosto comum literário.

Com banca de advocacia em nossa capital, advogado concursado do Tribunal de Contas do Maranhão e atuante principalmente no Tribunal do Júri, o Dr. Paulo Cruz envereda pela literatura contando com extrema singela principalmente os dramas vividos, até tragicamente, no passado, por sua família até a construção, a partir da sorte em garimpo e do dom natural de financista, de uma família que, à custa do suor, da dedicação e do estudo, saíu de Matões, a velha São José de Matões, no interior maranhense, para as academias e até a política.

Quando eu gosto do que leio, me envolvo na narrativa do autor. Em Casos e Causos, reencontrei esse amigo livro, que provoca emoções. O li em minha fazendinha, a Chácara Ifigênia Rocha, da barra do São José, a poucos metros do rio Parnaíba. Senti a Matões ali descrita, inclusive com seus personagens reais, com a minha Alto Parnaíba, também sertaneja e com gente da mesma têmpera, costumes e tradições similares. O Dr. Paulo Cruz, com certeza, é uma das boas promessas do Maranhão dos escritores - de João Lisboa, Gonçalves Dias (nosso poeta maior), Graça Aranha, Coelho Neto, Humberto de Campos, Josué Montello, Nauro Machado (o poetinha), e o comparo ao historiador do sul do Maranhão, o professor Eloy Coelho Netto, também advogado, de saudosa memória. O bom advogado é um escritor nato. Os fóruns dizem ser o Dr. Paulo Cruz Pereira um bom advogado.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

FALTA UM HOSPITAL PÚBLICO

Em 1977 o município de Alto Parnaíba, no extremo sul maranhense, ganhava o seu hospital público, um projeto de inteira responsabilidade do INAMPS, já extinto, a partir da iniciativa das lideranças políticas e comunitárias locais, à frente o prefeito Corintho Rocha e o deputado federal José Machado, que não sei se ainda vive, apenas que esse político de Brejo, mesmo no período ditatorial de 1964, era um municipalista atuante, cuja causa principal era voltada aos pobres e distantes municípios do interior do Maranhão, sabendo honrar os votos recebidos em Alto Parnaíba.

O nosso hospital público foi inaugurado oficialmente na gestão do prefeito Renan Soares. No segundo mandato de meu pai, Antonio Rocha Filho, entre 1983-1988, o hospital passou a ser gerido por uma fundação municipal de saúde e conseguiu funcionar no máximo de sua plenitude, com cinco médicos, uma enfermeira, dois dentistas, auxiliares de enfermagem, assistente social e outros profissionais ligados à saúde e à área administrativa, sob a direção da saudosa assistente social Célia Lustosa do Amaral Brito, morta em 10 de setembro de 1988.

Naquele período e no mesmo hospital, em convênio com o Banco do Brasil, funcionou um laboratório de análises clínicas e um raio-x. A sala cirúrgica era ampla e moderna para a época. O hospital, denominado de Prefeito Lourival Lopes, em uma homenagem a um dos grandes lutadores pela saúde em nosso município, possuia alguns leitos e ali eram realizadas pequenas cirurgias. Agora, se alguém, como o lavrador aposentado Izidoro Ramalho, do bairro São José, que fraturou uma perna em pequeno acidente na semana passada, tiver que saber se um osso do corpo foi ou não fraturado, para ser devidamente tratado, precisa se deslocar até Balsas, a 240 km de distância, pois o raio-x do hospital público desapareceu, assim como o hospital foi fechado em 02 de janeiro de 1989, pelo prefeito que assumira o poder. Veja o absurdo: consta que, em razão do abandono, até a sala cirúrgica teria sido roubada. Triste fim.

Entretanto, a reminicência é apenas introdutória. No último dia 09 de setembro, o governo do Maranhão autorizou a construção de 64 novos hospitais, com 20 leitos cada, no estado. Em cerimônica na Secretaria da Saúde, em São Luís, com a presença dos prefeitos dos municípios contemplados e do secretário estadual da Saúde, Ricardo Murad, a governadora Roseana Sarney, assinou a ordem de serviços. Infelizmente, mais uma vez Alto Parnaíba ficou de fora. Mais uma vez esqueceram-se de minha terra, como se não existisse e não integrasse o Maranhão. Não sei as razões e nem me interessa de quem partiu a falta de iniciativa ou a incompetência. Sei apenas que vivo em um município sem hospital público, funcionando apenas um velho e congestionado posto de saúde, construído no início dos anos 1950, que não preenche a demanda, levando a comunidade a passar por vexames e humilhações, como as filas intermináveis. Não estou aqui a discutir a iniciativa privada em nossa saúde, que é benéfica. O hospital e maternidade São Geraldo e o centro médico Carlos Braga, prestam excelentes serviços, dentro do possível, à população. Falo de saúde pública, que é precária em Alto Parnaíba. Falo do hospital público, cuja reforma não teve continuidade, que serve unicamente de depósito de lixo. Relembro que há mais de 30 anos, construíram o nosso hospital e que, por incrível que pareça, um prefeito decidiu fechá-lo e os outros, com raras exceções em alguns momentos, o mantiveram lacrado ou funcionando parcialmente. Falo da falta de compromissos dos governos do Maranhão com nosso município. Nada custa repetir que a saúde é direito de todos e dever do Estado - União, Estado-membro e Município. É preceito constitucional. O que está custando para nós, alto-parnaibanos, é ver e sentir o cumprimento pelos governos do que determina a Constituição da República.

Também não custa mais uma vez apelar ao governo estadual, desta feita objetivando a inclusão de um hospital público, ou a reconstrução do atual, nos moldes do projeto anunciado, para Alto Parnaíba, uma cidade distante dos grandes centros urbanos do país e do estado, onde a séde pólo regional, Balsas, não oferece muito na área, sendo apenas uma passagem para Araguiana/TO, Imperatriz/MA e Teresina. Os pobres não aguentam a carga de um tratamento em lugares tão distantes e o jeito, na maioria, é de mendigar, daí a compra de votos antes mesmo dos pleitos, em que o cidadão, sem outra alternativa, recebe do pretenso candidato a passagem e a hospedagem, além dos medicamentos e até de internações e tratamento completo, e é inquestionável que essa mesma pessoa, deserdada da sorte e da cidadania, irá retribuir ao político com o mais valioso para este, o voto. O resto é balela. Aqui, quanto a esse procedimento pré-eleitoral, continua como d'antes. As reações e os holofotes pouco adiantaram. É preciso concretamente ação de Estado. O resto é mero discurso repetido em cada eleição.
Fotos: Carleandro Pereira da Silva

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

POSTO DO INSS

O município de Alto Parnaíba (foto abaixo da parte antiga da cidade com vista do rio Parnaíba) ultimamente não tem sido contemplado com boas notícias dos governos federal e estadual.

Entretanto, soube que o INSS pretende abrir um posto de atendimento em nossa cidade, a partir de 2010, segundo informações de um deputado federal maranhense à Câmara de Vereadores.

A notícia é excelente, principalmente face à distância de 240 km entre Alto Parnaíba e Balsas, onde funciona a mais próxima agência da previdência social brasileira na região sul maranhense. A iniciativa do vereador Elias Elton Rocha (PDT), com o apoio de seus pares no parlamento municipal, em encaminhar essa solicitação ao INSS, é de um alcance social imensurável.

Acompanho de perto a situação dos lavradores e lavradoras de minha terra em busca de benefícios previdenciários que lhe são garantidos pela Constituição da República e por leis federais, enfrentando os dissabores de uma burocracia torturadora ao lado da pobreza de quem não tem rendas, nem terras nem bens, muitas vezes precisando mendigar uma simples passagem para Balsas, que não é pouco para quem não tem quase nada.

Os órgãos públicos do Maranhão praticamente inexistem em Alto Parnaíba. A presença de órgãos do governo federal - inclusive por centralizar a máquina administrativa brasileira - torna-se cada vez mais necessária. A vinda de um posto ou agência do INSS, friso, é de uma importância ímpar para uma comunidade distante dos grandes centros urbanos do país, onde tudo é resolvido. Agora, falta o Banco do Brasil, que nos tirararam arbitrariamente.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

UMA MULHER CARISMÁTICA

Irmã caçula de meu pai, minha tia Júnia (foto abaixo com Antonio Herbert) está mais uma vez visitando nossa terra natal, desde o início do festejo de Nossa Senhora das Vitórias, encerrado no último dia 08.

Júnia de Tarso Rocha e Aragão, filha de meus avós, Antonio de Araújo Rocha e Ifigênia do Nazareth Rocha, era estudante em Corrente, importante centro cultural e educacional do sul do Piauí, no tradicional Instituto Batista, quando conheceu Antonio Augusto Aragão, com quem se casou, passando a morar na cidade do marido, Santa Rita de Cássia, oeste baiano.

Meu avô paterno era filho de Corrente, descendente das famílias Rocha, Araújo, Lustosa e Cunha, daí a origem evangélica da família, sendo o principal introdutor da religião Batista em Alto Parnaíba. Foram vários filhos, desde Elias de Araújo Rocha, nascido em 1910, até Júnia, em cujo nome acrescentou o Tarso, em homenagem ao apóstolo Paulo, que nasceu na cidade do mesmo nome, então integrante do domínio imperial romano.

Os laços familiares, religiosos e culturais, levaram-no (meu avô) a mandar a filha caçula estudar em Corrente, onde se destacou pela aplicação nos estudos rígidos do tradicional colégio fundado pelos americanos, aliada à uma inteligência privilegiada e uma simpatia cativante que a tornava encantadora ainda na adolescência.

Mesmo situadas praticamente em uma mesma região, cuja distância maior é a falta de estradas - especialmente o trecho da BR-235 entre Santa Filomena e Gilbués/PI -, Alto Parnaíba e Santa Rita de Cássia possuem diferenças de costumes, tradições, culturas, o que não foi obstáculo para que minha tia Júnia, a partir dos idos de 1950, se adaptasse e se fizesse respeitar, por méritos pessoais, na antiga cidade baiana, tornando-se, no decorrer dos tempos, a sua principal liderança política, mesmo sem disputar uma única eleição, mas coordenando nos bastidores a vitória de dois filhos para a prefeitura, um para a Assembleia Legislativa da Bahia e aliados para outros cargos. Foi professora e escrivã judicial do crime por décadas.

Toinho Aragão (foto ao lado), esposo de Júnia, hoje com 87 anos de vida, é um dos melhores homens que conheço. Íntegro e de bem, religioso e correto, ainda trabalha e teve no comércio a sua principal atividade, além de ter sido prefeito e vereador em seu torrão-berço, fazendeiro e um dos principais condutores da Igreja Batista naqueles rincões.

Entretanto, o espírito inovador, a vontade de vencer, a fé permanente, a altivez e a força extraordinária que não esmorece os eleitos de Deus, fizeram com que minha tia Júnia colocasse os filhos para estudar fora da pequena cidade, enfrentando todas as dificuldades da época, principalmente a financeira. Todos os seus filhos se formaram em cursos superiores. Todos são independentes na profissão, na vida pessoal e financeira. Todos mantêm o respeito e à obediência à mãe-líder e à líder política.

O filho mais velho, Paulo de Tarso, é médico conceituado na região de Barreiras. Antonio Augusto Aragão Júnior, o Gugu, médico-veterinário, foi prefeito por duas vezes de Santa Rita e deputado estadual pela Bahia. O terceiro, José Benedito, o Zezo, é dentista e foi prefeito de sua cidade. A única filha, Zênia Lúcia, é professora, foi presidente da Câmara Municipal, secretária de Educação e pela segunda vez é vice-prefeita de Barra, tradicional cidade à margem do São Franciso. O caçula, Roberto Deivisson, da minha geração, é um dedicado farmacêutico e bioquímico. É a prova de que o aprendizado recompensa. É a constatação, sem afetação, de que todas as famílias necessitam de uma liderança forte, corajosa, inteligente, carismática.

Em meados de 2001 visitei Santa Rita de Cássia, importante entreposto comercial do passado, localizada à margem do rio Preto, que nasce próximo ao Parnaíba. Pude constatar o excelente trabalho realizado por meus primos Gugu e Zezo à frente da Prefeitura Municipal. Obras importantes, como saneamento, urbanismo, hospital, estádio de futebol, escolas, estradas no interior, além de um pioneiro sistema de esgoto sanitário, me deixaram encantado. Até a oposição admitia terem sido os irmãos os melhores prefeitos do lugar. É muito gratificante.

Júnia de Tarso mantém viva a leitura da Bíblia, tirando dos ensinamentos do Criador, sem exageros ou fanatismos, o dia-a-dia da vida humana e os seus enfrentamentos. Com seus filhos Paulo, Zezo (foto ao lado), Zênia (foto abaixo com Hélio, Antonio Herbert,tia Júnia, Cida e Clóris), Roberto, sua nora Cida e seus netos Vinícius e Vitória (mulher e filhos de Zezo), estiveram - ela ainda está - nos visitando, o que fazem constantemente, onde participaram da cerimônia do casamento de Soraya, minha prima e sobrinha dela (de Júnia) e filha de Antonio Rocha Neto e Iglesia Maria Lustosa Nogueira Rocha, com o advogado Haroldo, de São Luís, e reveram familiares, amigos e as origens. Fazem sempre isso, com simpatia e humildade, característica principal da família Rocha - a união.

É um constante aprendizado conviver com Júnia de Tarso. É uma dádiva tê-la como tia. A sua curta oração em um almoço na minha nova morada, a chácara Ifigênia Rocha, da barra do São José, no dia da Independência do Brasil, abençoou a mim, minha esposa, Vera e nossa filhinha, Ana Dacy, a todos os presentes, a nossa casa e à própria natureza, que ali já reina.

Por sinal, hoje, 10 de setembro, é o aniversário de meu casamento e de nascimento do pai de Júnia de Tarso, meu avô Antunim Rocha, cujo carisma, rara inteligência e liderança natural, minha tia herdou. 124 anos de um dos construtores mais brilhantes de Alto Parnaíba. Que os exemplos de pai e filha se perpetuem, pois em nome deles os sinos dobram. Amém!

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

PADRE EMÍLIO, LEMBRANÇAS DE UM EDUCADOR


No último 14 de maio, mês de aniversário da fundação de Alto Parnaíba, morreu em Milano, na Itália, o padre Emílio Ragonío, com quase 80 anos de existência.


Fiz o primário na Escola Paroquial Nossa Senhora de Fátima, pertencente à paróquia de Alto Parnaíba, na época dirigida pelo padre Emílio, por anos pároco de nossa comunidade católica. Era uma boa escola para a realidade e os padrões dos idos de 1970. A escola, infelizmente, após a saída do padre Emílio, foi fechada. Na velha casa funcionam atualmente órgãos da administração pública. A sua propriedade continua da igreja. Mas a escola fechou.


Todos os meus irmãos ali estudaram. A qualidade do ensino causava inveja nas cidades vizinhas. Na escola paroquial, como chamávamos carinhosamente e cujo hino entoávamos todas as manhãs antes do início das aulas - ao lado do hino nacional -, tive excelentes professoras, exímias educadoras, como Maria Francisca Pereira do Nascimento, Glória Araújo - filha da Paraíba -, Dirce Negreiros de Aguiar Pachêco, Niwbamaria Sobreira Lima, Cleonice Alves Maia, Maristela Mascarenhas de Araújo, Maria de Fátima Moreira Barros e Maria Dalva Brito do Amorim. O padre Emílio comparecia todos os dias na escola; dava sermões, sem ser exatamente no rito das missas; orientava, sem ser carrasco; imponha respeito, sem autoritarismo exacerbado que apenas dá medo nas crianças.


Na época, auxiliaram o padre Emílio na condução da escola paroquial, os professores Ervólio Maia da Costa, já falecido, e Maria das Vitórias Pires Lustosa. Também bons educadores. As disciplinas básicas, as brincadeiras típicas do lugar, os bolos deliciosos confeccionados e ali vendidos por dona Amanda Gouveia, os colegas que não me saem da memória, ajudaram a formar a pessoa que sou hoje, ainda e felizmente, com traços e costumes interioranos.


Recordar a escola paroquial é manter viva a lembrança do padre Emílio Ragonío, esse italiano nascido em Filottrano em 18 de junho de 1929, principalmente agora no transcorrer de mais um festejo em louvor à Nossa Senhora das Vitórias, a nossa padroeira. Acompanhava minha mãe nas missas de domingo e durante a novena de Vitória. No altar, o padre Emílio com seu forte sotaque nativo, falando rápido com sermões curtos e objetivos. O nosso pároco se preocupava mais em alicerçar a Igreja, em manter o colégio funcionando, em realizar obras de caridade. Era do tipo que entendia Cristo de forma real - de carne e osso.


Como eu disse no início, Emílio Ragonío morou em Alto Parnaíba durante alguns anos. Além da escola paroquial, outro colégio foi fechado. O Centro Educacional Cenecista de Alto Parnaíba - CECAP -, que o missionário comboniano ajudou a dirigir quando ainda se chamava Ginásio Altoparnaibano, formador de várias gerações. Outra escola fechada em nossa cidade, de forma inexplicável. Além de dirigir, o padre Emílio era professor, inclusive de francês. Que falta fazem homens dessa estirpe. Emílio Ragonío não se restringia aos sermões. Colocava em prática os mandamentos do Mestre. Foi um dos construtores de nosso município.