sexta-feira, 9 de outubro de 2009

O APERTADO DA HORA


Não sei quem deu o nome, mas o certo é que os antigos, pelo dom natural do conhecimento, eram mestres em fazer as denominações daquilo que iam desbravando pelo interior e sertões brasileiros. No caso específico, trata-se de um pequeníssimo córregedo e a respectiva ladeira, situados logo após o brejo do Chapada, aproximadamente 1,5 km da cidade de Alto Parnaíba na estrada municipal que vai até o distrito de Curupá.

Esse apertado da hora é mestre em apertar os outros. Quando criança, vivi a angústia de perder alguns dias de férias escolares nas fazendas Escondido, União e Barra do Rio, de propriedade de meus pais, face ao rompimento da estrada exatamente no dito cujo, obrigando meu pai, Antonio Rocha Filho (Rochinha), que não era de esperar por ações dos governos, a construir, por conta e expensas próprias, uma outra estrada, cara e mais distante, para desviar daquele caminho, cujas chuvas fizeram romper os bueiros e a ladeira, inviabilizando o tráfego.

Ontem, ao deixar o escritório, no centro da cidade, para retornar à minha casa, na chácara Ifigênia Rocha (barra do ribeirão São José com o Parnaíba), enfrentei, desprevenido, a razão de minhas angústias da infância. Chovia e com a chuva, a primeira em muitos dias, o calmo apertado da hora se transformou em um gigante e entre o barro seco que fazia deslizar o carro em zigue-zague, consegui chegar ao final da ladeira e no meu lar.

Entretanto, minha esposa e outros motoristas não conseguiram vencer a ladeira, deixando os carros ali, ameaçados de novo rompimento dos bueiros e consequente aberturas de crateras e desmoronamentos de terra.

Ali inexiste cascalho no leito da estrada vicinal municipal; aos montes, o cascalho é vizinho em toda a extensão da dita estrada. Hoje pela manhã, o tempo ameno e a ladeira seca, recebi a visita do prefeito Ernani do Amaral Soares, lá na minha chácara, e retornei com ele, observando o trecho, inclusive dentro da cidade, no bairro São José, mais precisamente na rua capitão Daniel Brito, na altura da escola municipal São José, onde o asfalto foi destruído não pela força da natureza, mas pela ação da construtora do sistema de esgotos, que além dos dois jovens ali soterrados e mortos, a falta de reposição do asfalto transformou aquela importante via pública em um buraco só. O prefeito prometeu solucionar a questão do apertado da hora, pelo menos paulatinamente, enquanto aguarda um relatório da construtora quanto ao segundo problema.

O apertado da hora, que em proporções bem menores faz lembrar o rio Medonho nas cheias, me remonta a um fato ocorrido com um importante líder católico do passado. Era arcebispo de São Luís, dom Carlos Carmelo Motta, mais tarde cardeal brasileiro e condutor da Igreja Católica nas arquidioceses de São Paulo e Aparecida. Dom Carmelo, hóspede de minha bisavó Joaninha Lopes, ferverosa católica, em Victória do Alto Parnaíba, decidiu visitar a mais distante paróquia maranhense com relação à capital do estado. Isso há mais de meio século. Ainda não havia estrada; o transporte mais fácil era pelo rio Parnaíba, de vapor ou balsas rústicas, ou, quem quizesse aventurar ainda mais, como no caso do futuro cardeal, enfrentar o lombo de burro. E foi assim que Dom Carmelo chegou ou quase não chegou a Alto Parnaíba. Ao atravessar o valente rio Medonho, um dos mais importantes alfuentes do Velho Monge, exatamente no chamado Porto da Cigana (onde uma cigana teria morrido afogada e seu espírito ainda vagando por ali), próximo à ponte atual, o religioso e servo de Deus, desconsiderando o conselho de seus guias humanos, desafiou as águas com corredeiras do belo rio e por minutos foi por elas levado com burro e tudo mais, até ser resgatado ofegante e quase desmaiado, próximo da foz com o Parnaíba. Ao se recuperar um pouco e após ter indagado dos companheiros que nome tinha aquele bravo rio, sentenciou o discípulo de Cristo: "Este rio não é Medonho; ele é terrível!".

Se as providências não forem ultimadas e com o inverno chegando forte, com certeza o apertado serei eu e o terrível, o apertado da hora.

Fotos: Carleandro Pereira da Silva

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

OBRAS EM ANDAMENTO

Estive participando de audiências no fórum de Santa Filomena e pude constatar uma espécie de euforia das pessoas com quem conversei com o surgimento de obras públicas, aquisições de terras objetivando impulsionar a agricultura, enfim, a velha cidade do sudoeste piauiense, sempre renegada a último plano pelos sucessivos governos estaduais, dá sinais de que é possível superar o atraso crônico.

No fórum, onde também funciona o cartório de registro de imóveis, advogados e empresários enfrentam até fila em busca de informações e dados sobre imóveis rurais, principalmente aqueles localizados nos chamados cerrados, que são terras propícias à agricultura em grande escala. O negócio imobiliário cresce e as terras férteis das serras de Santa Filomena agora é que começaram a serem descobertas e conhecidas pelo restante do Brasil.

Em frente à Prefeitura Municipal, máquinas saídas da indústria formam a chamada patrulha mecanizada, adquiridas pelo prefeito Esdras Avelino Filho, um bom e experiente administrador que vai atrás de recursos e de projetos e não fica sentado esperando milagres ou que do céu cai ouro ou real, e que objetivam a construção e reconstrução de estradas vicinais em todo o interior do município.

Próximo à quadra de esportes, em construção (etapa final) o estádio de futebol gramado, iluminado e com arquibancadas e ao lado, iniciadas as obras, o prédio onde funcionará o fórum da comarca e o edifício que abrigará um quartel da Polícia Militar do Piauí.

Além de tudo isso, o prefeito está construindo algumas pontes - a maioria de ferro - na zona rural e também na cidade, e promete para breve o início da construção da nova praça matriz.

É aquela realidade: ou o prefeito de cidade pequena do interior nordestino se dispõe a ir à capital de seu estado e à Brasília constantemente, com projetos prontos e bem elaborados, mostrando a realidade de seu município e as prioridades essenciais, ou com apenas o FPM pouco se consegue realizar, por melhores que sejam as intenções.

Que o exemplo do prefeito Esdras Filho, que já governou o município de Monte Alegre, também Piauí, por duas vezes, que gosta do que faz e detém inquestionável espírito público, sirva aos demais, especialmente em momento de crise.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

UM DISCURSO INOVADOR

Há dez anos sou filiado ao mesmo partido; não estive em qualquer outro antes. Presido o diretório municipal do PDT de Alto Parnaíba, por cuja legenda disputei a Prefeitura Municipal em 2000. Pertenço ao Partido Democrático Trabalhista por razões de doutrina, de ideologia, de princípios.

Ontem fiquei feliz ao ler uma entrevista dada pelo deputado federal Flávio Dino, lançado como pré-candidato ao governo do Maranhão em 2010, ao Jornal Pequeno, o tradicional veículo de oposição sediado em São Luís. Gostei da mudança imposta ao discurso de oposicionista. Confesso que cansei, mesmo longe dos centros do poder e das decisões políticas do meu estado, das mesmas palavras-chaves ou de ordem; do mesmo tom, que no final não congrega. É preciso muito mais, inclusive porque o Brasil está procurando se adaptar às democracias mais civilizadas do mundo. As eternas picuinhas na política do Maranhão levam a prejuízos insanáveis a um dos três estados mais pobres da federação, na linha da miséria, com índices de desenvolvimento humano imperdoáveis. Quem perde é o povo, especialmente do interior mais distante e esquecido.

Apoiei o Dr. Jackson Lago para o governo estadual e continuo decepcionado com a sua indevida cassação. Nunca fui a palácio nem tomar cafezinho; não fiz qualquer pedido pessoal ou familiar ao Jackson governador e a nenhum de seus secretários ou lideranças do PDT. Me mantive distante, reivindicando, sim, a execução de compromissos com minha terra, com meu aval, feitos pelo Dr. Jackson em 2002 e 2006 quando esteve em Alto Parnaíba, e fui seu anfitrião. Infelizmente, o governo não durou e o probo, eficiente e honrado Jackson Lago foi apeado do poder e do governo por forças poderosas que maculam a imagem de país civilizado ao Brasil, o que não é bom para o Presidente Lula, que ultimamente passou a falar ainda mais em primeira classe e em primeiro mundo.

Confesso que ao ler a entrevista do Dr. Flávio Dino algo voltou a mexer com a minha natureza de político nato e de um permanente defensor da viabilidade do Maranhão. Na faculdade de direito da UFMA, não fui colega de classe de Flávio; fui seu contemporâneo. Para quem não o conhece, foi juiz federal inovador, chegando a presidir seu órgão de classe e a assessorarar o Conselho Nacional de Justiça. Deixou corajosamente a magistradura para abraçar a política, elegendo-se, no último pleito, deputado federal pelo PC do B, com excelente atuação no Parlamento Brasileiro. O pai de Flávio foi deputado e prefeito no interior maranhense (João Libosa), que pode significar raízes e conhecimentos do nosso sertão.

Ao responder que não tem tempo para fuxicos, Flávio, por incrível que pareça, rompeu com essa prática reprovável, provinciana e atrasada da política maranhense e de sua capital. Existe uma oligarquia? Sim, e o que interessou de concreto para a melhoria de vida dos maranhenses o mesmo discurso batendo nos oligargas e nos males causados ao Maranhão. Repito: é preciso muito mais; é preciso um discurso que inove, que rompa com os grilhões que teimam no saudosismo dos embates oposições coligadas contra o vitorinismo; oposições unidas contra o sarneysismo. É necessário discutir o Maranhão, visitando cada município, conversando de peito aberto com sua gente, programando, desde já, sem ranço e no estilo Lula a partir de 2002, um governo que possa fazer a diferança - diferença, vejam bem, para melhor, pois para pior em meu estado, é impossível.

Portanto, sem compromisso partidário ou político, mas em nome de minha terra - o mais distante e o mais abandonado de todos os municípios maranhenses (aqui o Maranhão só mantém uma única escola, o Centro de Ensino Vitorino Freire, e a AGED e nada mais - nem médico e nem casa de saúde; sem juiz de direito e sem promotor de justiça titulares; sem delegado de polícia na cidade, etc.,) -, e na minha crença pessoal, não deixa de ser alvissareira a possibilidade da candidatura do deputado Flávio Dino ao governo maranhense. É vendo e crendo.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

A GENEROSIDADE LONGE DE GENEROSA



Miúda, negra, analfabeta, mãe e avó de muitos filhos, humilde até ao falar e ao pedir um pedacinho de carne de boi ou em reivindicar, sem saber se tem direitos, sobre o seu "aposento" que não sai, GENEROSA RODRIGUES DA SILVA é mais uma membro da imensa família do Presidente Lula que se espalha Brasi's afora.

Generosa, que é solteira, nasceu em 25 de agosto de 1946 na localidade rural Brejo Danta, no município de Alto Parnaíba, no extremo sul do Maranhão, permanecendo na mesma região sertaneja, habitando e lavrando a agricultura familiar de subsistência em terras de outros, até completar 57 anos de vida, quando, ante a falta de tudo, decidiu morar na cidade, trazendo consigo 10 filhos, em estado de absoluta miséria.

Como eu disse antes, Generosa não estudou; não sabe nem desenhar o nome. Aprendeu ainda criança a ajudar os pais a plantar pequenas roças de tôco para matar a fome da família, sem rendimentos outros. Essa é a única profissão exercida em sua vida, cujos instrumentos de trabalho não ensinam ninguém a ler - a enxada, a foice, o facão e o machado. O Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Alto Parnaíba em audiência realizada nos autos de uma ação de justificação judicial de atividade que promovi, em favor de Generosa, em abril de 2006 junto ao juízo de direito da comarca da mesma cidade, anuiu as alegações da lavradora justificante. O juiz de direito de então, o correto magistrado Dr. Lúcio Antônio Machado Vale, hoje titular da 3ª vara de Balsas, acolheu a justificação, sendo o processo encaminhado, com pedido administrativo, ao INSS, objetivando a concessão da aposentadoria rural por idade à infortunada cidadã brasileira.

O Instituto Nacional do Seguro Social, sob alegação não condizente com o requerimento, indeferiu o pleito de dona Generosa, que aguarda a apreciação do recurso, interposto na agência de Balsas, e sem resposta até agora. Se nem mandamentos constitucionais consagradados na Carta de 1988, atingem Generosa Rodrigues da Silva, o que dizer da generosidade com essa mulher resistente à fome, a doenças, à ausência completa de cidadania, tendo apenas Deus como protetor; mas é preciso a ação dos homens revestidos de autoridade. Que o nosso INSS reveja a decisão anterior, promova o julgamento o mais breve possível - antes que a generosa morte alivie a nossa Generosa -, conceda e implante o benefício tão almejado, justo, legal e constitucional a uma lavradora que cumpriu o tempo exigido para ser uma segurada especial da Previdência Social Brasileira. O processo original de dona Generosa no INSS é de nº 35635000/2007-30. Vamos ser generosos com a humilde Generosa e, através desta, sermos melhores como gente.
Fotos: Olívia Barreira de Castro

A OLÍMPIADA É NOSSA

Sem pieguismo de qualquer natureza, a emoção falou alto durante a reunião de Copenhague que terminou por escolher a cidade do Rio de Janeiro como a sede dos Jogos Olímpicos a serem realizados em 2016.

Valeu a luta de brasiliros que trazem o esporte e a paixão pela nação acima de tudo, a começar pelo incansável presidente do comitê olímpico brasileiro, Carlos Arthur Nuzman, passando pelo ministro dos Esportes, Orlando Silva, até o eterno presidente da Fifa, João Havelange, símbolo do desenvolvimento do esporte no Brasil, em dobradinha com Pelé.

É impressionante a mesma ladainha de setores da grande imprensa, a começar por VEJA, em desqualificar tudo aquilo que o país alcança e que consideram, sem ouvir e se dirigir ao povo que chora nas ruas em momentos como esse, e analisar como atraso, prejuízo econômico, política subsenvolvimentista do PT de Lula. Ora, as famílias conservadoras e endinheiras que abocanharam as concessões públicas da grande mídia, poderiam explicar o Brasil dos últimos 50 anos, que tudo lhes concedeu gratuitamente, além de se misturar verdadeiramente na multidão, onde sentiriam que os brasileiros adoram esporte e, assim como os européus, norte-americanos e orientais, ficam extasiados com as conquistas de sua pátria. Felizmente, a VEJA, de quem sou assinante, em sua atual edição, vivencia e aplaude a conquista da sede da olímpiada.

Acredito que o resgate do Rio ocorrerá com a olímpiada e é essencial, agora, que a emoção dê lugar à realização e que os três níveis de governo, juntos na Dinamarca continuem unidos (independentemente dos governantes e partidos no futuro) e iniciem as construções necessárias para que, em 2016, a festa seja ainda maior e perfeita.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

UM VISIONÁRIO CONSTRUTOR

Nas férias escolares e com a vontade imensa de chegar à terrinha, meus pais traziam a mim e aos meus irmãos, especialmente nos finais do ano, de São Luís a Alto Parnaíba, utilizando a estrada mais viável, pavimentada, bem construída, de Teresina a Gilbués, que facilitava o acesso de nossa capital à cidade sul maranhense.

Para chegar a Alto Parnaíba, tínhamos apenas pouco mais de 300 km de asfalto entre São Luís e Presidente Dutra; o resto, cascalho bruto, que atolava até o chassi dos veículos, incluindo os ônibus desumanos da época, no período das chuvas, e assim percorríamos mais de 700 km até o destino.

Como única escapatória e mesmo mais longa a viagem em termo de quilometragem, utilizávamos a rodovia construída pelo maior realizador público do Piauí, o engenheiro Alberto Silva, quando governador no primeiro mandato nos anos 1970, que faleceu no final de semana com mais de 90 anos de vida produtiva e no exercício de mais um mandato de deputado federal.

Nas longas viagens de ônibus, cortando todo o Piauí de norte a sul, ouvia meu saudoso pai, Antonio Rocha Filho, discorrendo sobre a capacidade administrativa, a ousadia e a visão futurista do Dr. Alberto Silva, a quem conheceu pessoalmente por via do Dr. Astrolábio Paiva e Silva, primo de Alberto, secretário de governo deste e esposo de minha tia, Maria Stela do Amaral Paiva e Silva, irmã de minha mãe. Meu pai aceditava mais no administrador do que no político - aliás, detestava a politiquice que tantos males ainda causa ao Brasil em todas as esferas de governo. Apontava a rodovia como marca de integração do Piauí e da união de suas lideranças durante o regime militar, especialmente do Senador Petrônio Portella e do Ministro Reis Veloso, que canalizavam recursos e os aportavam nas mãos probas, corretas e eficientes do administrador Alberto Silva, que detinha a capacidade de transformar o dinheiro em obras estruturais e vitais para um estado tão necessitado como o Piauí.

Faltou a Alberto Silva concluir a grande estrada com a construção do pequeno trecho de 120 km entre Gilbués e Santa Filomena, onde se concentram as melhores terras do cerrado piauiense e nordestino. Entretanto, o Dr. Alberto fez muito; os outros governadores, nessa área, pelo menos para o sul do estado, quase nada promoveram.

Ao tentar em pouco tempo retomar a navegabilidade do rio Parnaíba até Santa Filomena, Alberto Silva, no seu segundo e último mandato de governador, pecou pela ousadia; não conseguiu concretizar essa obra vital para regiões distantes dos centros políticos e financeiros do país. A hidrovia possibilitaria o escoamento mais barato da grande produção de grãos, especialmente soja, arroz, milho, feijão e algodão do sul do Maranhão, sul e sudoeste do Piauí e faria a integração com o Corretor Norte de Exportações - Bahia, Tocantins, Piauí e Maranhão e os portos de São Luís. Não foi possível, mas fica a coragem do realizador em iniciar o projeto, em dar o primeiro passo. Que esse e outros sonhos, como do biodiesel através da mamona, do engenheiro e homem público Alberto Silva, não morram. O Dr. Alberto foi um político útil ao seu povo. Uma grande perda.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

A VOLTA DO BANCO DO BRASIL


Há dez anos, uma decisão irrefletida fechou a agência do Banco do Brasil da cidade de Alto Parnaíba, que por muito tempo ostentou a posição de uma das três maiores do Maranhão.

Balsas é o centro regional e pólo de desenvolvimento crescente no sul maranhense, entretanto, o Banco do Brasil em Alto Parnaíba foi o grande financiador da agricultura em grande escala, a partir de 1980, congregando produtores de toda a região e ainda dos cerrados de Santa Filomena, no sudoeste do Piauí.

Alto Parnaíba possui um imenso e compacto território, com terras na grande maioria com fertilidade média e alta; cerrados e baixões ricos em água e calcário, enfim, tudo aquilo que o bom e profissional produtor precisa para fazer a terra produzir de forma sustentável, respeitando o meio ambiente, gerar empregos e divisas, fazer surgir o tão acalentado desenvolvimento.

A prova maior de que não sou apenas bairrista, é o fato de terem a agricultura e a pecuária se reerguido após o fechamendo da agência do BB, a ponto de surgirem novos celeiros agrícolas, como a Serra da Bacaba, a 25 km da cidade de Alto Parnaíba, à margem da BR-235 que dá acesso ao Tocantins, cujos agricultores vindos do sul do país insistem no trabalho e o resultado é empolgante, mesmo sem estrada. Também a Serra da Fortaleza, do lado piauiense de Santa Filomena, produzindo soja, arroz, milho e até algodão. O número de desempregados é mínimo. Ainda não é o paraíso, mas promete muito. Faltam boas estradas e a presença em Alto Parnaíba do Banco do Brasil, o maior banco de fomento do país, é indispensável. Sem o BB, o caminho da agropecuária, do agronegócio, do comércio e da indústria - começam a se instalar no que será em breve o nosso distrito industrial nas margens da pavimentada MA-006 que liga Alto Parnaíba a Balsas -, será muito mais penoso.

O vereador Elias Elton do Amaral Rocha (PDT), com aprovação dos demais integrantes da Câmara Municipal de Alto Parnaíba, já fez chegar à presidência do Banco do Brasil a reivindicação da população pela reabertura de nossa agência, de cuja movimentação, ainda de resistência, participei diretamente ao lado de companheiros e pessoas preocupadas verdadeiramente com nosso município, indo às ruas e promovendo os protestos mais intensos de nossa terra (as fotos - do meu arquivo pessoal - são de Carlos Biá). É preciso resgatar o movimento e a hora é essa, quando o Brasil começa a se igualar aos países mais desenvolvidos do mundo, com economia estável e disposição de crescer também no interior.

A seguir a íntegra do requerimento de Elias:

"Todos nós somos conhecedores do trauma imposto ao nosso município e ao nosso povo com o fechamento da agência do Banco do Brasil em Alto Parnaíba, fato ocorrido no início do século atual.

Considerada por alguns anos como a terceira agência do Banco do Brasil em movimentação financeira no Maranhão, o fechamento de nossa agência causou prejuízos ainda não superados em nossa comunidade, atingindo frontalmente a nossa agricultura, tanto a mecanizada como a média e pequena, bem como a pecuária, o comércio, o início da industrialização, os servidores públicos, os profissionais liberais, enfim, todas as camadas sociais e economicamente ativas.

Alto Parnaíba possui todas as condições para que a agência seja reaberta, com um território de mais de 11 mil quilômetros quadrados de extensão, terras férteis e propícias a culturas variadas, água perene e em abundância, agricultura e pecuária em franco desenvolvimento, comércio ativo, migração em ascendência, um povo trabalhador e o acesso viário facilitado com a pavimentação do trecho da MA-006 que liga nossa cidade a Balsas.

Acredito que chegou o momento de renovarmos aquele movimento popular que foi às ruas contra o fechamento da agência, com perspectivas mais promissoras de conseguirmos reabrir o Banco do Brasil em nosso município, pelas próprias condições de crescimento econômico aqui verificado, e pela importância do maior banco do país para o efetivo desenvolvimento de qualquer município brasileiro, como o nosso.

Portanto, como primeiro passo, solicito aos meus nobres pares a aprovação do presente requerimento, a ser endereçado ao Sr. Presidente do Banco do Brasil, em Brasília, para que informe a esta Casa do Povo sobre as reais possibilidades da reabertura da nossa agência, bem como o que é necessário para agilizarmos esse pleito.

Plenário Vereador Homerino Segadilha da Câmara Municipal de Alto Parnaíba, Estado do Maranhão, em 15 de setembro de 2009, 188º da Independência, 121º da República e 144º da Fundação de Alto Parnaíba.

ELIAS ELTON DO AMARAL ROCHA
Vereador - PDT".