sexta-feira, 15 de outubro de 2010

UM PARQUE FICTÍCIO

Em 2000, levei pessoalmente ao deputado Manoel Ribeiro, em São Luís, a preocupação de ambientalistas de Alto Parnaíba, no extremo sul maranhense, com a preservação do rio Parnaíba em suas nascentes, na Chapada das Mangabeiras. Sempre atento aos anseios de nosso município, o deputado ouviu nossa sugestão e apresentou projeto de emenda à Constituição do Maranhão que, aprovada e promulgada, criou no ato das disposições transitórias uma reserva estadual no lugar Água Quente, onde nasce o maior rio genuinamente nordestino, com mais de 36 mil hectares de extensão e sem necessidade de gastos pelo estado para a desapropriação de terras, já que aquela gleba, por iniciativa de meu pai, Antonio Rocha Filho, quando da demarcação, ficou titulada em nome do Estado do Maranhão.

Estranhamente, dois anos depois o então presidente Fernando Henrique Cardoso baixou decreto criando um parque federal que, em tese, seria nas nascentes do rio Parnaíba, abrangendo, apenas no município de Alto Parnaíba, mais de 300 mil hectares de terras.

A iniciativa seria até louvável se não tivessémos a reserva estadual, que precisava, como ainda precisa, ser estruturada, exatamente onde se situam as nascentes do rio que separa os estados do Piauí e do Maranhão.

Entretanto, o parque, cuja criação foi de cima para baixo sem ouvir os ribeirinhos, os proprietários e a comunidade, parece ter sido delimitado com base em antiga carta geográfica, sem qualquer veracidade quanto ao campo.

O parque pouco ou em quase nada abrange as nascentes, ao contrário, é desconexo e sem limitação confiável, além de não existir de fato, ou seja, ficou apenas no texto do decreto ou no papel, sem que ninguém tenha sido até agora indenizado pela desapropriação, causando prejuízos à agricultura sustentável, aos ribeirinhos e nenhum benefício ao rio Parnaíba.

É preciso coragem dos políticos maranhenses, como teve o deputado Manoel Ribeiro ao criar a reserva - se ainda não foi estruturada a culpa é do Poder Executivo maranhense -, para discutir esse parque, até agora inexplicável e sem funcionamento, com o governo federal, exigindo respeito para com um município do Maranhão e para com dezenas de famílias prejudicadas.

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