terça-feira, 31 de maio de 2011

CAUSA DOS DESERDADOS

Em 01.01.1989, durante cerimônia de transmissão do cargo de prefeito de Alto Parnaíba por nosso pai, Antonio Rocha Filho, o Rochinha, a José de Freitas Neto (Zé Paraíba), Plínio usa da palavra, vendo-se, atrás, nosso genitor (de terno) e ainda o ex-vereador Vicente Ferrer e o agrônomo Aarão Ferreira Lima Filho. Foto do meu arquivo pessoal.


Em um mundo cada vez menos romântico, raríssimos aqueles advogados que abraçam uma causa sem o prévio honorário, já que esse operador do direito, indispensável à Justiça, também precisa sobreviver.

Meu irmão Plínio, mais velho do que eu quase oito anos, formado em direito pela Universidade Federal do Maranhão, em dezembro de 1980, morreu pobre e militou na advocacia por ininterruptos 21 anos sem lograr fortuna. E teve reais chances de conseguir ser rico.

Plínio era romântico e vivia intensamente a nossa terra natal, a sua gente sertaneja e seus costumes, a natureza magnífica que abraça o município de Alto Parnaíba, as suas festividades culturais, a sua história, a sua geografia, enfim, nasceu e morreu em Alto Parnaíba, de onde se distanciou apenas para estudar, o que fez em Goiânia e São Luís.

Orador clássico, mas de fácil comunicação com as massas, embebecia o interlocutor e levava multidões a ouvi-lo. Gostava de sentar na praça da velha cidade ao lado de tradicionais homens do sertão, calejados pelos anos, pela enxada e pela vaqueirice, e com eles, até altas horas, não faltava assunto, relembrando passsagens históricas que sequer presenciou em vida terrena.

Certa feita, se dirgiu ao cemitériol público e ali, de dedo em riste no pôr do Angelus, acusou o Estado brasileiro e agentes seus de negarem o direito constitucional da cidadania e da dignidade da pessoa humana ao simplório rurícola do distante interior brasileiro. Fazia a despedida em protesto de uma lavradora infartada após ser desrespeitada e humilhada por simplesmente pleitear sua aposentadoria rural, após 65 anos morando e labutando na roça, no mais remoto lugarejo de nosso município.

Esse era o Plínio Aurélio, que se comovia com a dor alheia; que se levantava contra os poderosos e contra aqueles que se achavam o próprio Estado ou acima do Estado; contra qualquer tipo de arbitrariedade, um Evandro Lins e Silva, no dizer de um juiz maranhense, quando defendia, batendo na mesma tecla da liberdade como princípio, aqueles deserdados sem dinheiro para pagar advogado.

Além de colega de advocacia, Plínio era meu mestre, meu professor, não tendo eu jamais conseguido passar de seu mais humilde discípulo. Filho, irmão, neto, tio, cunhado, sobrinho, primo, vizinho, amigo, colega e familiar exemplar, em 30 de maio de 2001, de forma súbita, Plínio Aurélio do Amaral Rocha, aos 47 anos e na plenitude da vida, nos deixou. A incompreensão daquele fato, após dez anos, me faz reflitir que ele sofreria muito com a doença que atualmente aflige nossa mãe, o Alzheimer, pois era extremamente apegado a ela, sempre próximo, preocupado com qualquer pequena alteração em seu simples cotidiano.

Plínio era um romântico emotivo; um bom; um justo, fazendo da advocacia um sacerdócio, não um negócio. Exercia o direito com a tolerância e o vasto conhecimento inspirado do apóstolo Paulo, mas com a coragem e a firmeza do advogado Saulo de Tarso.

domingo, 22 de maio de 2011

CONSELHO TUTELAR

Está tendo andamento a eleição para a renovação do conselho tutelar de Alto Parnaíba, o primeiro município maranhense banhado pelas águas majestosas do rio Parnaíba.

Tive o privilégio de ter sido um dos redatores da lei municipal e primeiro presidente do Conselho da Criança e do Adolescente, embrião do Conselho Tutelar, que vem prestando bons serviços, se modernizando, recaindo as últimas escolhas em pessoas com melhor preparo intelectual e moral, realmente preocupadas em dar proteção aos menores vitimados por maus tratos, violência sexual e doméstica, bebidas e drogas ilícitas, ausência da escola, dentre vários outros problemas comuns nos municípios brasileiros, não importando o tamanho da população.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

50 ANOS E NOVA DIREÇÃO

No último sábado e no ano em que comemora cinquenta anos de sua instalação, a Loja Maçônica Harmonia e Trabalho, filiada ao Grande Oriente do Brasil, de Alto Parnaíba, no extremo sul maranhense - somente inaugurada formalmente em 11 de setembro de 1964 -, elegeu sua nova diretoria para o próximo biênio, sob a liderança de Maurício do Amaral Rocha, eleito venerável, ou presidente, cuja posse se dará no próximo 24 de junho, dia dedicado a João Batista, predecessor de Cristo e profeta da liberdade, da igualdade, da fraternidade.

Em 1961, homens de destaque em Alto Parnaíba e Santa Filomena, no sudoeste do Piauí, conseguiram finalmente instalar a sua loja maçônica, que já se reunia informalmente. O nome Harmonia e Trabalho foi dado pelo já quase nonagenário João Pereira Lopes, meu bisavô, ex-prefeito de Alto Parnaíba quando ainda se chamava Vitória, piauiense oriundo da loja maçônica de Floriano, que aqui se radicou nos anos 1910, cujo neto, Raimundo Lourival Lopes Filho, é ainda o venerável.

De Goiânia, um alto-parnaibano ou vitoriense ilustre, Elias de Araújo Rocha - que deixou Vitória ainda adolescente após a morte do pai, Manoel de Araújo Rocha, irmão de meu avô paterno, Antonio de Araújo Rocha, e rumou para Goiás, como tantos conterrâneos daqueles idos, e lá tornou-se um próspero homem de negócios, um dos fundadores de Ibiporá, cidade goiana, deixando imensa prole de pessoas bem sucedidas, dentre os quais o médico, escritor e ex-prefeito de Palmas, Odir Rocha -, veio à terra natal, em 1964, presidir a instalação de nossa oficina maçônica.

As divergências políticas, as concorrências comerciais deram lugar a união das forças representativas da sociedade de então, congregadas em torno da Maçonaria. Participaram da fundação Antonio Rocha Filho, o Rochinha, meu pai (o terceiro venerável); Antonio Luiz Avelino (ex-venerável); Carlos Lustosa do Amaral, o Carreta (ex-venerável); Corintho de Araújo Rocha (ex-venerável); Estevam Robinson Dias, o Rubim (ex-venerável); Raimundo Alves de Almeida, o Mundico (ex-venerável e ainda ativo, aos 91 anos de vida, nas lides maçônicas); João Pereira Lopes; Luiz Amaral; Ceir Pacheco; José Soares, o Zuza; Turene Barreira Dualibe; Salomão Damasceno Nogueira; Zoroastro Soares; José Teixeira Coelho e Orison Amaral, Petrônio Pacheco e Sérgio Vieira, como convidados.

Também presidiram a loja, como veneráveis, Aderson Lustosa do Amaral Brito, José Carlos Rodrigues Filho, Daniel Lustosa Neto, Célio Antonio da Silva, Kilson Brito Nogueira e Pedro Damasceno Nogueira Neto.

Eu não ingressei na Maçonaria através da loja de Alto Parnaíba, mas na oficina Rei Salomão, também do Grande Oriente do Brasil, em São Luís, levado pelas mãos amigas e de orientação espiritural que ajudou a modelar meu caráter, Corbeniano de Assis Bastos e Pedro Emanuel de Oliveira, ambos no Oriente Eterno ao lado do Criador. O meu irmão e colega de advocacia, Plínio Aurélio do Amaral Rocha, que em 30 de maio próximo completará dez anos de sua morte, foi um membro devotado e apaixonado pela oficina que nosso pai ajudou a erguer e a fundar. Da família Rocha, também foi maçom meu tio Elias de Araújo Rocha, homônimo do primo que presidiu a primeira reunião formal da oficina, iniciante da primeira turma da loja de Alto Parnaíba; Genésio Teodoro Guimarães, marido de minha tia Ritinha de Araújo Rocha, ambos desencarnados, e atualmente os gêmeos Kleuber e Kleber Formiga Rocha; Corintho Rocha Júnior, eleito vice-presidente ou 1º vigilante da Harmonia e Trabalho, Alberto Augusto do Amaral Rocha, eleito secretário, além dos primos baianos Antonio Augusto Aragão Júnior, José Benedito Rocha Aragão e Roberto Deivisson Rocha Aragão, da Grande Loja da Bahia, de Santa Rita de Cássia, no oeste daquele grande estado, em cujos quadros também figura Kleuber Formiga Rocha.

A eleição de Mauricio do Amaral Rocha, meu primo, filho de um dos fundadores e veneráveis da instituição, Corintho de Araújo Rocha, representa a renovação, a capacidade e a determinação em dar à tradicional oficina de homens livres uma época como d'antes, com participação mais ativa na vida da sociedade, não restringindo apenas aos ritos em sala fechada.

Ao Maurício, companheiros da direção e demais obreiros da Loja Maçônica Harmonia e Trabalho, as palavras históricas e sempre vivas de nosso poeta Luiz Amaral, um dos fundadores da oficina e seu primeiro orador, em bela oração, assim como Cícero ou como Paulo aos Coríntios, no dia da inauguração oficial da instituição, que se deu em 11 de setembro de 1964:

"Suas colunas devem ser sustentadas pelo trabalho organizado, contínuo e produtivo de todos nós, que unidos num mesmo ideal, sustentando o prumo e o nível, de pé e à ordem, juramos nesse momento um combate sem trégua a todos os males que afligem a Humanidade, combate aos erros, à perfídia, à incredulidade e à mentira" (AMARAL, Luiz. Meu Livro, Marion, 1988, p. 101 a 105).

Talvez nunca como agora, a Maçonaria precisa se fazer presente na comunidade alto-parnaibana. Os vícios se mulplicam; as drogas ilícitas e que corróem ainda mais a vida da juventude, a paz dos lares e das famílias, chegam com muita força e desafiam o Estado, a sociedade, as famílias. Mulheres espancadas por seus próprios maridos, companheiros ou namorados; crianças vitimadas pelo hediondo abuso sexual; a corrupção danina a corromper as mentes, as autoridades e as instituições precisam, como d'antes no reino de Salomão, na independência do Brasil ou na proclamação da República, do pulso firme, forte, unido e coeso, sem medo e sem omissão, dos pedreiros livres que integram a Loja Maçônica Harmonia e Trabalho, pois à Maçonaria a sociedade não permite que a natureza secreta seja desculpa para a covardia.

sábado, 14 de maio de 2011

INVESTIGAÇÕES AMPLAS

As\investigações das polícias e dos órgãos de controle dos municípios brasileiros tornaram-se rotineiras e parece que as prisões e abertura de ações penais contra prefeitos e demais gestores e envolvidos em esquemas de corrupção, não estão servindo de exemplo, de freio aos larápios, ou então eles não acessam a internet, não assistem televisão, não ouvem rádio e nem lêem jornais e revistas.

A inovação ultimamente é de que a Polícia Federal, as polícias civis, a Controladoria-Geral da União - CGU e os tribunais de contas, não restrigem suas diligências e investigações aos gestores principais, ou seja, no caso das Prefeituras aos prefeitos, que são, em regra, os ordenadores de despesas, e eram considerados os únicos até recentemente.

O exemplo da semana vem de São João do Paraíso, no sul do Maranhão, onde, além do prefeito Boca Quente - deve ter apetite voraz por dinheiro público -, do ex-prefeito, também foram presos pela PF e pela CGU na Operação Usura a primeira-dama - tornaram-se, na maioria, a célula central das ações criminosas de desvio do dinheiro do povo -, atuais e ex-secretários de Educação, Saúde, Assistência Social e Infraestrutura (Obras), os membros das comissões permanentes de licitações, membros de conselhos municipais de fundos (educação, saúde e assistência social), tesoureiros, contadores e até o laranja do prefeito, que é seu vaqueiro e emprestava o nome e o CPF para as práticas criminosas, além do agiota, que chegou a movimentar, em dois anos, 25 milhões de reais dos cofres do pequeno e pobre município sul maranhense.

Por falar em agiotas, esses personagens, que já deveriam ter sido varridos do convívio da socidade, financiam as campanhas de determinados candidatos em pequenos municípios, como do nosso estado, e obtida a vitória, passam a receber, além do capital, os juros capitalizados sob a forma de usura - daí o nome da operação em São João do Paraíso que mostra a realidade em outras Prefeituras de nossa região -, em torno de 10 a 20% ao mês. E isso é público. A cada decênio, é só passar em frente de Prefeituras que verificarão, pelo nome, os agiotas ali de plantão, para receberem sem suar, sem trabalhar o dinheiro minguado desviado por larápios de povos carentes e necessitados até do básico, como alimnentação adequada, saúde, educação, estradas, transportes, emprego.

Tomara que a Operação Usura prossiga, para o bem das populações espoliadas e roubadas descaradamente, assim como no aludido município, segundo informações das autoridades que investigam.

domingo, 8 de maio de 2011

PRESIDENTE DE CÂMARA E VIOLÊNCIA SEXUAL

Mais um homem público de Alto Parnaíba, no extremo sul do Maranhão, está sendo investigado, não precisamente por má conduta da gestão pública, pelo menos no momento e no caso em tela. A coincidência, assim como no caso do ex-prefeito Ranieri Avelino Soares, do PV, é de que as vítimas são mulheres.

O presidente da Câmara Municipal, vereador Fernandes Almista de Sousa (PSDB), que assumiu o comando do legislativo em 01 de janeiro de 2011, e foi o mais votado na última eleição, está sendo investigado em face da denúncia de uma mulher que o acusa de violência sexual.

Ao delegado Guilherme Sousa Filho, o presidente da Câmara, acompanhado pelo advogado Crisogono Rodrigues Vieira, preferiu o silêncio, deixando para se defender, em interrogatório, no juízo. A eventual vítima manteve a queixa. O inquérito policial já foi remetido ao juiz da comarca, que o enviará, para que seja iniciada ou não a ação penal, ao promotor de Justiça, quando, provavelmente, os demais vereadores serão comunicados do processo para eventual instauração de procedimento interno no legislativo por quebra de decoro do parlamentar e chefe daquele poder.

É mais um caso que está chocando a opinião pública na pequena comunidade alto-parnaibana, que exige uma investigação célere, justa e eficiente, como vem sendo conduzida pelo bacharel em direito Guilherme Sousa Filho, delegado no topo da carreira, titular em uma delegacia na capital maranhense que está respondendo pela distante delegacia de polícia de Alto Parnaíba, a mais de mil quilômetros de distância.

sábado, 7 de maio de 2011

TJ APROVA INDICAÇÃO DE AP

Na sessão plenária da semana passada, o Tribunal de Justiça do Estado do Maranhão, à unanimidade, aprovou a indicação feita pelo prefeito de Alto Parnaíba, Ernani do Amaral Soares, pela Câmara Municipal, pelos advogados domiciliados na comarca e pela Loja Maçônica Harmonia e Trabalho, do nome do desembargador Aluizio Ribeiro da Silva para o fórum de Alto Parnaíba, no sul maranhense, cujo prédio se encontra em construção. O processo administrativo possui o nº 5895/2011.

Tivemos a iniciativa e a repassamos a setores da sociedade. Na Câmara, o vereador Elias Elton do Amaral Rocha, do PDT, apresentou requerimento que foi aprovado por todos os seus pares. O prefeito Ernani Soares acampou a sugestão, assim como os advogados que possuem domicílio em Alto Parnaíba - além de mim, os drs. Ana Luisa Polesso Dalla Barba, Marcos Dalla Barba, Bruna Dalla Barba, Rolf Albrecht, Eckson Mascarenhas Batista e Kelton Machado -, e a Maçonaria, através da loja Harmonia e Trabalho, sob a liderança de seu venerável, Raimundo Lourival Lopes Filho.

O falecido desembargador Aluizio Ribeiro da Silva foi juiz de direito em Alto Parnaíba por quase uma década e até próximo à morte, permanecia parte do ano entre nós, no seio da comunidade que adotou como sua, membro ativo nas lutas travadas no decorrer dos últimos quarenta anos para que o nosso município tivesse o reconhecimento do estado, principalmente na construção de nossa única rodovia pavimentada, a MA-006 para Balsas.

A homenagem, portanto, é merecida, é justa, e de parabéns o Tribunal de Justiça, por todos os seus desembargadores, sob a presidência do desembargador Jamil de Miranda Gedeon Neto, que compreendeu o sentimento - com certeza absoluta - de nossa gente.

Dona Marinalva e seus filhos - o engenheiro Pedro Alberto Campos Ribeiro esteve na sessão do TJ -, também são merecedores dessa iniciativa da sociedade alto-parnaibana, pois, mesmo após a morte do esposo e pai, permanecem constantemente entre nós, conservando a bela fazenda Pedra Furada, próxima à cidade, que, pelo destino da natureza, fica encravada na foz do rio Pedra Furada com o Parnaíba, em um lugar de beleza iningualável, reduto primeiro do saudoso juiz.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

EX-PREFEITO INDICIADO

O delegado Guilherme Sousa Filho, da Polícia Civil, que responde pela delegacia de polícia do município de Alto Parnaíba, no sul do Maranhão, indiciou ontem, 05 de maio, na Lei Maria da Penha, o ex-prefeito Ranieri Avelino Soares (PV), que teria espancado dois dias antes a própria esposa, Jacione Nunes Santos, por sinal sua ex-secretária de assistência social, que representou contra o marido na polícia e no Ministério Público, não pedindo a revogação da representação, como, segundo consta, lhe teria sugerido um deputado federal maranhense, amigo de seu esposo, que é, por incrível que pareça, é um legislador brasileiro. Pobre Congresso.

Ranieri, que governou Alto Parnaíba entre 2005 e 2008, prestou depoimento ontem e negou as acusações da mulher. O inquérito policial já deve ter sido encaminhado ao juiz da comarca, que, por sua vez, o enviará ao Promotor de Justiça, que poderá ou não oferecer denúncia, sendo esta recebida pelo magistrado, o ex-prefeito passa a responder ao processo criminal, cujas penas, pela chamada Lei Maria da Penha, são elevadas.

A repercussão pública é imensa, n'uma mesma semana em que um outro marido foi preso por também espancar a esposa e uma outra mulher, após oferecer representação, retirou-a, possibilitando ao esposo agressor a oportunidade de voltar a espancá-la.

A incidência de casos comprovados de agressões de maridos, namorados e companheiros contra suas mulheres é preocupante em Alto Parnaíba.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

PERDI UM AMIGO

Apenas hoje recebi a notícia do falecimento de um dos grandes amigos em toda a minha vida, ocorrida há trinta dias em São Luís, onde morava desde a adolescência.

Homem de trato fino, extremamente cordial, fraterno, conciliador, discreto, amigo sincero em todos os momentos, principalmente naqueles mais dificeis, Corbeniano de Assis Alencar Sarmento Bastos deixa esse legado, o legado do humanismo.

Há poucos minutos conversei, por telefone, com a esposa de Corbeniano, ou Corbé, como os familiares e amigos carinhosamente o tratavam. Ana Maria Sarney Bastos, com quem ele foi casado por quarenta anos, me dizia da surpresa da morte - as mortes súbitas ainda são mais cruéis com os que ficam -, e chorando, relembrava o companheiro, o amigo, o marido, o pai, enfim, o extraordinário ser humano, o que é comportilhado por todos aqueles que tiveram o privilégio de conviver com Corbeniano.

Fui convencido a ingressar na Maçonaria por Corbeniano, meu padrinho de iniciação e custeador das depesas, já que, na época, havia perdido meu pai e ainda era estudante. Nossa convivência foi ainda mais frequente na Loja Maçônica Rei Salomão, do Grande Oriente do Brasil, na capital maranhense, e posteriormente, fui seu colaborador na fundação de outra oficina maçônica, que ele denominou de Libertas Ad Homine (Liberdade para o Homem). Aí a busca pela liberdade que o caracterizou desde a juventude, quando presidiu a casa do estudante secundarista de São Luís e acusado de ser comunista, terminou preso por órgãos da repressão da ditadura militar de 1964.

De personalidade marcante e firme em suas posições, Corbé jamais se vangloriou de ser cunhado do ex-presidente da República José Sarney, a quem presenciei externar sua estima pessoal pelo marido da irmã, para galgar posições privilegiadas. Trabalhador e exímio servidor público, por anos foi fiscal de rendas da Prefeitura de São Luís, ali ingresso por concurso público. Como seu vizinho, pude testemunhar a criação modelar dada aos três filhos, Karla, Gustavo e Valéria, a vida harmoniosa com Ana Maria e a dedicação extrema ao pai idoso, Ulisses Sarmento Bastos, seu Lili, sertanejo de fibra, que homenageou o filho dando-lhe o nome de um dos desbravadores e construtores do município de Alto Parnaíba, Corbeniano Gomes, dono da Fazenda Sucupira, que construiu e privatizou a antiga Estrada do Sal, ligando o extremo sul maranhense a Goiás e de lá, ao sudeste e sul do país.

Filho de Riachão, no sul do Maranhão, Corbeniano jamais esqueceu suas raízes sertanejas e possuia o sonho de, após a aposentadoria, voltar à sua terra natal, onde manteve até a morte uma fazenda herdada dos pais. O sertanejo é família e Corbé não era diferente, pois mesmo vivendo quase em outra realidade econômica, política e social, manteve permanente os laços consanguineos com os irmãos e sobrinhos, alguns destes moraram em sua casa, quando estudantes em São Luís.

Estou triste, confesso. Acredito na imortalidade da alma, de que a morte não extingue e que não o fim, como disse certa feita em memorável despedida a outro maçom como ele, o nosso poeta Luiz Amaral, mas a morte teima em me fazer sofrer.

É, Corbé, assim como Luiz Amaral se despedindo de João Pereira Lopes e José Sarney no último adeus a Tancredo Neves, dorme e descansa em paz!

terça-feira, 3 de maio de 2011

UM POLÍTICO LEAL

Líder do governo de meu pai, Antonio Rocha Filho, na Câmara Municipal de Alto Parnaíba entre 1983-1988, Osvaldo Batista de Sousa, mais conhecido apenas por Osvaldo Lira, conseguiu a proeza, raro no mundo político brasileiro, de ser leal até ao fim, principalmente nos momentos de crise.

Osvaldo faleceu no início da noite de ontem, 02.05, em Balsas, após alguns meses em intenso tratamento em face de sérios problemas cardíacos, e seu corpo está sendo velado em sua residência em Alto Parnaíba, cercado por sua mulher, dona Maria das Dores (dona Daci), seus três filhos - Osvaldina, Sônia e José Uanderson -, netos, irmãos e demais familiares e amigos.

Extremamente trabalhador, Osvaldo, que herdou o sobrenome Lira do lendário Noca Lira, tio da esposa, chegou a Alto Parnaíba ainda jovem como caixeiro-viajante e posteriormente aqui se estabeleceu, exercendo várias atividades no decorrer dos tempos, como comerciante, dono de bar, agricultor e pecuarista, além de vereador por dois mandatos, tendo sido vice-presidente do legislativo municipal, sempre obtendo votações expressivas, deixando a vida pública por vontade própria.

Amigo dileto e fiel de minha família, a morte de Osvaldo Lira, mesmo desenganado pelos médicos, deixa a todos nós bastante abalados e a nossa comunidade, ainda mais pobre.

domingo, 1 de maio de 2011

DELEGADO EM ALTO PARNAÍBA

Na semana passada, o presidente do Tribunal de Justiça do Maranhão, desembargador Jamil Gedeon, suspendeu os efeitos da tutela antecipada - ou liminar - concedida pelo juiz de direito da comarca de Alto Parnaíba, no extremo sul maranhense, que, atendendo pleito do Ministério Público, através do promotor José Márcio, havia determinando ao governo estadual a nomeação, em dez dias sob pena de multa diária de R$ 50 mil, de delegado de polícia civil como titular de nosso município.

Alto Parnaíba se encontra há mais de três anos sem delegado próprio.

Ao pedir a suspensão da decisão limitar do juízo singular, o presidente do TJ entendeu que haveria ingerência desnecessária de um poder em outro, ao mesmo tempo em que o Estado ponderou da impossibilidade humana de atender ao pleito que considera razoável.

Entretanto, para o bem de Alto Parnaíba, a secretaria de segurança pública está mantendo, como delegado de polícia no mais distante município maranhense com relação a São Luís, o experiente policial, bacharel Guilherme Sousa Filho, que, mesmo titularizando uma delegacia há mais de mil quilômetros de distância, está atuando com eficiência e assiduidade, inclusive dando andamento e concluindo importantes investigações.

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