domingo, 31 de julho de 2011

PREFEITO E FAMÍLIA CONDENADOS PELO TCU

O Diário Oficial da União de 24 de maio de 2011, 1ª seção, pág. 66 (versão eletrônica disponível), publicou decisão do Tribunal de Contas da União nos autos do processo nº 010.404/2011-2 - Representação -, cujo interessado é Vander Oliveira Borges, contra o prefeito de Alto Parnaíba, no extremo sul maranhense, Ernani do Amaral Soares (PSDB), sua esposa, Maria José Marques Figueira Soares, que é secretária municipal de assistência social, seus filhos José Henrique Figueira Soares, secretário municipal de Finanças e João Marcelo Figueira Soares, ex-chefe de gabinete, e Celiano Francisco Cavalcante da Silva, desde a gestão do ex-prefeito Raniei Avelino Soares é a eminência parda da Prefeitura, chefe contábil, de finanças e responsável pelos pagamentos, por irregularidades verificadas recentemente, determinando o apensamento a um outro processo, o de nº 006.064/2011-6, ao mesmo tempo em que determinou o envio da cópia do acórdão nº 2923/2011, 2ª Câmara, à Procuradoria da República, declinando o nome do procurador da República no Piauí, Kelston Pinheiro Lage, como destinatário da remessa.

A representação foi considerada parcialmente procedente pelos ministros do TCU e o acórdão não detalha as irregularidades encontradas, mas, pelos fundamentos invocados, e pelo órgão técnico que apreciou e julgou a medida - ainda de caráter administrativo -, tratam-se de fundos e/ou convênios federais administrados pelo Município de Alto Parnaíba.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

UMA VIDA INTENSA

Filho homem caçula e penúltimo da prole de Ifigênia do Nazareth e Antonio de Araújo Rocha, Manoel Carmona nasceu há exatos oitenta anos, na velha Victória do Alto Parnaíba, cujo quintal da casa de seus pais - permanece com a família - tem por cenário as águas majestosas do rio Parnaíba.

Meu tio Carmona era uma dessas pessoas especiais, morto há sete anos no mesmo mês em que veio ao mundo, cujo envelhecimento não o afastou do entrosamento com as gerações mais novas e muito menos a sua juventude o distanciou daqueles mais velhos, congregando, em torno de si, a admiração, o respeito e o carinho dos que o conheciam e mesmo daqueles que apenas de nome - nome forte e personalístico que independia prévia apresentação - por onde andou.

E Carmona andou muito e exerceu atividades diversas, desde oleiro, fabricante artesão de cal, mestre de obras, pecuarista, balseiro (transporta bois e porcos em balsas nas águas do Parnaíba até Floriano e Teresina), agricultor e até político, mas em todas essas missões se aliava o gosto musicial privilegiado, a voz excelente que encantava a todos, o pé de valsa que fazia vibrar com seus passos ágeis em ritmos diferentes, o amante da noite, das madrugadas e do encontro romântico com a lua, o boêmio que admirava Nelson Gonçalves, Sílvio Caldas, Carlos Galhardo, Orlando Silva, Cartola, Adoniran Barbosa, Herivelto Martins, Dalva de Oliveira, Ângela Maria, Altemar Dutra, Valdick Soriano e tantos outros que cantavam simplesmente a vida.

Carmona Rocha se misturava com a multidão, se envolvia com o povo, era um deles. Vereador em dois mandatos, foi o mais votado proporcionalmente na história de Alto Parnaíba. Caridoso, conselheiro nato, negociante habilidoso, carismático, ganhador de dinheiro, com o porte permanente de elegância até a morte, talvez herança do galã na juventude, era uma companhia cativante, um papo descontraído e ameno, que aliviava tensões ou depressões de seu interlocutor, como bem o definia meu irmão e seu sobrinho, Plínio Aurélio do Amaral Rocha, que, com certeza, continuam aquele papo permanente dos finais das tardes da porta da casa de tia Ritinha na última morada.

Extremamente simpático, que cumprimentava a todas as pessoas de todas as idades e camadas sociais diferentes, que não costumava alterar a voz ou o humor, Carmona despertava paixões e como qualquer ser especial, provocava involuntariamente a inveja em outros menos afortunados pela natureza, porém, não cultivava o ódio e nem destilhava o fel amargo contra quem quer que seja, já que apenas faz o mal a quem o expele.

Uma outra característica fascinante da personalidade de tio Carmona era a de como reagia e ressurcia muitas vezes das cinzas. Chegou a ficar pobre e sem seus bens materiais, ajudado pelos irmãos a se recuperar, tendo na esposa e companheira de décadas, minha tia Orquídea Leitão Brito Rocha, uma mulher de fibra criando sozinha com uma máquina de costura como instrumento de trabalho a família, sem jamais o abandonar ou deixar de amá-lo. Desse abismo ele ressuscitou, voltando a crescer economicamente, trabalhando árdua e honradamente com uma inteligência empresarial extraordinária. Do vício da bebida que o corroia, se saíu sem precisar de clínicas, mas apenas de vergonha de cara, como ele transmitia a todos nós, seus parentes. O seresteiro, entretanto, continuava o mesmo, com uma bela voz a entoar canções imortalizadas na alma e nos corações de gerações e mais gerações de brasileiros. As botas de boiadeiro, o chapeu panamar e o bigode jamais raspado, marcavam a elegância desse homem que tantas vezes superou a morte até que esta o surpeendeu, já que muitos de seus ente queridos e amigos haviam feito anteriormente essa viagem e de lá clamavam para ouvirem, ao lado de Deus, a voz entoada do maior seresteiro que conheci, uma voz natural que não precisou de modulação ou de ensinamentos musicais.

Particularmente sinto uma falta imensa de meu tio Carmona, irmão de meu pai, querido pelos pais, por todos os irmãos, filhos, netos e binestos, noras, genros, sobrinhos, cunhados, primos, amigos e especialmente por tia Orquídea, felizmente ainda entre nós e conduzindo a sua família, cujos ensinamentos do jovem e velho Manoel Carmona de Araújo Rocha, de graça e a cores, são o melhor remédio para se viver melhor e de forma intensa essa nossa passagem material.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

TRILHAS DE RALLY

De sexta a domingo últimos, foi realizado mais um Rally da Amizade, criado por pessoas de Alto Parnaíba, e que já reune amantes desse esporte radical de outras partes do Brasil.

Felizmente, poucos acidentes e a demonstração da paixão da maioria de nossa comunidade - na recepção pude verificar isso - por esse esporte aqui introduzido ainda nas primeiras versões do internacional Rally dos Sertões, que incentivou essa prática aos pilotos amadores de nossa região.

O que me contraria, entretanto, é a constatação de que por qualquer estrada do município de Alto Parnaíba, no extremo sul do Maranhão, é possível a prática do rally, ou seja, não temos estradas e sim trilhas ou carreiros, os mesmos abertos e pouco conservados no decorrer de décadas.

Neste ano, ao contrário do ano passado que percorreu uma trilha diferente da do ano anterior e assim por diante, o Rally da Amizade saíu da cidade de Alto Parnaíba e foi ao Jalapão, numa extensão de 204 km até a cidade de São Félix, no Tocantins, e de lá contornou atingindo a Serra da Coerseral, no município baiano de Formosa do Rio Preto, ali avistando a Pedra da Baliza que divide quatro estados - Maranhão, Piauí, Tocantins e Bahia -, até Corrente, no Piauí, retornando ao seu destino pelo distrito de Curupá, na margem maranhense do rio Parnaíba.

É uma triste constatação, principalmente quando verifico o empenho eufórico de integrantes da Prefeitura Municipal em financiar meia dúzia de apadrinhados no Rally da Amizade com o mesmo ímpeto de não construir estradas e pontes em um município com comunidades localizadas em até 250 km de distância da sede do poder local, longe de tudo, inclusive de cidadania. É lamentável.

terça-feira, 26 de julho de 2011

VIDIGAL NO PDT

Em entrevista concedida ao jornalista Manoel dos Santos Neto, do Jornal Pequeno, de São Luís, edição de domingo último, o ex-deputado federal Edson Vidigal anunciou o seu ingresso no PDT, relembrando a sua trajetória política desde as lides estudantis, a eleição para vereador em Caxias aos 18 anos de idade, a cassação e prisão sob a acusação de subversivo pelo regime militar, o seu engajamento nas oposições coligadas, movimento que pôs fim ao vitorismo - o ex-senador Vitorino Freire dominou a política do Maranhão por mais de trinta anos -, ao lado de expressivas lideranças de nosso estado, como os ex-senadores Alexandre Costa, Clodomir Millet e Henrique de La Rocque, e o jornalista e ex-deputado Neiva Moreira, atualmente com 94 anos de idade e vivendo na velha capital que o idolatrou nos idos 1950 e 1960, um dos cinco primeiros políticos presos, torturados e levados para a Ilha Grande, depois exilado, pelo golpe que depôs o presidente João Goulart.

Vidigal também falou do estreitamento de suas relações políticas e pessoais com o falecido ex-governador Jackson Lago a partir da última eleição estadual e quando da defesa que fez contra a deposição, pela toga, de um dos fundadores do PDT e do homem que derrotou o grupo político dominante do Maranhão há 45 anos em 2006. Vidigal e Jackson estiveram conosco em Alto Parnaíba há um ano.

Com a morte de Jackson, o Maranhão perdeu sua principal liderança de oposição que não se dobrou ao mando reinante, ainda mais com a idade avançada de Neiva Moreira, também fundador nacional do PDT ao lado de Leonel Brizola e de Jackson, dentre outros, ainda no exílio. Com a chegada de Vidigal, o nosso PDT ganha um nome respeitado e de expressão nacional, ex-ministro do Superior Tribunal de Justiça e do Tribunal Superior Eleitoral, ex-presidente do STJ, ex-deputado federal, escritor, jornalista e advogado militante, jurista lido e seguido por operadores do direito em todo o país, que, além do mais, possui a coragem e a fibra para assumir o comando das oposições. Na eleição para o Senado em 2010, enfrentando uma máquina poderosa, Vidigal e seu companheiro Roberto Rocha obtiveram mais de 1 milhão de votos.

Bem vindo, Vidigal, meu caro amigo, para o bem do Maranhão de tantas pelejas e de tanto atraso.

sábado, 23 de julho de 2011

BEN-HUR

Há exatos dez anos morria, de forma súbita e totalmente inesperada, um primo amigo e querido por todos da família e pela comunidade de Alto Parnaíba, município onde nasce o rio Parnaíba maranhense, Ben-Hur Rocha Filho, então com 49 anos de idade.

Segundo filho de meus tios Ben-Hur de Araújo Rocha, irmão de meu pai, e Eurídice Formiga Rocha, Ben-Hur ou Ben-Hurzinho, como era conhecido, sentiu um mal estar quando estava trabalhando na agência do Banco do Brasil da cidade de Tasso Fragoso, a 96 km de Alto Parnaíba, e, sem pedir ajuda, se dirigiu ao pequeno hospital do lugar e quando lhe era ministrada uma injeção de buscopan, teve morte imediata, provavelmente infarto agudo do miocárdio, pegando todos da família, amigos e membros das comunidades, onde era bastante conhecido e estimado, surpresos.

Arrimo de família n'uma prole com mais quinze irmãos, Ben-Hurzinho começou a trabalhar ainda adolescente, estudou em Gurupi, Goiânia e São Luís, retornou a Alto Parnaíba no final dos anos 1970, fez o concurso para o Banco do Brasil, obtendo aprovação e iniciando suas atividades na agência de nossa cidade até o fechamento inexplicável da mesma, indo, em seguida, para Tasso Fragoso, onde veio a óbito.

Carismático, alegre, extremamente trabalhador, Ben-Hur deixou viúva, Zilneide Alves Rocha, e três filhos, João Ricardo, Tereza Cristina e Ana Beatriz, todos menores na época do desenlace. Seis meses depois de sua morte a mãe, tia Eurídice, que tinha pública predileção pelo filho homem mais velho e bastante apegado a ela, também faleceu. Ele, infelizmente, não chegou a conhecer os netos - Marcos e Paulo, filhos de Tereza, e Ellen, filha de Bia -, mas, com certeza, de onde estiver, estará curtindo essas crianças com o mesmo amor com o qual se dedicou aos flhos, aos irmãos mais novos e a todos nós, cuja amizade era incomparável.

Passam os anos, fica a lembrança, a saudade e o exemplo, especialmente para os seus filhos, sobrinhos e netos, de um homem de bem, batalhador, otimista, que venceu na vida por mérito próprio, sem privilégios e sem heranças, humilde no trato com todos, sem preconceitos e sem vícios. Enfim, Ben-Hur era apenas um ser humano simples e fraterno, um escolhido do Criador, que cumpriu fielmente, sem hipocrisias, a sua missão terrena.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

VIDIGAL NO IAB

No próximo dia 03 de agosto, no Rio de Janeiro, o Instituto dos Advogados Brasileiros estará recebendo, como seu membro efetivo, o jurista maranhense Edson Vidigal, que honra e engrande o mundo do direito em nosso país, quer como ex-ministro do Superior Tribunal de Justiça e do Tribunal Superior Eleitoral, ex-presidente do STJ e ex-corregedor-geral do TSE, quer como professor universitário ou como advogado militante.

Recebi um convite do IAB, por via de meu amigo Edson Vidigal, um extraordinário humanista e um grande maranhense, que encarna o que o nosso estado ainda tem de melhor e mais produtivo em sua vida pública. De parabéns essa entendide respeitada da advocacia nacional, o doutor Vidigal e a classe de advogados e operadores do direito.

domingo, 17 de julho de 2011

DESPERDÍCIO

Há vários dias a cidade de Alto Parnaíba, no extremo sul maranhense, é sacudida por uma propaganda divulgada em carros de som anunciando a realização, neste final de semana, de uma grandiosa festa no clube Acreap, sede da extinta AABB local, com o tema "Amigos de Alto Parnaíba".

Até aí tudo bem. Se a festa obedece a legislação específica e ramos essenciais do direito, como os costumes da comunidade onde é realizada, não existe nada que possa impedi-la. Se a festa é patrocinada por empresas ou pessoas particulares, com a devida informação ao Fisco, que seja realizada. Agora, o anúncio dessa festa diz fartamente que a mesma tem o patrocínio da Prefeitura de Alto Parnaíba e das pessoas físicas de secretários do governo municipal, n'uma verdadeira confusão entre o público e o privado, presumindo-se, em absoluto, que o dinheiro público está sendo desperdiçado, ou seja, utilizado para financiar uma festa particular, organizada por uma empresa particular com o nome de um primo do tatú (aquele que gosta de comer defunto), sem nenhum aspecto social, filantrópico ou cultural, ao contrário, é um dinheiro que deixa de ser investido em setores prioritários da vida da comunidade de nosso município, como na saúde e estradas, vitimadas pela ineficiência administrativa e pelo mal uso ou má aplicação do dinheiro do povo.

Para exemplificar a gravidade, o desperdício e a afronta à dignidade das pessoas de Alto Parnaíba. Eu me encontrava em um determinado local, ouvindo forçosamente pela milésima vez o anúncio da malfadada festa, quando um cidadão assalariado adentra e chorando compulsivamente diz que sua filha, uma adolescente, está no hospital conveniado ao SUS no terceiro dia, com dores do parto, e este somente seria realizado pelos médicos se a familia depositasse, como entrada, R$ 800 (oitocentos reais). Enquanto o pobre pai de família vivia aquele pesadelo com a filha ameaçada de morrer se não conseguisse o dinheiro para a realização da cesariana, os detentores do Poder, que é passageiro, anunciavam uma grande farra com o dinheiro exatamente daquela adolescente em sofrimento e daquela família desprovida de bens materiais.

Tudo tem limite. Cabe a quem de direito e por dever institucional e legal, investigar e aos patrocinadores que estejam vinculados ao governo municipal e ao próprio chefe da municipalidade, que declarem seus gastos à Receita Federal, informando-os a origem e repassando-os à Câmara Municipal e à Promotoria de Justiça, bem como a razão do patrocínio público oficial que possa justificar tal investimento com o dinheiro público em bandas, bebidas alcóolicas, aluguel de clube, empresa particular sem prévio processo licitatório, etc, em um município onde existem famílias passando fome. É o minimo. Ao povo, que possa ter mais cuidado com o voto, pois de amigos assim ....

sexta-feira, 15 de julho de 2011

ÚLTIMA CUNHADA

Faleceu ontem em Brasília e será sepultada no final da tarde de hoje em Santa Filomena, no sul do Piauí, com mais de 90 anos de idade, Nazinha Lustosa, a última cunhada ainda viva de minha avó paterna, Ifigênia do Nazareth Rocha.

Tia Nazinha era casada com Moacyr Lustosa da Cunha, irmão de minha avó por parte de pai, o coronel Leopoldo Lustosa da Cunha, advogado provisionado, juiz municipal e prefeito de Santa Filomena, filho do Barão de Santa Filomena, José Lustosa da Cunha.

Como era comum na época, Nazinha vinha a ser sobrinha do próprio esposo, bem mais velho do que ela, com quem teve vários filhos, dentre os quais Antonio da Luz Lustosa (Antonio da Loto) e Raimundo Nonato Lustosa.

Portanto, também neta do Barão de Santa Filomena, o fundador do aludido município sul piauiense, tia Nazinha era descendente direta da família Lustosa da Cunha, desbravadora dessa importante e rica região do sempre maltratado Piauí - leia-se: maltratado por seus sucessivos governantes.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

O HOMEM DO TELEFONE

Resgatar a história e seus personagens é um dever de cada de um de nós, principalmente com relação à nossa província.

O telefone chegou a Alto Parnaíba em 1973, trazido por um balsense, Manoel de Araújo Costa, popularmente conhecido apenas como Manoel do Poço. Era um sistema de telefonia local, cuja central ficava em um prédio onde hoje funciona a Maçonaria (loja Harmonia e Trabalho), na principal avenida da cidade sul maranhense.

Eu tinha sete anos de idade e me recordo daquela novidade. Meu pai, Antonio Rocha Filho, o Rochinha, foi o primeiro a adquirir uma linha telefônica, que recebeu o primeiro número, o 101, o 103 era de meus tios Ritinha e Genésio Guimarães. Mesmo em uma pequena cidade, muitas famílias aderiram ao que já era comum no resto do chamado mundo civilizado, e a comunicação entre as pessoas tornou-se mais dinâmica, bem como as notícias tornaram-se mais ágeis em sua divulgação.

Mais tarde, Manoel do Poço expandiu a sua telefonia para Santa Filomena, secular cidade do outro lado do rio Parnaíba, e daí o primeiro interurbano entre as duas cidades co-irmãs.

Inovador para a sua época e conquistador, Manoel casou-se com uma das mais belas alto-parnaibanas da época, Lenice Viana, filha de Vicença e Alfredo Viana, com quem tem quatro filhos, e desde 1993 mora com a família em Brasília.

Visitamdo nossa terra, Manoel continua sendo uma pessoa interessante, com bom gosto, que adora as novidades da tecnologia, como o computador, e não acompanha, na mente, o envelhecimento natural do físico.

Manoel de Araújo Costa é, sem dúvida, um construtor de nossa terra.

sábado, 9 de julho de 2011

UMA MULHER DE FÉ

Em 09 de julho de 1928, na pequena Victória do Alto Parnaíba, no extremo sul maranhense, Ana Alaíde Lopes do Amaral, então com 23 anos de idade, dava a luz ao seu quinto filho - a terceira filha -, que recebeu o nome de Maria Dacy Lopes do Amaral, em homenagem a uma falecida tia materna.

Desde os primeiros dias de vida, minha mãe passou a ser criada por seus avós maternos, João Pereira Lopes e Joana Torquato Lopes (Joaninha) como filha, ali convivendo, a princípio, com outros primos já criados pelos avós, Raimundo Nonato Lopes dos Santos, Jonilo Lopes dos Santos e Gracy Lopes dos Santos, filhos da falecida tia Dacy, e logo depois com os primos João da Cruz Franco Lopes, Maria de Jeus Lopes, Geraldo da Cruz Lopes, Deusdedith da Cruz Lopes e Luiz Gonzaga da Cruz Lopes, filhos de seu tio Raimundo Lourival Lopes, que retornou à casa dos pais após a morte de sua esposa, Maria da Cruz Franco Lopes, além do primo Ney Lopes, filho natural de Lourival, de Mariinha Fonseca e de Conceição Lopes, também filhos de criação de meus bisavós.

Hoje, 83 anos depois, minha mãe continua entre nós, enfrentando mais um desafio que a existência lhe impôs: o terrível mal de Alzheimer, uma doença implacável e humilhante que corroi a memória e humilha a condição humana.

Filha de Elias do Amaral Brito com Ana Alaíde, n'uma prole de 16, minha mãe casou-se aos 21 anos de idade com meu pai, Antonio Rocha Filho, o Rochinha, falecido em 27 de abril de 1990, após sofrer um fulminante infarto agudo do miocárdio quando conversava com ela, no amanhacer daquele dia triste, ainda deitados na cama do mesmo quarto em nossa velha casa de Alto Parnaíba, onde moraram desde o primeiro dia do casamento, realizado em 20 de janeiro de 1949.

Maria Dacy do Amaral Rocha teve onze filhos, três dos quais mortos ainda pequenos. Antonio Herbert (Bete), Elias Elton (Zeta), Plínio Aurélio, Humberto Hélio, Antonio Rocha Júnior, José Benedito (Tri), Clóris Alaíde e eu somos os que sobreviveram até a fase adulta, já que outro baque sofrido com imensa resignação e fé inabalável em Deus por minha mãe foi a passagem de três de meus irmãos, Júnior em 26 de março de 1992; Humberto em 30 de março de 2001; e Plínio, dois meses após, em 30 de maio de 2001, todos de morte súbita.

Mesmo cardíaca, a tudo ela enfrentou com extrema discrição, religiosidade cultuada no dia a dia, a cada momento da vida, fé inquebrantável na misericória infinita de Cristo, inclusive a mesma vida discreta como mulher de prefeito por dez anos, sem ostentações, sem cargos públicos, conduzindo com naturalidade a assistência social sem aparatos e sem verbas públicas, mantendo as portas de nossa casa abertas a todos do povo, independetemente de estar ou não o marido no poder, assim como a casa de São Luís, tratando a todas as pessoas com a mesma humildade e a mesma serenidade, ajudando no que fosse possível, encaminhando pleitos, atendendo sem discriminação.

Como disse no inicio, meus avós maternos tiveram 16 filhos, vindo ele a falecer em 1962, em Britânia, Goiás, e ela, com alzheimder, em 1985, em Porangatu, Goiás, onde morava com sua filha mais velha, Rita Edith Lopes do Amaral Rocha, a tia e madrinha Ritinha. Além desta, os outros irmãos de minha mãe são: Maria Magnólia Lopes do Amaral (Magui), Salatiel Lopes do Amaral, Luís Antonio Lopes do Amaral (já mortos), Maria Stela do Amaral Paiva e Silva, Maria do Socorro do Amaral Nogueira, Waldemar Lopes do Amaral Brito (falecido), Maria Zulmar do Amaral Soares, Maria José do Amaral Camapum (a tia Zezé), Nilson do Amaral Brito (falecido), Paulo de Tarso Lopes do Amaral (desencarnado), Maria Luiza Margarida do Amaral Avelar, José Elisson Lopes do Amaral (morto), Alair Maria do Amaral Lopes (falecida - era minha madrinha de batismo) e Ana Alaíde Amaral de Carvalho Nunes, a tia Alaidinha.

Entre 1966 e 1998, minha mãe exerceu o cargo de escrivã, tabeliã de notas e oficial do registro civil do Cartório do 2º Ofício da comarca de Alto Parnaíba, período em que, por algumas vezes, foi a escrivã eleitoral da 11ª zona do Maranhão, marcando sua atuação com honestidade e extremo cuidado com a missão pública.

De Júnior, que era casado com Tânia Maria Viana Rocha, minha mãe tem suas duas primeiras netas, Maria Dacy Viana do Amaral Rocha Pacheco, advogada e servidora pública federal, esposa de André Pacheco, e Ana Alayde do Amaral Rocha Mendes, jornalista, casada com Alyssson Fabiano Mendes, residentes em Brasília, além de Ana Carolina, filha de Clóris com José Damasceno Nogueira Filho, e de Ana Dacy, minha filhinha com cinco anos, havida com minha esposa, Veronice Fonseca do Amaral Rocha.

Amiga da família de meu pai, de quem meu avô materno era primo legítimo, minha mãe tem o carinho e o respeito dos membros da família Rocha, que a tratam com especial atenção, assim como da grande maioria da população da comunidade a quem ela se dedicou a vida inteira, sem holofotes e sem verbas públicas, como na implantação de nossa primeira creche casulo, em 1988, na construção do templo atual da Igreja matriz de Nossa Senhora das Vitórias, no final da década de 1960, na distribuição de bolsas de estudo para estudantes carentes de nosso antigo ginásio, dentre outras medidas que ela tomava com elevado espírito público de solidariedade humana.

Mesmo com Alzheimer, os seus filhos e demais parentes, como Santana, com meus pais desde o casamento deles, se encontram sempre ao seu lado, cuja simples presença já nos aproximam um pouco mais da paz e de Deus.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

ESTRADA ABANDONADA

Ontem percorri o trecho de 96 km entre as cidades de Alto Parnaíba e Tasso Fragoso, no extremo sul do Maranhão, a MA-006, inaugurada há 11 anos, no governo de Roseana Sarney.

A deterioração da rodovia estadual se acentua a cada dia, com buracos e mais buracos, falta de acostamento, a vegetação tomando conta de seu leito, em nítido e inquestionável abandono.

Não tenho notícia de nenhum deputado estadual ou federal maranhense, votado nos dois últimos, se levantando e cobrando do governo do Estado a imediata recuperação da única via de acesso ainda viável da mais distante região maranhense.

Também não é admissível em qualquer hipótese a omissão do governo municipal de Alto Parnaíba, já que esse trecho da estrada é interesse exclusivo nosso, mesmo sendo o nosso município um dos maiores arrecadores de tributos para o atrasado Maranhão.

Sei que a estrada é estadual e é essa a desculpa costumeira, que perde razão quando os prejuízos atingem diretamente a população do município de Alto Parnaíba, cuja responsabilidade de gestão pública é, a priori, da Prefeitura. Quando assumiu a chefia do município no início de 1983, em seu segundo mandato, meu pai, Antonio Rocha Filho, o Rochinha, de imediato mandou construir e reconstruir as pontes de madeira sobre os rios Medonho, Pedra Furada e Pureza, este na divisa com Tasso Fragoso, na mesma rodovia estadual, na época cascalhada, que deixavam Alto Parnaíba quase totalmente isolado do restante do estado e do país. Depois cobrou a conta do governo maranhense, justificando adequadamente ao Tribunal de Contas e à Câmara Municipal, que compreenderam de plano que aqueles gastos, mesmo em obra de outro ente federado, não foram desviados para fins ilícitos, mas investidos em prol do município e de seu povo.

Chegou a hora da Prefeitura de Alto Parnaíba acordar e mandar tapar os buracos, pelo menos até a divisa com Tasso Fragoso. É bem melhor e totalmente legal, comprar cimento com o dinheiro público para usá-lo em bem público essencial à comunidade, do que desviar a sua finalidade e, com o dinheiro público, enriquecer o particular n'uma confusão intolerável e cínica entre o público, o privado e o familiar.

terça-feira, 5 de julho de 2011

UM POLÍTICO SÉRIO

No Brasil, parece até brincadeira o título acima. Mas, como em tudo, há exceção e uma dessas poucas exceções na vida pública recebeu as últimas homenagens, antes de ter o corpo cremado, ontem em sua terra natal, Minas Gerais.

Com pouco tempo de governo e assumindo a chefia da nação em momento delicado com a queda do primeiro presidente da República eleito pelo voto popular após mais de duas décadas de jejum democrático imposto pela ditadura militar de 1964, Itamar Franco conseguiu dar estabilidade econômica e política ao país, com a implantação de um plano simples, o real, e da segurança com que conduziu o governo, impondo, com o exemplo pessoal, que era proibido roubar.

Não houve milagres. Apenas e simplesmente, um até então pouco conhecido político de Minas Gerais, ensinou ao Brasil que governar não era tão difícil, mostrando que o simples fato de não roubar ou permitir que se roubem o dinheiro público, era o remédio que faltava para que nosso país encontrasse o caminho do equilíbrio e do desenvolvimento econômico.

No governo do presidente Itamar Franco não existiram escândalos. No atual, da presidente Dilma Rousseff, em quem votei, o do momento é o do malfadado ministério dos Transportes e Dilma, mesmo sendo firme precisa e deve seguir o exemplo de seu conterrâneo de Minas, mandando para casa e para a polícia o ministro, chefe da pasta e responsável direto ou indireto pela bandalheira com o dinheiro do povo brasileiro, enquanto as estradas não saem das promessas, deixando ricas regiões brasileira, como o Alto Parnaíba maranhense e piauiense, praticamente no isolamento perpétuo.

Que o exemplo de Itamar também seja seguido no embrião do Estado brasileiro. Nos pequenos municípios a corrupção é escancarada, o dinheiro público é publicamente pilhado e partilhado por quadrilhas familiares, pelos amigos de quem sempre no momento no poder e pela mais afrontosa agiotagem, com juros e capital pagos pelo erário, enquanto a saúde pouco oferece, a educação é de péssima qualidade, as estradas são carreiros de rally, o esporte substituído pela orgia, a cultura tratada como coisa de idiota, a produção sem incentivo, o emprego honesto sem apoio.

É uma pena a morte de Itamar, cuja voz se fazia respeitar no Senado de agora, quando o Brasil ainda precisava muito de sua coragem, altivez e honestidade.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

PERMANECE O DESCASO

Uma semana após o trágico falecimento do jovem Israel Vieira Ramos de Andrade, no rio Parnaíba, em frente à prainha onde a Prefeitura Municipal de Alto Parnaíba, no extremo sul maranhense, mantém, nos meses de junho a agosto, uma festividade denominada Verão Vivo, a omissão e o descaso do poder público do município permanece.

No final de semana e mesmo nos dias normais da semana - a maioria das pessoas está de férias, principalmente os turistas -, nenhum segurança foi disponibilizado pela Prefeitura, nem qualquer outra medida preventiva ou de garantia mínima aos banhistas e frequentadores do local foi adotada.

Em seu programa matinal dos sábados na Rádio Comunitária Rio Taquara FM, da vizinha cidade piauiense de Santa Filomena, o apresentador Gilberto Lustosa de Matos também levantou e denunciou a questão, alertando os gestores municipais para a falta de segurança aos banhistas do rio Parnaíba, principalmente onde se aglomeram dezenas de pessoas, na aludida prainha. Parece que as autoridades municipais de Alto Parnaíba se fazem de surdas e se não começarem a escutar a razão e o clamor popular, o Verão Vivo poderá se transformar em Verão dos Mortos, inclusive dos que não sobreviverão às urnas nas próximas eleições municipais.

Fica mais uma vez o alerta, antes que outras tragédias voltem a ocorrer.

sábado, 2 de julho de 2011

80 ANOS DE UMA VIDA DE TRABALHO

No último final de semana, a velha Fazenda Lageado, à margem maranhense do rio Parnaíba, aproximadamente 20 km da sede da cidade de Alto Parnaíba, a família, amigos, contemporâneos, vaqueiros e antigos vaqueiros de Wagner Teixeira Mascarenhas comemoraram seus 80 anos de existência.

Homem simples, sertanejo típico, que trabalha arduamente desde a infância, Wagner Mascarenhas é remanescente de uma geração de ouro de vitorienses, como costuma dizer o nosso escritor e jornalista Berilo Vargas, de uma estirpe quase em extinção em nosso torrão natal.

Nascido na antiga Fazenda Lageado, que hoje lhe pertence e que já pertenceu aos seus pais, Otacílio Lustosa Mascarenhas e Elza Teixeira da Costa (dona Nanú Mascarenhas), e aos avós, Wagner é o terceiro dos filhos, herdou do pai o gosto pelo trabalho duro de vaqueiro, boiadeiro, enfim, de homem do campo e da roça, aliado ao interesse pela leitura n'uma rara combinação entre o puro sertanejo e o autodidata, e da mãe a cordialidade, o bom convívio, o trato ameno, a aptidão pela conciliação, o ser humano pacato e caridoso na compleixão física de um atleta.

Aprendi a conhecer a vida e a trajetória de Wagner Mascarenhas com meu falecido e saudoso pai, Antonio Rocha Filho, o Rochinha, de quem era compadre e por quem nutria a admiração pelo homem determinado, que trabalhava de sol a sol, sem hora para o descanso, que sozinho valia por três trabalhadores braçais ou vaqueiros, que não intimidava ante laçar um boi bravo ou pegar na foice e preparar a terra para o cultivo, mesmo sendo o patrão.

Presidente de partido político nas décadas de 70 e 80, Wagner Mascarenhas foi vice-prefeito de Alto Parnaíba entre 1970 e 1973, na gestão do ex-prefeito Luiz Gonzaga da Cruz Lopes. Em 1976 era, se tivesse aceitado, o candidato a prefeito apoiado por Antonio Rocha Filho, que acreditava que a capacidade dele nos negócios e na administração dos próprios bens, adquiridos com o suor do rosto e o calo das mãos, poderia se estender à gestão pública.

Casado com a educadora Maria Albanisa Avelino do Amaral, hoje Mascarenhas, filha de Carlos Lustosa do Amaral, o Carreta, ex-prefeito de Santa Filomena, ex-presidente da Câmara Municipal de Alto Parnaíba e um dos grandes construtores de nosso município, e de Rosita Nunes Avelino, falecida ainda jovem, Wagner colocou os filhos para estudar fora e formou todos - Rosita, Rosa Núbia, Marilda, Marília e Wagner Filho -, cujo exemplo de retidão de caráter e da prosperidade alcançada pelo trabalho honesto e permanente, edifica a sua descendência.

Maria do Carmo, morta recentemente, José, Du-lar, também falecida, Tersandro, Wille, Cristan, Paulo e Elza, são os irmãos desse construtor de Alto Parnaíba, vindo de uma geração romântica de quem levava as boiadas tangidas a distâncias de mais de mil quilômetros, ou em balsas de talo de buriti pelas águas do Velho Monge; de um período em que os ensinamentos da moralidade para conduzir corretamente a vida eram ministrados naturalmente na família, que os praticavam.

Por tudo isso, nossa terra também está em festa pelos oitenta anos de vida, trabalho e lucidez de um grande filho seu. Vida longa a Wagner Teixeira Mascarenhas.

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