terça-feira, 8 de maio de 2012

ALTO PARNAÍBA COMEMORA 146 ANOS SEM HOSPITAL PÚBLICO

Volto ao tema. A Prefeitura continua a anunciar festas de arromba para comemorar o aniversário de fundação da cidade de Alto Parnaíba, no extremo sul maranhense, cujas comemorações terão início no próximo dia 11 de maio, se estendendo até a data oficial da fundação, 19 de maio.

Sou totalmente favorável que o aniversário de nossa cidade seja comemorado, lembrando o seu passado de lutas e de construções com o anúncio de novas obras, realizações, inovações na administração pública municipal. Pelo que parece, a mesmice que reina desde o maio de 1989 irá se repetir, pois até na prática político-eleitoral os sucesivos prefeitos repetem, sem o carisma populista, o ídolo comum de todos, que deu início a uma atrasada, retrógrada, inoperante política governamental em todas as áreas da administração pública.

Da esq p/dir: ex-Prefeito Corintho Rocha (em cujo governo foi construído o hospital público municipal), o coronel Moraes, os ex-Prefeitos Antonio Rocha Filho (que manteve o hospital funcionando em sua plenitude) e Zuza Soares (que dá nome à dita casa de saúde), o ex-Prefeito de Corrente/PI, Josué Nogueira, e o ex-Vereador Raimundo Cosme de Oliveira (Nenguim). Arquivo do blog.

O nosso hospital público municipal foi o primeiro a sentir a onda de "renovação" prometida pelo
prefeito eleito em 1988, com seu fechamento e demissão de quatro médicos, dois dentistas, técnicos em enfermagem e uma enfermeira padrão logo em janeiro de 1989. Construído quando prefeito Corintho de Araújo Rocha (1973-1977) pelo governo federal por iniciativa do então deputado federal maranhense José Machado, o hospital público de Alto Parnaíba somente funcionou em sua plenitude quando de sua inauguração e nos seis anos do segundo mandato de meu pai, Antonio Rocha Filho, o Rochinha, entre 1983 e 1988. O abandono do prédio o deixou praticamente em ruínas. Pequenas reformas em pavilhão ambulatorial foram empreendidos pelo ex e pelo atual atual prefeito, entretanto, o centro cirúrgico, os leitos, o consultório odontológico, aliado ao fato de dezenas de pessoas serem atendidas por dia por uma única médica da rede pública municipal, não foram recuperados, nem mesmo o laboratório de exames clínicos e o raio-x. Fotos de Léo Nogueira Rocha.
 

No pátio do hospital municipal, agora denominado de Zuza Soares, o sinal do descaso e do abandono: uma ambulância, adquirida com o dinheiro público, está jogada a céu aberto, se deteriorando a cada dia, enquanto os doentes da zona rural continuam a ser treazidos para a cidade, em sua grande maioria, em "redes" ou carrocerias de caminhonetes ou caminhões particulares.

No início dos anos 1920, o então prefeito, coronel Antonio Luiz do Amaral Britto (nascido em 1850 e falecido em 1924), trouxe o primeiro médico para a então Vitória do Alto Parnaíba, Dr. Miguel de Lima Verde, que aqui permaneceu por vários anos, tornando, em face do prestígio adquirido junto à população, prefeito de nosso município. Considerado um cientista para o seu tempo, ao retornar ao seu estado natal, o Ceará, o Dr. Lima Verde tornou-se prefeito da cidade do Crato, onde nasceu no distrito de São José em 30 de dezembro de 1882, vindo a falecer, quando se encontrava viajando, na cidade de Corinto, em Minas Gerais, em 30 de junho de 1944. Lima Verde, diplomado pela tradicional faculdade de medicina da Bahia, em Salvador, em 29 de dezembro de 1913, foi ainda o terceiro presidente do Rotary Club do Crato e médico-chefe do matadouro de sua cidade natal. Nove décadas depois, o matadouro público municipal de Alto Parnaíba não possui médico-veterinário. 

Dr. Miguel de Lima Verde. Foto: blog família Lima Verde.
Para chegar à nossa cidade, o nosso primeiro médico veio de Floriano através de embarcação pelo rio Parnaíba, então navegável. Noventa anos depois, com estrada asfaltada, médicos e clínicas particulares, bancos, telefone, internet, agricultura com teconologia de ponta e população bem maior  a rede pública municipal de Alto Parnaíba voltou a ter um único médico, no caso a médica Dania Águila, e o Parnaíba não é mais navegável. A culpa, com certeza, não é de Deus. 

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