segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

SAÚDE DOENTE

Mesmo após a conquista da redemocratização do país, com o fim do regime militar em 1985, os sucessivos governos instalados no Palácio do Planalto não encararam com seriedade, vontade política e realidades regionais a saúde pública no país.

A criação do SUS foi importante, entretanto, a pouca fiscalização desses recursos repassados a estados e principalmente aos municípios, permite o seu mau uso aliado à falta de gestão, a incapacidade administrativa e à corrupção.

Em pequenas cidades, como Alto Parnaíba, no extremo sul do Maranhão, o hospital público está fechado há anos e em ruínas, conforme já mostrei aqui nesta página; o único posto de saúde, funciona superlotado e sem condições físicas e estruturais; no interior do município, inexistem postos de saúde; funcionam uma clínia e um hospital e maternidade particulares, o último conveniado com as AIHs; apenas duas ambulâncias, uma das quais impossibilitada de viagens mais longas; o Estado do Maranhão não possui um único posto ou médico no meu município.

Consta que a prefeitura estaria pagando cerca de R$ 100.000,00 (cem mil reais) para quatro médicos,. Para um município pequeno, é muito, e não seria, se praticamente a maioria dos doentes não necessitasse sair da cidade em busca de centros médicos mais adiantados, cujo resultado nem sempre o esperado.

Há três dias mais um caso. Uma jovem senhora, grávida de sete a oito meses, morreu rapidamente, cujo diagnóstico não é preciso; alguns dizem que teria sido em consequência de uma pneumonia e a criança, uma hora depois do óbito da mãe, ainda estaria viva; não foi salva. Denise Pereira dos Santos Brandão, mãe e arrimo de família, moradora do bairro São José, é mais uma pessoa do povo na estatística daqueles que saem em ambulância de Alto Parnaíba para morrerem na estrada. Denise desencarnou quando a transportavam em uma ambulância sem equipamentos, rumo a Teresina.

Hoje, pela manhã, no telejornal Bom Dia Brasil, a TV Globo denunciou a situação quase humilhante das casas de apoio em Salvador, mantidas por prefeituras do interior baiano, que levam os seus doentes para a capital, já que em seus municípios o sistema de saúde é precário. Aqui, em Alto Parnaíba, a situação é semelhante, apenas inexiste casa de apoio, mas o destino é quase sempre a capital do Piauí. Ricos fretam avião. Os pobres mendigam atrás da prefeitura até para o abastecimento da ambulância. Já debilitados pelas doenças, com a demora no diagnóstico e no socorro do ente público, essas pessoas são transportadas quase em estado terminal - a longa viagem encurta o sofrimento.

É preciso que o governo federal coordene um grande programa de inteorização da saúde pública. É mais barato construir hospitais, equipá-los e contratar médicos e enfermeiros para as pequenas e médias cidades, como Alto Parnaíba, e aqui tratar casos não complexos, do que levar e manter o doente nas grandes cidades, que também sofrem face à incapacidade local para atender tanta gente. A principal questão social do Brasil, Lula renega. Não adiante conselho de segurança da ONU, mediação nos eternos conflitos do oriente médio, intervenção nos problemas internos e caudilhescos da república das bananas, enfim, o nosso país nunca será uma democracia de verdade e uma nação de primeiro mundo, com um sistema de saúde pública tão calamitoso, irresponsável, desigual, corrupto, sem gestão capaz e sem política eficiente. É lastimável!

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