sábado, 26 de dezembro de 2009

RUAS ESBURACADAS

Nasci em Alto Parnaíba, no extremo sul maranhense, onde vivo e trabalho, há 44 anos. Nesse período e desde o meu entendimento, convivi com vários prefeitos e governos diversos. Minha terra era uma cidade bonita, limpa, bem planejada, quando menor. As ruas foram abertas e cascalhadas - o cascalho era transportado em lombo de burro, retirado pelo operário local e socado de malho nas artérias públicas -, na primeira gestão de meu pai, Antonio Rocha Filho, como prefeito, entre 1966/1970, cujo sucessor, Dr. Luiz Gonzaga da Cruz Lopes, deu início ao calçamento de paralelepípedo - pedra retirada de picareta e aparelhada quase artesenalmente na localidade Figuras, a 75 km da cidade -, trazendo operários de Floriano, no Piauí, a exemplo de Evangelista, Valdeci, Chico Preto - sucessores de Dionísio e parentes -, obras expandidas e mantidas pelos prefeitos seguintes, Corintho de Araújo Rocha, Renan Soares, e mais uma vez, Antonio Rocha Filho (Rochinha).

Com a abertura de três bairros, o calçamento chegou a um deles, o São José, no último governo de meu pai. Pavimentada a rodovia estadual MA-006, a então governadora Roseana Sarney mandou asfaltar algumas ruas da cidade, especialmente as vias principais do Santo Antônio, Santa Cruz e São José, além de um trecho caótico da avenida Intendente Odonel Brito que dá acesso ao rio Parnaíba. Alto Parnaíba dava sinais de uma cidade realmente saneada em ruas, avenidas e praças. E era, quando a prefeitura não recebia recursos como os da assistência social, saúde, educação, sobrevivendo apenas com o fundo de participação do município, com ICMS insignificante, única fonte de dinheiro para atacar e atingir todos os setores da vida da comunidade e da administração pública, e o dinheiro era suficiente pois bem aplicado e com notória honestidade dos governantes, que amavam verdadeiramente o município e queriam o seu desenvolvimento.

A construção do esgoto sanitário é uma obra excepcional, não há dúvidas, e Alto Parnaíba está sendo contemplada com essa iniciativa do governo federal. Entretanto, ao mesmo tempo em que constrói abaixo da terra, a construtora deixa as ruas em petição de miséria ou de intrafegabilidade, sendo mais caótica a situação onde exitia asfalto, que ainda não foi resposto e não existe previsão concreta para tanto.

Praticamente todos os dias, como ainda a pouco, deixo minha casa na barra do São José com o Parnaíba, e atravesso verticalmente o tradicional bairro São José, o primeiro da cidade, e a cada dia as ruas estão mais esburacadas, enlameadas, atolando e quebrando veículos, deixando as pessoas praticamente ilhadas em suas residências, com crescente número de acidentes. Antes de ontem, pela manhã, recebi a visita do prefeito Ernani Soares e lhe repassei essa situação, pedindo providências contra a construtora Ética, que quebra, destrói e não repõe. Não temos mais asfalto. O alcaide disse-me e a outras pessoas presentes, que a empresa tem até 03 de janeiro para solucionar o problema criado por ela própria. Só nos restam, aguardar.

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