terça-feira, 6 de abril de 2010

E O CONCURSO?

No último 31 de março fui procurado por dezenas de pessoas indignadas e receosas com relação ao concurso público de responsabilidade da Prefeitura de Alto Parnaíba, no sul do Maranhão, cujas provas seriam realizadas no dia 04 de abril.

Muitas dessas pessoas não haviam sequer recebido o cartão de inscrição; outras, a maioria, conferiam seus dados nos ditos cartões e se surpeendiam: um médico-veterinário que se inscreveu para o cargo de médico-veterinário fora inscrito para agente administrativo; um advogado para vigia; um candidato com mais de 30 anos, constava dois anos de idade; números de identidade e de CPF's desconhecidos, enfim, o caos.

O que aparecia anunciado se concretizava no dia ou poucas horas antes do que seria o concurso, com a ida do prefeito Ernani Soares à Rádio Comunitária Rio Taquara FM, da vizinha cidade piauiense de Santa Filomena, e no prograna do José Bonifácio Bezerra, líder de audiência, disse aos interessados e ao povo que o certame, tão almejado, não seria realizado e seu adiamento era de inteira responsabilidade da empresa que ele próprio contratara como responsável pelo concurso.

Questionado em tempo real pelo presidente do PDT de Alto Parnaíba, Wladimir Rocha, o alcaide foi categórico ao não aceitar a sugestão para alterar a comissão do concurso, presidida por seu filho (do prefeito), José Henrique Figueira Soares, que, de acordo com termo de ajustamento de conduta firmado por Ernani Soares com o Ministério Público do Maranhão, não poderia dirigir a organização do certame, já que não deveria ser mais secretário do governo (sítio do MPE do Maranhão).

A revolta é gritante e toma conta dos inscritos - de gente que veio da capital do Mato Grosso do Sul, de São Luís, de Palmas, de Teresina e de outras cidades também distantes -, que gastaram dinheiro e tempo, e foram surpeendidos pela mais desastrada desorganização de um concurso público que tive conhecimento em meus 19 anos como advogado. É como se tudo não passasse de uma brincadeira, de um joguinho; como se as pessoas não fossem gente e gozassem de cidadania e de dignidade; como se o Estado institucional jamais chegasse à minha terra tão sofrida. Todos aguardam a chegada do Promotor de Justiça à comarca.

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