segunda-feira, 16 de maio de 2011

50 ANOS E NOVA DIREÇÃO

No último sábado e no ano em que comemora cinquenta anos de sua instalação, a Loja Maçônica Harmonia e Trabalho, filiada ao Grande Oriente do Brasil, de Alto Parnaíba, no extremo sul maranhense - somente inaugurada formalmente em 11 de setembro de 1964 -, elegeu sua nova diretoria para o próximo biênio, sob a liderança de Maurício do Amaral Rocha, eleito venerável, ou presidente, cuja posse se dará no próximo 24 de junho, dia dedicado a João Batista, predecessor de Cristo e profeta da liberdade, da igualdade, da fraternidade.

Em 1961, homens de destaque em Alto Parnaíba e Santa Filomena, no sudoeste do Piauí, conseguiram finalmente instalar a sua loja maçônica, que já se reunia informalmente. O nome Harmonia e Trabalho foi dado pelo já quase nonagenário João Pereira Lopes, meu bisavô, ex-prefeito de Alto Parnaíba quando ainda se chamava Vitória, piauiense oriundo da loja maçônica de Floriano, que aqui se radicou nos anos 1910, cujo neto, Raimundo Lourival Lopes Filho, é ainda o venerável.

De Goiânia, um alto-parnaibano ou vitoriense ilustre, Elias de Araújo Rocha - que deixou Vitória ainda adolescente após a morte do pai, Manoel de Araújo Rocha, irmão de meu avô paterno, Antonio de Araújo Rocha, e rumou para Goiás, como tantos conterrâneos daqueles idos, e lá tornou-se um próspero homem de negócios, um dos fundadores de Ibiporá, cidade goiana, deixando imensa prole de pessoas bem sucedidas, dentre os quais o médico, escritor e ex-prefeito de Palmas, Odir Rocha -, veio à terra natal, em 1964, presidir a instalação de nossa oficina maçônica.

As divergências políticas, as concorrências comerciais deram lugar a união das forças representativas da sociedade de então, congregadas em torno da Maçonaria. Participaram da fundação Antonio Rocha Filho, o Rochinha, meu pai (o terceiro venerável); Antonio Luiz Avelino (ex-venerável); Carlos Lustosa do Amaral, o Carreta (ex-venerável); Corintho de Araújo Rocha (ex-venerável); Estevam Robinson Dias, o Rubim (ex-venerável); Raimundo Alves de Almeida, o Mundico (ex-venerável e ainda ativo, aos 91 anos de vida, nas lides maçônicas); João Pereira Lopes; Luiz Amaral; Ceir Pacheco; José Soares, o Zuza; Turene Barreira Dualibe; Salomão Damasceno Nogueira; Zoroastro Soares; José Teixeira Coelho e Orison Amaral, Petrônio Pacheco e Sérgio Vieira, como convidados.

Também presidiram a loja, como veneráveis, Aderson Lustosa do Amaral Brito, José Carlos Rodrigues Filho, Daniel Lustosa Neto, Célio Antonio da Silva, Kilson Brito Nogueira e Pedro Damasceno Nogueira Neto.

Eu não ingressei na Maçonaria através da loja de Alto Parnaíba, mas na oficina Rei Salomão, também do Grande Oriente do Brasil, em São Luís, levado pelas mãos amigas e de orientação espiritural que ajudou a modelar meu caráter, Corbeniano de Assis Bastos e Pedro Emanuel de Oliveira, ambos no Oriente Eterno ao lado do Criador. O meu irmão e colega de advocacia, Plínio Aurélio do Amaral Rocha, que em 30 de maio próximo completará dez anos de sua morte, foi um membro devotado e apaixonado pela oficina que nosso pai ajudou a erguer e a fundar. Da família Rocha, também foi maçom meu tio Elias de Araújo Rocha, homônimo do primo que presidiu a primeira reunião formal da oficina, iniciante da primeira turma da loja de Alto Parnaíba; Genésio Teodoro Guimarães, marido de minha tia Ritinha de Araújo Rocha, ambos desencarnados, e atualmente os gêmeos Kleuber e Kleber Formiga Rocha; Corintho Rocha Júnior, eleito vice-presidente ou 1º vigilante da Harmonia e Trabalho, Alberto Augusto do Amaral Rocha, eleito secretário, além dos primos baianos Antonio Augusto Aragão Júnior, José Benedito Rocha Aragão e Roberto Deivisson Rocha Aragão, da Grande Loja da Bahia, de Santa Rita de Cássia, no oeste daquele grande estado, em cujos quadros também figura Kleuber Formiga Rocha.

A eleição de Mauricio do Amaral Rocha, meu primo, filho de um dos fundadores e veneráveis da instituição, Corintho de Araújo Rocha, representa a renovação, a capacidade e a determinação em dar à tradicional oficina de homens livres uma época como d'antes, com participação mais ativa na vida da sociedade, não restringindo apenas aos ritos em sala fechada.

Ao Maurício, companheiros da direção e demais obreiros da Loja Maçônica Harmonia e Trabalho, as palavras históricas e sempre vivas de nosso poeta Luiz Amaral, um dos fundadores da oficina e seu primeiro orador, em bela oração, assim como Cícero ou como Paulo aos Coríntios, no dia da inauguração oficial da instituição, que se deu em 11 de setembro de 1964:

"Suas colunas devem ser sustentadas pelo trabalho organizado, contínuo e produtivo de todos nós, que unidos num mesmo ideal, sustentando o prumo e o nível, de pé e à ordem, juramos nesse momento um combate sem trégua a todos os males que afligem a Humanidade, combate aos erros, à perfídia, à incredulidade e à mentira" (AMARAL, Luiz. Meu Livro, Marion, 1988, p. 101 a 105).

Talvez nunca como agora, a Maçonaria precisa se fazer presente na comunidade alto-parnaibana. Os vícios se mulplicam; as drogas ilícitas e que corróem ainda mais a vida da juventude, a paz dos lares e das famílias, chegam com muita força e desafiam o Estado, a sociedade, as famílias. Mulheres espancadas por seus próprios maridos, companheiros ou namorados; crianças vitimadas pelo hediondo abuso sexual; a corrupção danina a corromper as mentes, as autoridades e as instituições precisam, como d'antes no reino de Salomão, na independência do Brasil ou na proclamação da República, do pulso firme, forte, unido e coeso, sem medo e sem omissão, dos pedreiros livres que integram a Loja Maçônica Harmonia e Trabalho, pois à Maçonaria a sociedade não permite que a natureza secreta seja desculpa para a covardia.

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