quinta-feira, 5 de maio de 2011

PERDI UM AMIGO

Apenas hoje recebi a notícia do falecimento de um dos grandes amigos em toda a minha vida, ocorrida há trinta dias em São Luís, onde morava desde a adolescência.

Homem de trato fino, extremamente cordial, fraterno, conciliador, discreto, amigo sincero em todos os momentos, principalmente naqueles mais dificeis, Corbeniano de Assis Alencar Sarmento Bastos deixa esse legado, o legado do humanismo.

Há poucos minutos conversei, por telefone, com a esposa de Corbeniano, ou Corbé, como os familiares e amigos carinhosamente o tratavam. Ana Maria Sarney Bastos, com quem ele foi casado por quarenta anos, me dizia da surpresa da morte - as mortes súbitas ainda são mais cruéis com os que ficam -, e chorando, relembrava o companheiro, o amigo, o marido, o pai, enfim, o extraordinário ser humano, o que é comportilhado por todos aqueles que tiveram o privilégio de conviver com Corbeniano.

Fui convencido a ingressar na Maçonaria por Corbeniano, meu padrinho de iniciação e custeador das depesas, já que, na época, havia perdido meu pai e ainda era estudante. Nossa convivência foi ainda mais frequente na Loja Maçônica Rei Salomão, do Grande Oriente do Brasil, na capital maranhense, e posteriormente, fui seu colaborador na fundação de outra oficina maçônica, que ele denominou de Libertas Ad Homine (Liberdade para o Homem). Aí a busca pela liberdade que o caracterizou desde a juventude, quando presidiu a casa do estudante secundarista de São Luís e acusado de ser comunista, terminou preso por órgãos da repressão da ditadura militar de 1964.

De personalidade marcante e firme em suas posições, Corbé jamais se vangloriou de ser cunhado do ex-presidente da República José Sarney, a quem presenciei externar sua estima pessoal pelo marido da irmã, para galgar posições privilegiadas. Trabalhador e exímio servidor público, por anos foi fiscal de rendas da Prefeitura de São Luís, ali ingresso por concurso público. Como seu vizinho, pude testemunhar a criação modelar dada aos três filhos, Karla, Gustavo e Valéria, a vida harmoniosa com Ana Maria e a dedicação extrema ao pai idoso, Ulisses Sarmento Bastos, seu Lili, sertanejo de fibra, que homenageou o filho dando-lhe o nome de um dos desbravadores e construtores do município de Alto Parnaíba, Corbeniano Gomes, dono da Fazenda Sucupira, que construiu e privatizou a antiga Estrada do Sal, ligando o extremo sul maranhense a Goiás e de lá, ao sudeste e sul do país.

Filho de Riachão, no sul do Maranhão, Corbeniano jamais esqueceu suas raízes sertanejas e possuia o sonho de, após a aposentadoria, voltar à sua terra natal, onde manteve até a morte uma fazenda herdada dos pais. O sertanejo é família e Corbé não era diferente, pois mesmo vivendo quase em outra realidade econômica, política e social, manteve permanente os laços consanguineos com os irmãos e sobrinhos, alguns destes moraram em sua casa, quando estudantes em São Luís.

Estou triste, confesso. Acredito na imortalidade da alma, de que a morte não extingue e que não o fim, como disse certa feita em memorável despedida a outro maçom como ele, o nosso poeta Luiz Amaral, mas a morte teima em me fazer sofrer.

É, Corbé, assim como Luiz Amaral se despedindo de João Pereira Lopes e José Sarney no último adeus a Tancredo Neves, dorme e descansa em paz!

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