sábado, 18 de junho de 2011

A FALTA DE UM RAIO-X

Por incrível que pareça, o município de Alto Parnaíba, no extremo sul maranhense, não possui um único aparelho de raio-x, nem na rede pública nem na rede particular de saúde. E já existiu, exatamente quando a saúde pública municipal sequer possuia recursos específicos, como do SUS.

O nosso município possui um extenso território, que avizinha a Bahia no entroncamento deste estado com o Maranhão, Piauí e o Tocantins e onde nasce o rio Parnaíba na chapada das Mangabeiras, avista as maravilhas do Jalapão, desce pelos gerais de Balsas onde nasce o rio Balsas, corta a serra do Penitente, que, pela maior produção de grãos da região, deixou de se penitenciar para se transformar na nossa Canaã, e vai ao encontro do maior rio genuinamente nordestino, divisa natural do Maranhão e Piauí, com mais de 11 mil quilômetros quadrados, maior do que países como Luxemburgo, um dos mais desenvolvidos do mundo.

Mesmo assim, não possuimos um simples aparelho de raio-x, desde que a irracionalidade administrativa fechou o laboratório e abandonou o aparelho, a céu aberto e com ameça de radiação, em 1989, sob uma única razão: um voraz grupo político, sem voto e sem credibilidade, faminto pelo dinheiro público, que aproveitou do populismo assistencialista de um determinado estreante na política e o fez prefeito, queria apagar, como se fosse possível, as melhores realizações deixadas por meu pai, Antonio Rocha Filho, o Rochinha, quando chefiou o município em dois mandatos. Com o raio-x, médicos, enfermeiros e outros profissionais da saúde foram demitidos e o hospital público municipal "Prefeito Lourival Lopes" lacrado.

Pois bem. Decorridos 22 anos, continuamos sem um aparelho de raio-x. Os acidentes, principalmente com motocicletas se multiplicaram, o município cresceu e, por consequência, a demanda. Se alguém machuca um dedo e não desejar correr o risco de tê-lo engessado precipitadamente, o que poderia deixar sequelas, precisa viajar a Balsas, a 246 km, ou a Teresina, Palmas, Imperatriz, Araguiana ou São Luís, em busca desse simples e antigo exame. A Prefeitura prefere gastar em média R$ 80 mil apenas com combustível para suas ambulâncias no transporte de doentes ou no fornecimento de passagens de ônibus ou ajuda de custo, ao invés de adquirir e instalar adequadamente esse aparelho.

Em meados dos anos 1980, a Prefeitura, quando prefeito Antonio Rocha Filho, e o Banco do Brasil, representado pela associação de desenvolvimento de Alto Parnaíba - ADCAP -, firmaram uma parceria, compraram o aparelho, construiram o laboratório, contrataram técnico especializado e instalaram o raio-x no hospital público municipal Prefeito Lourival Lopes, então em pleno funcionamento. Não havia SUS. O único recurso da Prefeitura era o FPM, já que o ICMS era totalmente irrisório e nem FUDEB existia. O sucessor de meu pai, além das razões já elencadas no início, tinha outra questão menor e mesquinha a justificar o fechamento da casa de saúde pública e do laboratório de análises clínicas e do raio-x: o presidente da ADCAP, eleito pelo voto popular, Wille Teixeira Mascarenhas, havia sido secretário de governo de seu antecessor. Era o começo do atraso que infelicitou política, moral e administrativamente o nosso município.

Ontem, 17.06, o Partido Democrático Trabalhista - PDT, diretório municipal de Alto Parnaíba, através de seu presidente, Wladimir Brito Rocha, pediu a adequadação de medida cautelar para ação civil pública com a finalidade da obrigação de fazer contra o município, processo nº 146-07.2011.10.8.0065, requerendo à Justiça que obrigue o ente federado a adquirir, instalar adequadamente e colocar em funcionamento em 90 dias um aparelho de raio-x no mesmo hospital, reaberto parcialmente com o nome atual de Prefeito Zuza Soares, que, coincidência ou não, era adversário histórico de Lourival Lopes, de quem o nome foi retirado. Ambos são merecedores da homenagem, mas o que importa é que o raio-x volte a atender a nossa população.

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