quinta-feira, 17 de junho de 2010

PT DO SARNEY

Assim como a maioria dos estudantes na minha época, fui militante de carteirinha de Lula, e no Maranhão, mais precisamente em São Luís, o PT foi fundado por gente como Manoel da Conceição, Domingos Dutra, Terezinha e Jomar Fernandes.

Fui contemporâneo de Flávio Dino na Faculdade de Direito da UFMA, onde ele iniciou sua carreira política, pela militância petista e lulista, depois juiz federal e atualmente deputado federal e candidato do PC do B ao governo maranhense.

Grande parte dos militantes e petistas históricos do Maranhão não mudaram; quem mudou foi Lula. Em um memorável comício do ex-líder dos metalúrgicos do ABC paulista, em São Luís, na campanha presidencial de 1989, presenciei a Praça Deodoro, reduto das causas da liberdade e palanque permanente da resistência democrática e moralizadora das práticas políticas em meu estado, se levantar e gritar em um único coro quando Lula atacava ferozmente e até sem qualquer compaixão José Sarney e seus filhos. O povo da capital se extansiava em ouvir de um lider nacional o que ele, povo, há tempos sabia e sentia no dia a dia, no atraso, na corrupção, na miséria de todo um estado.

O deputado Domingos Dutra está em greve de fome. Ontem, pela TV Câmara, o vi debilitado e com um cartaz de protesto afixado no peito, no plenário Ulysses Guimarães. Um deputado do PT, seu companheiro, com ele e com sua causa se solidarizava. O resto, desde a mesa diretora, se manteve inerte, covarde, cúmplice das mazelas impostas ao meu combalido Maranhão, que parece condenado perpetuamente ao degredo que impossibilita a alternância no poder, a lisura dos pleitos eleitorais, o desenvolvimento humano, social e econômico, o encontro com a qualidade de vida vista em outros estados do país.

Dutra continua o mesmo; Lula, não. Dutra não consegue, após trinta anos combatendo os oligargas, mesmo contra a vontade irada de Lula, levantar bandeira, carregar cartazes, discursar em palanques e andar Maranhão afora pedindo a continuidade da oligarquia, que a vida toda combateu, votando em Roseana Sarney em outubro, como quer o presidente. Lula é desumano com Dutra e companheiros. Lula não tem respeito pelo Maranhão. Lula, como gosta de dizer um velho amigo, não tem coração, pelo menos com o povo maranhense. Lula sabe de toda a verdade sobre o que aconteceu e acontece nas terras e com a gente do Maranhão e seu desprezo conosco é tamanho, que em nome de um projeto político também de perpetuação no comando do Brasil, trai o passado, esquece o que disse, renega as causas que o tornaram o grande líder da nação.

Dutra prefere a tortura da fome à se dobrar ao sarneysismo/lulismo/dilmismo. Bravo, Dutra, mas reaja, volte a comer e rompa com Lula e com o PT, assim como fizeram Heloísa Helena, Plínio de Arruda Sampaio, Luiza Erundina, Hélio Bicudo, Flávio Arns, Marina Silva, e use sua energia, sua força e sua inteligência para combater esse novo mal.

Também Flávio Dino, que foi um magistrado realmente de valor, um bom deputado, renegado por Lula que prefere Sarney e sua filha, mandando que o PT intervenha no diretório estadual para anular a decisão de apoio a ele, Flávio, e passar a apoiar Roseana, dê um basta hoje, em nome até da dignidade pessoal e da resistência maranhense, e saia desse grupo que desrespeita o nosso estado, dê o grito da liberdade e faça fileiras, com Jackson Lago e companhia, contra essa terrível dupla - Lula e Sarney, lembrando que primeiro é o Maranhão, cujos avanços e conquistas do governo Lula cá praticamente não chegaram.

Se Dutra, Flávio e outros honrados companheiros, não fizerem isso e permanecerem defendendo e apoiando Lula, como se Deus fosse, não adiante discurso ou greve de fome, estarão apoiando Sarney, a quem Lula tem uma dívida impagável e uma admiração incondicional.

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