Não é novidade o título dessa matéria. É o cotidiano. É o comum, infelizmente.
Para variar, desde o início da tarde de ontem a energia elétrica que abastece Alto Parnaíba e Santa Filomena, dois municípios separados (ou unidos) pelas águas do rio Parnaíba, entrou mais uma vez em pane, o que ocorre desde a instalação da rede de transmissão no final da década de 1980. Neste ano, com o inverno mais cedo, o problema se agravou. Horas e dias sem que a essencial energia chegue aos lares, ao comércio, às empresas, às propriedades rurais, ao serviço público. Para quem vive essa situação, é uma tragédia, e o pior: a CEMAR e a CEPISA, as duas empresas prestadoras desse serviço público no Maranhão e Piauí, nada dizem, se utilizando do silêncio debochado como resposta a milhares de pessoas nas duas localidades.
Não gosto de ter o sentimento da impotência: mas confesso que esse estado lastimável que entrava o desenvolvimento, propicia o mau humor, amplia o calor, atinge impiedosamente até os hospitais, cala as comunicações (o telefone logo é atingido), me deixa sem saber ao certo o que fazer, pois, pelo menos em Alto Parnaíba, o escritório da companhia de enegia não funciona ou não existe; não temos delegado de polícia, promotor de Justiça e juiz de Direito; não existe delegacia do procon, enfim, o Estado aqui é totalmente inexistente, a não ser para receber impostos.
O posto de saúde municipal e o hospital conveniado pelo SUS, que é particular, não possuem gerador próprio; faltando luz, como ontem e hoje, é apenas rezar e acreditar em milagres, se o doente precisar de uma pequena cirurgia ou mesmo se tiver que ser internado, pois o calor é insuportável. As autoridades se calam, simplesmente. Nada fazem.
Uma boa notícia será a realização de uma audiência pública no final do mês para debater a questão do fornecimento da energia elétrica em Alto Parnaíba, por iniciativa do meu irmão, o vereador Elias Elton (PDT), com o apoio dos demais vereadores. É a primeira promoção, do gênero, por parte de um dos poderes do município, pois é interesse exclusivamente do mesmo município, que sofre a falta constante do produto. Serão convidados representantes da Agência Nacional de Energia Elétrica - ANEEL; da CEMAR - Companhia Energética do Maranhão; o prefeito do município; o promotor de Justiça que responde pela comarca e a advogada do cidadão (defensora pública municipal), e segundo Elias, a Câmara utilizará de todos os meios de comunicações disponíveis na cidade e no interior para conclamar a presença do povo na dita audiência. Resta apenas esperar.
sábado, 31 de outubro de 2009
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
ALTO PARNAÍBA E A FUTURA SAFRA
Nos últimos vinte anos, o município de Alto Parnaíba não tem sido sorte, com poucas exceções, na aquisição de bons administradores públicos para conduzi-lo, entretanto, a presença ousada e insistente de migrantes, aliados aos filhos da terra, faz com que a nossa agricultura, ao lado da pecuária e do comércio e, em consequência, do agronegócio que se inicia, tenha uma expansão e um crescimento de produção de grãos em excelentes safras a cada ano.
O fechamento da agência do Banco do Brasil em nossa cidade foi uma perda até hoje irrecuperável e o seu retorno, a partir de um novo movimento encabeçado pelo vereador Elias Elton do Amaral Rocha (PDT), com o apoio dos demais integrantes da Câmara Municipal de Alto Parnaíba, tornou-se inadiável, pela própria capacidade da classe agricultora em preservar e expadir os negócios, gerando empregos e divisas, novos investimentos em terras, em máquinas e em tecnologia, novos campos agrícolas abertos, um crescimento considerável das transações imobiliárias e a conscientização acentuada com o meio ambiente.
Nunca presenciei tanta chuva como no mês de outubro em curso, não apenas chuvas de cajú e de manga. Ouvia de um agricultor no início da semana que se o inverno terminar como está se iniciando, teríamos condições de duas safras anuais, sem a necessidade de irrigação. Não é bairrismo, mesmo que eu seja um apaixonado por minha terra, mas é a constatação concreta de que as terras que formam os municípios de Alto Parnaíba, Santa Filomena e Tasso Fragoso são superiores em fertilidade, em número de hectares disponíveis, em chuvas regulares e em água abundante e perene, às terras de outros municípios da própria região, e de que o momento de investir e de produzir a custo barato e com segurança dada até pela natureza, é agora.
A safra futura baterá recordes, é inegável e as previsões de especialistas e da natureza dizem isso. Também conversei no final de semana com o agrônomo José Carlos Polesso, um dos melhores e mais experientes profissionais da área agrícola da região do Alto Parnaíba, extremamente cauteloso e técnico, e discorríamos sobre o entusiasmo das empresas que estão se instalando nos arredores da cidade, especialmente as que trabalham com a agricultura em média e grande escala, e sobre a possibibilidade da criação do distrito industrial de Alto Parnaíba, a partir do agronegócio em franco crescimento.
A falta de informatização do Cartório do Registro de Imóveis da comarca de Alto Parnaíba e a demora exagerada para o atendimento de certidões, registros de cédulas e outros serviços inerentes a essa concessão pública, afuguentam novos investidores e atrasam burocraticamente a dinâmica do agronegócio, da vida empresarial e dos agricultores, na opinião do agrônomo Polesso e da comunidade como um todo.
Entretanto, essa situação não é razão para o não investimento, ao contrário, é passageira e o que interessa, verdadeiramente, é a capacidade de oferecer condições concretas de produção agrícola e pecuária, ao lado do comércio, serviços, agronegócios e indústrias, que possui o município de Alto Parnaíba. O momento é esse.
O fechamento da agência do Banco do Brasil em nossa cidade foi uma perda até hoje irrecuperável e o seu retorno, a partir de um novo movimento encabeçado pelo vereador Elias Elton do Amaral Rocha (PDT), com o apoio dos demais integrantes da Câmara Municipal de Alto Parnaíba, tornou-se inadiável, pela própria capacidade da classe agricultora em preservar e expadir os negócios, gerando empregos e divisas, novos investimentos em terras, em máquinas e em tecnologia, novos campos agrícolas abertos, um crescimento considerável das transações imobiliárias e a conscientização acentuada com o meio ambiente.
Nunca presenciei tanta chuva como no mês de outubro em curso, não apenas chuvas de cajú e de manga. Ouvia de um agricultor no início da semana que se o inverno terminar como está se iniciando, teríamos condições de duas safras anuais, sem a necessidade de irrigação. Não é bairrismo, mesmo que eu seja um apaixonado por minha terra, mas é a constatação concreta de que as terras que formam os municípios de Alto Parnaíba, Santa Filomena e Tasso Fragoso são superiores em fertilidade, em número de hectares disponíveis, em chuvas regulares e em água abundante e perene, às terras de outros municípios da própria região, e de que o momento de investir e de produzir a custo barato e com segurança dada até pela natureza, é agora.
A safra futura baterá recordes, é inegável e as previsões de especialistas e da natureza dizem isso. Também conversei no final de semana com o agrônomo José Carlos Polesso, um dos melhores e mais experientes profissionais da área agrícola da região do Alto Parnaíba, extremamente cauteloso e técnico, e discorríamos sobre o entusiasmo das empresas que estão se instalando nos arredores da cidade, especialmente as que trabalham com a agricultura em média e grande escala, e sobre a possibibilidade da criação do distrito industrial de Alto Parnaíba, a partir do agronegócio em franco crescimento.
A falta de informatização do Cartório do Registro de Imóveis da comarca de Alto Parnaíba e a demora exagerada para o atendimento de certidões, registros de cédulas e outros serviços inerentes a essa concessão pública, afuguentam novos investidores e atrasam burocraticamente a dinâmica do agronegócio, da vida empresarial e dos agricultores, na opinião do agrônomo Polesso e da comunidade como um todo.
Entretanto, essa situação não é razão para o não investimento, ao contrário, é passageira e o que interessa, verdadeiramente, é a capacidade de oferecer condições concretas de produção agrícola e pecuária, ao lado do comércio, serviços, agronegócios e indústrias, que possui o município de Alto Parnaíba. O momento é esse.
domingo, 25 de outubro de 2009
CIDADES NO ESCURO
Na sexta-feira, as audiências que seriam realizadas no fórum da cidade de Santa Filomena, do lado piauiense do Parnaíba, foram canceladas por uma única razão: desde a noite anterior, como é costume há trinta anos, a energia elétrica fornecida pela CEPISA, tinha ido embora para um lugar que a minha formação pessoal e profissional não permite dizer, mas o imaginário de qualquer um deve induzir qual seria esse lugar no pensamento de centenas de consumidores e usuários em Santa Filomena e Alto Parnaíba, da banda de cá do Velho Monge, cujas águas produzem a energia que a irresponsável companhia energética do Piauí, alinhada e cúmplice da similiar maranhense (iguais em tudo que não presta, especialmente quando a CEMAR era pública), nos fornece de forma desrespeitosa, indigna, imoral, perpetuando um mal serviço desde a instalação da linha de transmissão, sequer acatando as decisões da Justiça.
Essas companhias de energia de estados pobres e extremamente vitimados pela corrupção desenfreada, impune e vitalícia, como o Maranhão e o Piauí, foram criadas como fonte de enriquecimento ilícito dos poderosos e do empreguismo desregrado, daí as dificuldades de gestão e de equilíbrio de suas contas. Para os moradores de Alto Parnaíba pouco importou a privatização da CEMAR, cuja rede de transmissão empacou na vizinha cidade de Tasso Fragoso, a 96 km. No Piauí, a CEPISA, pelo que consta, continua como cabide de emprego e promovendo a política pouco saudável do governador de plantão, enquanto a linha transmissora entre Gilbués e Santa Filomena, erguida no final dos anos 1980, continua a mesma: a luz falta se trovejar; a luz corre para o infinitivo se cair um chuvisco. É uma afronta à cidadania e à dignidade humana.
No início do ano, o correto magistrado Aderson Antônio Brito Nogueira, titular da 2ª vara de Floriano, que respondia pela comarca de Santa Filomena, acolheu um pedido liminar de 53 cidadãos e cidadãs consumidores da pouca energia fornecida pela CEPISA, e determinou algumas medidas a serem cumpridas pela dita companhia de energia do Piauí, a começar por uma multa de 10 mil reais por cada minuto sem luz, a partir de duas horas permitidas em um dia sem uma explicação no mínimo coerente e plausível. Um ilustre desembargador do Tribunal de Justiça daquele estado, que não deve ter enfrentado uma noite de calor e mouriçoca em Santa Filomena, em uma única canetada suspendeu, em parte, a justa decisão de um juiz que convive diretamente com seus comarcandos e enfrenta os mesmos problemas de qualquer pessoa simples do povo. A cínica CEPISA ficou mais uma vez na impunidade, pois a única forma de fazer com que ela entenda o que seja responsabilidade e respeito, é pelo bolso. As outras metas constantes da decisão judicial, a empresa concessionária de um essencial serviço ao público, sequer conheceu.
Apenas isso. Mais uma vez, desde sexta-feira, com pequenos intervalos, estamos sem a luz da CEPISA e da CEMAR, essa dupla que tantos males causaram e continuam impunemente a causar a esses dois municípios que parecem relegados ao esquecimento. Agora mesmo, O8:25 horas, e desde o início da manhã, após voltar rapidamente às 22:00 horas de ontem, a dita cuja tomou rumo ignorado. Os açougueiros com seus freezeres abarrotados de carne estragando, assim como os comerciantes que vendem frango e peixe. Os donos de bares, sorveterias, restaurantes e lanchonetes, com a mão na cabeça sem saber como pagar o prejuízo. Como eu disse no início, a CEPISA conseguiu retardar até o cumprimento de metas do Conselho Nacional de Justiça. Não sei mais a quem apelar. Confesso que estou esgotado... mas vou reagir, pois é preciso continuar acreditando que autoridades, como o juiz Aderson, tomem atitudes idênticas e façam com que a nossa gente seja respeitada.
Essas companhias de energia de estados pobres e extremamente vitimados pela corrupção desenfreada, impune e vitalícia, como o Maranhão e o Piauí, foram criadas como fonte de enriquecimento ilícito dos poderosos e do empreguismo desregrado, daí as dificuldades de gestão e de equilíbrio de suas contas. Para os moradores de Alto Parnaíba pouco importou a privatização da CEMAR, cuja rede de transmissão empacou na vizinha cidade de Tasso Fragoso, a 96 km. No Piauí, a CEPISA, pelo que consta, continua como cabide de emprego e promovendo a política pouco saudável do governador de plantão, enquanto a linha transmissora entre Gilbués e Santa Filomena, erguida no final dos anos 1980, continua a mesma: a luz falta se trovejar; a luz corre para o infinitivo se cair um chuvisco. É uma afronta à cidadania e à dignidade humana.
No início do ano, o correto magistrado Aderson Antônio Brito Nogueira, titular da 2ª vara de Floriano, que respondia pela comarca de Santa Filomena, acolheu um pedido liminar de 53 cidadãos e cidadãs consumidores da pouca energia fornecida pela CEPISA, e determinou algumas medidas a serem cumpridas pela dita companhia de energia do Piauí, a começar por uma multa de 10 mil reais por cada minuto sem luz, a partir de duas horas permitidas em um dia sem uma explicação no mínimo coerente e plausível. Um ilustre desembargador do Tribunal de Justiça daquele estado, que não deve ter enfrentado uma noite de calor e mouriçoca em Santa Filomena, em uma única canetada suspendeu, em parte, a justa decisão de um juiz que convive diretamente com seus comarcandos e enfrenta os mesmos problemas de qualquer pessoa simples do povo. A cínica CEPISA ficou mais uma vez na impunidade, pois a única forma de fazer com que ela entenda o que seja responsabilidade e respeito, é pelo bolso. As outras metas constantes da decisão judicial, a empresa concessionária de um essencial serviço ao público, sequer conheceu.
Apenas isso. Mais uma vez, desde sexta-feira, com pequenos intervalos, estamos sem a luz da CEPISA e da CEMAR, essa dupla que tantos males causaram e continuam impunemente a causar a esses dois municípios que parecem relegados ao esquecimento. Agora mesmo, O8:25 horas, e desde o início da manhã, após voltar rapidamente às 22:00 horas de ontem, a dita cuja tomou rumo ignorado. Os açougueiros com seus freezeres abarrotados de carne estragando, assim como os comerciantes que vendem frango e peixe. Os donos de bares, sorveterias, restaurantes e lanchonetes, com a mão na cabeça sem saber como pagar o prejuízo. Como eu disse no início, a CEPISA conseguiu retardar até o cumprimento de metas do Conselho Nacional de Justiça. Não sei mais a quem apelar. Confesso que estou esgotado... mas vou reagir, pois é preciso continuar acreditando que autoridades, como o juiz Aderson, tomem atitudes idênticas e façam com que a nossa gente seja respeitada.
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
UM ANO DA MORTE DE UMA GRANDE SENHORA

Mulher do interior, simples, humilde, porém detentora de uma inteligência natural alinhada a uma vontade de ver a família crescer e se desenvolver, sem, entretanto, ficar apenas na esperança e na expectativa, atuando na condução concreta dessa esperança até a morte inesperada, em 22 de outubro de 2008, subitamente levada pela senhora dos mistérios em uma manhã na cidade de Teresina, onde se encontrava visitando uma filha e em tratamento rotineiro de saúde.
Foi assim que convivi e aprendi a respeitar e admirar dona Valniza Lustosa de Alencar Nogueira (foto ao lado com o neto Daniel), com traços de senhora retratada nos romances regionais que li na adolescência e que ainda me fascinam, com aquela mistura de liderança nata com o dom sensitivo de parecer advinhar ou pressentir os acontecimentos ao seu redor, mantendo filhos e netos ao seu lado, ensinando-lhes, sem formalismo, conceitos de moralidade, de ética, de religiosidade, de honestidade, de trabalho.

Era uma das poucas casas que eu visitava, praticamente todas as vezes que atravessava o Parnaíba para ir a Santa Filomena, a velha cidade onde nasceu e foi sepultada. A nossa amizade se consolidou através de seu filho José Damasceno Nogueira Filho, casado com minha única irmã, Clóris Alaíde, pais de Ana Carolina, uma dádiva a provar o amor incondicional e a resistência do casal. Dona Valniza era cativante, com voz meiga e fibra de mulher sertaneja, que verdadeiramente morou no mais puro sertão, o povoado Zelândia, zona rural de Santa Filomena, onde foi professora primária e onde, a pedido do pai, em pouco tempo superou os políticos tradicionais e alcançou as primeiras vitórias eleitorais do genitor, Caio Lustosa de Alencar, duas vezes prefeito do município, o seu último coronel ao lado de Antonio Luiz Avelino, seu tradicional adversário, e uma das mais completas lideranças políticas do sudoeste piauiense, quando os políticos eram mais honestos e éticos e cuja palavra era lei.
Dona Valniza foi casada com José Damasceno Nogueira, o popular Zé Biga, falecido em 1990, com quem deixou os filhos Filomena Maria de Fátima, Pedro Damasceno, José Damasceno, Excelsa, Valniza e Sônia. Além de rurícola e professora primária, foi diretora da unidade mista de saúde e secretária municipal de saúde de sua cidade natal, quando, com eficiência e equilíbrio, realizou uma excelente gestão, pois, assim como as personagens dos livros que não me deixam esquecer, era uma senhora que também sabia governar, dirimir o certo do errado, conduzir com maestria a economia do próprio lar, transmitir ensinamentos sem ar professoral ou imposição moralista.
Não tenho dúvidas de que ao lado dos pais e do esposo que a antecederam na passagem para o andar de cima, dona Valniza, merecedora do nosso respeito e da nossa mais profunda admiração, está em paz e ali, na casa do criador e conversando com a santa padroeira de sua devoção e de seus conterrâneos, continua orientando, induzindo e protegendo a sua prole, os seus amigos e a sua Santa Filomena.
Foi assim que convivi e aprendi a respeitar e admirar dona Valniza Lustosa de Alencar Nogueira (foto ao lado com o neto Daniel), com traços de senhora retratada nos romances regionais que li na adolescência e que ainda me fascinam, com aquela mistura de liderança nata com o dom sensitivo de parecer advinhar ou pressentir os acontecimentos ao seu redor, mantendo filhos e netos ao seu lado, ensinando-lhes, sem formalismo, conceitos de moralidade, de ética, de religiosidade, de honestidade, de trabalho.

Era uma das poucas casas que eu visitava, praticamente todas as vezes que atravessava o Parnaíba para ir a Santa Filomena, a velha cidade onde nasceu e foi sepultada. A nossa amizade se consolidou através de seu filho José Damasceno Nogueira Filho, casado com minha única irmã, Clóris Alaíde, pais de Ana Carolina, uma dádiva a provar o amor incondicional e a resistência do casal. Dona Valniza era cativante, com voz meiga e fibra de mulher sertaneja, que verdadeiramente morou no mais puro sertão, o povoado Zelândia, zona rural de Santa Filomena, onde foi professora primária e onde, a pedido do pai, em pouco tempo superou os políticos tradicionais e alcançou as primeiras vitórias eleitorais do genitor, Caio Lustosa de Alencar, duas vezes prefeito do município, o seu último coronel ao lado de Antonio Luiz Avelino, seu tradicional adversário, e uma das mais completas lideranças políticas do sudoeste piauiense, quando os políticos eram mais honestos e éticos e cuja palavra era lei.
Dona Valniza foi casada com José Damasceno Nogueira, o popular Zé Biga, falecido em 1990, com quem deixou os filhos Filomena Maria de Fátima, Pedro Damasceno, José Damasceno, Excelsa, Valniza e Sônia. Além de rurícola e professora primária, foi diretora da unidade mista de saúde e secretária municipal de saúde de sua cidade natal, quando, com eficiência e equilíbrio, realizou uma excelente gestão, pois, assim como as personagens dos livros que não me deixam esquecer, era uma senhora que também sabia governar, dirimir o certo do errado, conduzir com maestria a economia do próprio lar, transmitir ensinamentos sem ar professoral ou imposição moralista.
Não tenho dúvidas de que ao lado dos pais e do esposo que a antecederam na passagem para o andar de cima, dona Valniza, merecedora do nosso respeito e da nossa mais profunda admiração, está em paz e ali, na casa do criador e conversando com a santa padroeira de sua devoção e de seus conterrâneos, continua orientando, induzindo e protegendo a sua prole, os seus amigos e a sua Santa Filomena.
Fotos: Sônia Alencar
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
A SERRA BRANCA QUER SER ILUMINADA
A inclusão da energia elétrica em todos os lares dos brasileiros, nas cidades e no campo, é mais uma das inclusões constantes dos discursos do Presidente Lula, que, infelizmente, o programa luz para todos ainda não cumpriu essa ousada meta de levar a luz a todos os recantos de um país imenso como o nosso.
No município de Alto Parnaíba, extremo sul maranhense, por exemplo, o programa chegou apenas à região do distrito de Curupá, a 120 km da cidade, o que já representa um avanço imenso, tendo em vista que até então não tínhamos energia elétrica em um único metro da zona rural.
Aliás, a nossa energia, fornecida pela Companhia Energética do Maranhão - CEMAR -, que adquire o produto à Companhia Enérgica do Piauí - CEPISA -, é uma das piores do Brasil (se não a pior), mas, como inexiste outra opção, o consumidor é obrigado a tolerar o abuso da falta constante de luz e de suas quedas bruscas, que tantos prejuízos materiais causaram em trinta anos.
As outras regiões do município clamam pela continuidade do programa luz para todos, que está parado, faltando ainda concluir a transmissão para as casas próximas à região do Curupá e iniciar as obras no restante do nosso território, ou então o objetivo do presidente da República não será cumprido, a exemplo da comunidade do povoado Serra Branca, localizado próximo aos gerais do Balsas, uma das mais antigas fazendas de Alto Parnaíba, conforme manifesto assinado por dezenas de pessoas, liderados pelo aposentado rural Arlindo Barroso, endereçado ao ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, também filho do sertão maranhense, da cidade de Mirador, que já governou o Maranhão e sempre votado em nossa terra.
"Alto Parnaíba/MA, 20 de agosto de 2009.
Sua Excelência o Senhor
EDISON LOBÃO
Digníssimo Ministro de Estado de Minas e Energia
Esplanada dos Ministérios – Praça dos Três Poderes
Brasília/DF
Senhor Ministro,
Assim como nós, Vossa Excelência é filho do sertão do Maranhão, na mesma região sul do estado.
Somos lavradoras e lavradores, pequenos criadores, alguns aposentados rurais, gente humilde e verdadeiramente sertaneja, que habitam a região do Povoado Serra Branca, no município de Alto Parnaíba, extremo sul do Maranhão, ao lado de grandes propriedades produtoras de grãos, de criações de bovinos e até de indústria de calcário.
Mas não temos luz elétrica. O programa LUZ PARA TODOS NÓS, projeto importante de integração do Presidente Lula e conduzido por Vossa Excelência, ainda não chegou aos nossos humildes lares. Ainda utilizamos a lamparina para iluminar o mínimo possível. Sem luz, não temos água potável e nem podemos desenvolver uma pequena irrigação ou melhorar o pouco rebanho. Televisão, só na cidade. Telefone, apenas um orelhão sempre com defeito. Transportes, em lombo de burro ou em carroceria de caminhões. Não temos luz. Precisamos de sua compreensão e da sua dedicação ao Maranhão, a quem também representa no Senado da República. Alto Parnaíba sabe de seu valor e de sua dedicação ao nosso estado.
São dezenas de famílias sem luz. Ainda fabricamos a farinha, a tapioca e moemos a cana de forma ultrapassada e sofrida. Ajude-nos e traga a LUZ PARA TODOS À REGIÃO DA SERRA BRANCA, EM ALTO PARNAÍBA/MA".
No município de Alto Parnaíba, extremo sul maranhense, por exemplo, o programa chegou apenas à região do distrito de Curupá, a 120 km da cidade, o que já representa um avanço imenso, tendo em vista que até então não tínhamos energia elétrica em um único metro da zona rural.
Aliás, a nossa energia, fornecida pela Companhia Energética do Maranhão - CEMAR -, que adquire o produto à Companhia Enérgica do Piauí - CEPISA -, é uma das piores do Brasil (se não a pior), mas, como inexiste outra opção, o consumidor é obrigado a tolerar o abuso da falta constante de luz e de suas quedas bruscas, que tantos prejuízos materiais causaram em trinta anos.
As outras regiões do município clamam pela continuidade do programa luz para todos, que está parado, faltando ainda concluir a transmissão para as casas próximas à região do Curupá e iniciar as obras no restante do nosso território, ou então o objetivo do presidente da República não será cumprido, a exemplo da comunidade do povoado Serra Branca, localizado próximo aos gerais do Balsas, uma das mais antigas fazendas de Alto Parnaíba, conforme manifesto assinado por dezenas de pessoas, liderados pelo aposentado rural Arlindo Barroso, endereçado ao ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, também filho do sertão maranhense, da cidade de Mirador, que já governou o Maranhão e sempre votado em nossa terra.
"Alto Parnaíba/MA, 20 de agosto de 2009.
Sua Excelência o Senhor
EDISON LOBÃO
Digníssimo Ministro de Estado de Minas e Energia
Esplanada dos Ministérios – Praça dos Três Poderes
Brasília/DF
Senhor Ministro,
Assim como nós, Vossa Excelência é filho do sertão do Maranhão, na mesma região sul do estado.
Somos lavradoras e lavradores, pequenos criadores, alguns aposentados rurais, gente humilde e verdadeiramente sertaneja, que habitam a região do Povoado Serra Branca, no município de Alto Parnaíba, extremo sul do Maranhão, ao lado de grandes propriedades produtoras de grãos, de criações de bovinos e até de indústria de calcário.
Mas não temos luz elétrica. O programa LUZ PARA TODOS NÓS, projeto importante de integração do Presidente Lula e conduzido por Vossa Excelência, ainda não chegou aos nossos humildes lares. Ainda utilizamos a lamparina para iluminar o mínimo possível. Sem luz, não temos água potável e nem podemos desenvolver uma pequena irrigação ou melhorar o pouco rebanho. Televisão, só na cidade. Telefone, apenas um orelhão sempre com defeito. Transportes, em lombo de burro ou em carroceria de caminhões. Não temos luz. Precisamos de sua compreensão e da sua dedicação ao Maranhão, a quem também representa no Senado da República. Alto Parnaíba sabe de seu valor e de sua dedicação ao nosso estado.
São dezenas de famílias sem luz. Ainda fabricamos a farinha, a tapioca e moemos a cana de forma ultrapassada e sofrida. Ajude-nos e traga a LUZ PARA TODOS À REGIÃO DA SERRA BRANCA, EM ALTO PARNAÍBA/MA".
terça-feira, 20 de outubro de 2009
UM DOS NÓS QUE AMARRAM A JUSTIÇA
O Conselho Nacional da Justiça surge como uma das melhores invenções institucionais do Brasil nos últimos tempos. A sensação de impunidade que rondava a maioria dos juízes brasileiros, deu lugar à racionalidade; o emperramento do Judiciário passou a ser enfrentado com franqueza, coragem e desafios.
É preciso, entretanto, que o CNJ, os tribunais e os juízes passem a exigir maior eficiência e organização dos serventuários, a sua melhor qualificação e o suprimento da demanda, principalmente nas comarcas do interior do país. Estatísticas do próprio CNJ, na execução da chamada meta 2, noticiam que a metade dos processos que se encontravam ou ainda se encontram no limbo, não tinham sido dado baixa, ou seja, arquivados, pois já sentenciados em definitivo. Talvez seja a falta do carimbo e da velha máquina de escrever, que não permitiam aos escrivães de um passado não tão distante, encerrar o expediente forense ou cartorário sem cumprir o último despacho emanado do juiz.
Outra metade dos feitos, está parada pela falta de cumprimento de despachos simples e rotineiros, como os de mandar citar ou intimar, juntar petições, fazer vistas e conclusões, ou mesmo destacar prioridades nas capas dos processos.
Essa prática cartorária, ou das secretarias judiciais, causam todo tipo de prejuízo e dissabor, não apenas para quem busca direitos na Justiça, mas para os advogados, que intermediam a relação cidadão-juiz, e são cobrados impiedosamente, e com certa razão, por seus constituintes, sobre a demora, a falta de atenção de quem labora com processos.
Tudo que a gente faz tem que ser por gostar, inclusive o exercício da profissão escolhida; do contrário, os outros é quem sofrem, principalmente no serviço público. Para trabalhar com processo, que não é fácil, também é essencial gostar do que faz; gostar de folhear, de conferir, de ler processo, pois, sem aptidão, não tem CNJ que dê jeito no Judiciário do Brasil, a não ser que determine a realização de correições mensais, sem aquele formalismo exagerado infelizmente herdado dos portugueses, mas como de rotina, com a presença do juiz nos cartorários ou secretarias judiciais, conferindo se o esccrivão ou secretário cumpriu todos os despachos e sentenças proferidos naquele período, até mesmo para poder cobrar responsabilidasdes futuras.
É preciso, entretanto, que o CNJ, os tribunais e os juízes passem a exigir maior eficiência e organização dos serventuários, a sua melhor qualificação e o suprimento da demanda, principalmente nas comarcas do interior do país. Estatísticas do próprio CNJ, na execução da chamada meta 2, noticiam que a metade dos processos que se encontravam ou ainda se encontram no limbo, não tinham sido dado baixa, ou seja, arquivados, pois já sentenciados em definitivo. Talvez seja a falta do carimbo e da velha máquina de escrever, que não permitiam aos escrivães de um passado não tão distante, encerrar o expediente forense ou cartorário sem cumprir o último despacho emanado do juiz.
Outra metade dos feitos, está parada pela falta de cumprimento de despachos simples e rotineiros, como os de mandar citar ou intimar, juntar petições, fazer vistas e conclusões, ou mesmo destacar prioridades nas capas dos processos.
Essa prática cartorária, ou das secretarias judiciais, causam todo tipo de prejuízo e dissabor, não apenas para quem busca direitos na Justiça, mas para os advogados, que intermediam a relação cidadão-juiz, e são cobrados impiedosamente, e com certa razão, por seus constituintes, sobre a demora, a falta de atenção de quem labora com processos.
Tudo que a gente faz tem que ser por gostar, inclusive o exercício da profissão escolhida; do contrário, os outros é quem sofrem, principalmente no serviço público. Para trabalhar com processo, que não é fácil, também é essencial gostar do que faz; gostar de folhear, de conferir, de ler processo, pois, sem aptidão, não tem CNJ que dê jeito no Judiciário do Brasil, a não ser que determine a realização de correições mensais, sem aquele formalismo exagerado infelizmente herdado dos portugueses, mas como de rotina, com a presença do juiz nos cartorários ou secretarias judiciais, conferindo se o esccrivão ou secretário cumpriu todos os despachos e sentenças proferidos naquele período, até mesmo para poder cobrar responsabilidasdes futuras.
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
UMA DATA MARCANTE
Amanhã, 17, completam sete anos que n'um dia como esse recebi uma das notícias mais tristes de minha vida, que também abalou toda a comunidade de Alto Parnaíba, sem exageros.
Eu saía do fórum da comarca, ainda o imponente prédio irracionalmente derrubado há dois anos, quando me deparei com alguém que me disse algo difícil de acreditar: o Daniel Filho, Beijoca e Djalma, que haviam saído de nossa cidade rumo a Floriano, não haviam chegado ao destino. Era a primeira noticia. Me dirigi à residência dos pais de Daniel, na mesma rua onde eu nasci e morava, torcendo para que não fosse mais uma invenção típica de bairros ou cidades pequenas. Infelizmente, não era. Todos os ocupantes do carro do Daniel, dirigido pelo Beijoca, haviam morrido em um trágico e até hoje inexplicável acidente.
Daniel Lustosa Filho, mais moço do que eu, era um grande amigo, e não digo isso pelo fato de já ter feito a viagem eterna. O vi crescer, sempre atrás de mim, querendo participar das mesmas brincadeiras e aventuras dos mais velhos. Filho único, era a atração de Santa e Daniel Lustosa Neto, e das irmãs Alaíse, Analy e Denise. Inteligente e sagaz, foi estudar em São Luís e o convívio comigo e minha família continuaram intactos. Inquieto, logo retornou à terra natal e com a mesma velocidade, se casou com Nória-Ney, que lhe deu três filhos - Isadora, Isaac e Ítalo -, a outra filha é Victória.
Daniel começou a trabalhar ainda menino e só parou com a trágica e traiçoeira morte que o espreitou n'uma noite escura na entrada da cidade maranhense de Pastos Bons. 17 de outubro, uma data inesquecível. A tragédia se abateu sobre a pequena cidade. Além de Daniel, os restos de Benjamin Rodrigues Filho (Beijoca), também parente e amigo de infância, e de Djalma Vieira, um outro jovem da família local, foram velados na Igreja Católica e sepultados no cemitério público. Beijoca foi levado para Gurupi/TO, onde vivem seus pais. Era o fim; um fim inesperado, deixando-me e creio que a todos, estupefados e sem acreditar no que estava acontecendo.
Beijoca era casado com Alaíse, irmã de Daniel; Djalma era irmão de Norinha, a mulher de Daniel, e acompanhavam o cunhado em uma viagem à cidade de Floriano, no Piauí. Não chegaram ao destino. Eram personagens ativos da vida comunitária. Daniel praticava quase todos os esportes que lhe apareciam, desde o futebol e o voley, e em todos se sobressaía. Gostava de dançar e de brincar e mesmo eficiente funcionário em todos os lugares que desenvolveu suas atividades, incluindo o meu escritório de advocacia, e da maturidade alcançada com o casamento e os filhos, era uma criança. Mantenho viva na mente a lembrança de seu sorriso permanente, de um humor típico daqueles seres humanos especiais, que não demoram muito aqui na terra. Sim, Daniel era especial.
Daniel Filho me deu o filho Isaac para ser padrinho de batismo. Prova de amizade e de estreitamento dessa afinidade construída naturalmente pelo tempo. Ele não gostava de tristeza e por essa razão, meu caro Daniel, quero apenas te dizer que teus filhos estão bem, mesmo com o sofrimento que teima em não desparecer dos olhos dos órfãos. Teus pais, mantendo uma escolinha livre de voley, com certeza para dizer a todos que tu continuas entre eles. Tua mulher é dedicada aos filhos e mantém o que tu deixastes, principalmente a vontade de viver. O Jean se casou com a Liana e assumiu os filhos desta, reabriu o hotel de Baía e até na serra já trabalhou como cozinheiro, o que não deixa de ser incrível. O Wladimir é um eterno "cendeiro" e continua se achando com apenas 15 anos. O Ivan Brito, criando os filhos e levando a vida sem atropelos, assumiu o bar do pai e, acredite se quizer, o fecha nos finais de semana. São muitos os teus amigos e todos, sem dúvida, sentem a tua falta, dentre eles o "Véio Macho", que o tempo não faz envelhecer e nem mudar o jeito de viver e de filosofar sobre as coisas do cotidiano e da antipática cachaça. Agora, eu te pergunto: e o Bruno, Plínio, Quincas, você já os encontrou? Vamos deixar a resposta para outrora, pois sei que já te cansei. Fica um abraço e uma lágrima que insiste em brotar... e tu sabes que eu não sou de chorar, a não ser pela alegria de ter contigo convivido. Viva a eternidade de Cristo sem deixar de embalar com tuas brincadeiras sadias e alegres a monotomia de São Pedro, pois sei que contigo aí no céu a casa de Deus nunca mais foi a mesma. Fique em paz.
Eu saía do fórum da comarca, ainda o imponente prédio irracionalmente derrubado há dois anos, quando me deparei com alguém que me disse algo difícil de acreditar: o Daniel Filho, Beijoca e Djalma, que haviam saído de nossa cidade rumo a Floriano, não haviam chegado ao destino. Era a primeira noticia. Me dirigi à residência dos pais de Daniel, na mesma rua onde eu nasci e morava, torcendo para que não fosse mais uma invenção típica de bairros ou cidades pequenas. Infelizmente, não era. Todos os ocupantes do carro do Daniel, dirigido pelo Beijoca, haviam morrido em um trágico e até hoje inexplicável acidente.
Daniel Lustosa Filho, mais moço do que eu, era um grande amigo, e não digo isso pelo fato de já ter feito a viagem eterna. O vi crescer, sempre atrás de mim, querendo participar das mesmas brincadeiras e aventuras dos mais velhos. Filho único, era a atração de Santa e Daniel Lustosa Neto, e das irmãs Alaíse, Analy e Denise. Inteligente e sagaz, foi estudar em São Luís e o convívio comigo e minha família continuaram intactos. Inquieto, logo retornou à terra natal e com a mesma velocidade, se casou com Nória-Ney, que lhe deu três filhos - Isadora, Isaac e Ítalo -, a outra filha é Victória.
Daniel começou a trabalhar ainda menino e só parou com a trágica e traiçoeira morte que o espreitou n'uma noite escura na entrada da cidade maranhense de Pastos Bons. 17 de outubro, uma data inesquecível. A tragédia se abateu sobre a pequena cidade. Além de Daniel, os restos de Benjamin Rodrigues Filho (Beijoca), também parente e amigo de infância, e de Djalma Vieira, um outro jovem da família local, foram velados na Igreja Católica e sepultados no cemitério público. Beijoca foi levado para Gurupi/TO, onde vivem seus pais. Era o fim; um fim inesperado, deixando-me e creio que a todos, estupefados e sem acreditar no que estava acontecendo.
Beijoca era casado com Alaíse, irmã de Daniel; Djalma era irmão de Norinha, a mulher de Daniel, e acompanhavam o cunhado em uma viagem à cidade de Floriano, no Piauí. Não chegaram ao destino. Eram personagens ativos da vida comunitária. Daniel praticava quase todos os esportes que lhe apareciam, desde o futebol e o voley, e em todos se sobressaía. Gostava de dançar e de brincar e mesmo eficiente funcionário em todos os lugares que desenvolveu suas atividades, incluindo o meu escritório de advocacia, e da maturidade alcançada com o casamento e os filhos, era uma criança. Mantenho viva na mente a lembrança de seu sorriso permanente, de um humor típico daqueles seres humanos especiais, que não demoram muito aqui na terra. Sim, Daniel era especial.
Daniel Filho me deu o filho Isaac para ser padrinho de batismo. Prova de amizade e de estreitamento dessa afinidade construída naturalmente pelo tempo. Ele não gostava de tristeza e por essa razão, meu caro Daniel, quero apenas te dizer que teus filhos estão bem, mesmo com o sofrimento que teima em não desparecer dos olhos dos órfãos. Teus pais, mantendo uma escolinha livre de voley, com certeza para dizer a todos que tu continuas entre eles. Tua mulher é dedicada aos filhos e mantém o que tu deixastes, principalmente a vontade de viver. O Jean se casou com a Liana e assumiu os filhos desta, reabriu o hotel de Baía e até na serra já trabalhou como cozinheiro, o que não deixa de ser incrível. O Wladimir é um eterno "cendeiro" e continua se achando com apenas 15 anos. O Ivan Brito, criando os filhos e levando a vida sem atropelos, assumiu o bar do pai e, acredite se quizer, o fecha nos finais de semana. São muitos os teus amigos e todos, sem dúvida, sentem a tua falta, dentre eles o "Véio Macho", que o tempo não faz envelhecer e nem mudar o jeito de viver e de filosofar sobre as coisas do cotidiano e da antipática cachaça. Agora, eu te pergunto: e o Bruno, Plínio, Quincas, você já os encontrou? Vamos deixar a resposta para outrora, pois sei que já te cansei. Fica um abraço e uma lágrima que insiste em brotar... e tu sabes que eu não sou de chorar, a não ser pela alegria de ter contigo convivido. Viva a eternidade de Cristo sem deixar de embalar com tuas brincadeiras sadias e alegres a monotomia de São Pedro, pois sei que contigo aí no céu a casa de Deus nunca mais foi a mesma. Fique em paz.
A foto acima, do meu arquivo pessoal, mostra o Daniel Filho festejando em cima do fusca do Keshin Fukui, o Japa, em uma carreata durante minha campanha eleitoral de 2000.
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