domingo, 19 de julho de 2009

Estado do Parnaíba

O direito de opinar é sagrado em um regime democrático e deve ser respeitado, mesmo que ninguém é obrigado a concordar com a opinião de outrem. A maioria dos sul-maranhenses que leu o texto do ensaísta Roberto Pompeu de Toledo em uma edição da revista VEJA do ano passado, com certeza não gostou do que leu sobre a criação do Estado do Maranhão do Sul. A análise do jornalista – por sinal, Pompeu de Toledo escreve muito bem, o que e é indiscutível -, merece ser vista sem os mesmos preconceitos e barrismos arcaicos, tolos e pouco racionais de uma parcela significativa de jornalistas, empresários, artistas, políticos e intelectuais do sul do país sobre o norte e nordeste brasileiros.

O articulista de VEJA disse verdades, que queiramos ou não, devem servir de reflexão, inclusive de base e ferramenta para uma discussão ampla junto à população mais interessada, ou seja, da região objeto da emenda constitucional que tramita no Congresso Nacional, que de uns tempos para cá passou a ter um trâmite bem mais acelerado – não deixa de ser salutar se observarmos que alguns possam estar realmente trabalhando no parlamento brasileiro.

Essa abrangente discussão precisa ser travada pelos líderes do movimento e com maior participação da sociedade civil, incluindo todas as lideranças políticas e das sociedades organizadas municipais, com o povo das zonas rurais e das cidades que integrarão o território da futura unidade federativa, e não apenas e esporadicamente em palanques-comícios ou reuniões cansativas com poucas camadas das comunidades.

Ora, ninguém tem mais autoridade para discutir o Maranhão do Sul do que os seus filhos e os seus moradores, que para cá vieram de todos os recantos do Brasil, pois se quisermos um estado novo de verdade não deveremos permitir a importação compulsória dos vícios e mazelas do velho Maranhão que todos conhecemos o que em nada adiantaria a peleja do desmembramento ou da mera emancipação política de uma parte considerável do nosso território, onde a natureza foi e ainda é, mesmo com todos os males causados pela burra racionalidade do homem, extremamente prodigiosa.

O município onde nasci, vivo e trabalho é Alto Parnaíba, o mais meridional do Maranhão e o mais distante da atual capital, São Luís. Pelo projeto que tramita no Congresso Nacional a capital do novo estado será Imperatriz. Não tenho nada contra a segunda maior cidade maranhense, ao contrario, é exemplo de crescimento demográfico e econômico no interior brasileiro. Entretanto, parcela importante de nossa região, e não apenas minha terra natal que continuará ou continuaria sendo a mais longínqua do novo centro político e administrativo de decisões estaduais, permanecerá no esquecimento de sempre.

Se o estado do Tocantins serve de modelo, que a capital seja centralizada para que a principal defesa da separação, a distância, não padeça por antecipação ou não morra de véspera. Por essas e outras que se faz necessário discutir e debater com mais amplitude com o próprio povo e em cada município, observando cada particularidade até para que o novo efetivamente seja novo.

Quando estudante em São Luís eu já defendia o que sempre denominei de libertação ou emancipação do sul maranhense, e o fazia em jornais da capital, mas não sou do tipo de gente que se alia ou adere a satanás para alcançar seus objetivos, até pela simples razão de servir apenas a um só Deus. Que seja criado o Maranhão do Sul, sim, mas não no grito, no oportunismo, na imposição de cima para baixo do modelo político, das decisões político-administrativas antes mesmo da emancipação (aí seria retrocesso) e da divisão do mando.

Existem lideranças realmente comprometidas com a causa do novo estado, como o prefeito de Imperatriz, Sebastião Madeira, o Dr. Fernando Antunes, secretário de estado, e o próprio governador Jackson Lago, dentre outros, que devem coordenar o grande debate regional, visitando cada comuna, ouvindo o povo, explicando com simplicidade a essa mesma gente as razões, os motivos, a viabilidade e as vantagens para este mesmo povo com a criação do Estado do Maranhão do Sul, sob pena, infelizmente, de surgir no momento da glória um novo Floriano Peixoto, principal assessor militar do chefe do governo, o Visconde de Ouro Preto, até a queda da monarquia, e logo em seguida transformado em um dos mais terríveis dos ditadores da nossa República, enquanto os seus idealizadores e principais pregadores de sua implantação no Brasil, como Saldanha Marinho, Benjamin Constant e Quintino Bocaiúva, passaram a ser meros coadjuvantes (ou nem isso) dos republicanos de l5 de novembro.

O ex-senador Chagas Rodrigues, um dos mais íntegros políticos brasileiros, também governador do Piauí, recentemente morto, fez um minucioso trabalho sobre a redivisão territorial do Brasil. Vale salientar, que desse trabalho é possível identificar o que seria - na minha modesta opinião - mais adequado para o extremo sul maranhense, sul e sudoeste piauiense, oeste baiano e norte do Tocantins: a criação do Estado do Parnaíba.

O Rio Parnaíba é um dos mais importantes do Brasil e genuinamente nordestino, com uma extensa bacia interligada à do São Francisco, centralizando o que seria um estado pequeno, já que uma agropecuária moderna e significativa economicamente, uma razoável infra-estrutura, início de um processo de industrialização, de desenvolvimento comercial, de serviços e mesmo, potencial turístico ditado por uma natureza privilegiada.

Um estado no planalto central, estratégico na ligação com as demais regiões do país, e mesmo sem acesso ao mar, o mais importante porto do norte e nordeste, o de São Luís, se tornaria de fácil acesso através da pavimentação das rodovias ligando o oeste da Bahia e o sul piauiense a Santa Filomena, de Lizarda (TO) a Alto Parnaíba e da construção da ponte sobre o Parnaíba entre as cidades de Alto Parnaíba e Santa Filomena (PI), vitais para a consolidação do corredor norte de exportação e do desenvolvimento do interior brasileiro, que vem sendo perseguido desde os bandeirantes paulistas.

Faço questão de ressaltar que a ligação de Alto Parnaíba a São Luís, extensão de aproximadamente 1.100 km, é totalmente pavimentada; que o asfalto para chegar a Santa Filomena, pelo Piauí, depende de pouco mais de 100 km; e de que a construção da rodovia Lizarda a Alto Parnaíba, federalizada, n’uma distância de 120 km é o único empecilho para a mais completa interligação do extremo sul maranhense e o que seria o Estado do Parnaíba com Palmas e, conseqüentemente, Brasília, Goiânia, sul e sudeste do Brasil.

João Castelo, prefeito de São Luis, Gardênia Gonçalves, ex-prefeita de São Luis e o advogado Décio Rocha

Cidades pólos regionais nos quatro estados estão entre as que mais crescem e se desenvolvem no interior do país, como Balsas, no Maranhão, Barreiras, na Bahia, Uruçuí, no Piauí, e Pedro Afonso, no Tocantins.

Por enquanto é apenas um sonho, que faço questão de divulgar; quem sabe se na posteridade essa idéia não seja abraçada por algum parlamentar, sem ambições mesquinhas, sem querer se autoproclamar novo ditador de província, que possa conseguir unir em uma mesma unidade federativa toda uma região com identidades culturais, ambientais, geográficas, de formação histórica, de costumes e de economia semelhantes.




Um comentário:

  1. Ivan Filho vc está bem nesta foto,praticando meu esporte favorito, ja tinha lhe enviado parabens via msn no dia certo,mas aproveitando a oportunidade desejo muitos anos de vida e muita saude para vc e toda sua familia

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