quarta-feira, 30 de novembro de 2011

EM ALTO PARNAÍBA, MATADOURO SEM VETERINÁRIO

Por incrível que pareça, mesmo após meses da homologação do último concurso público realizado pela Prefeitura de Alto Parnaíba, no sul maranhense, o matadouro público municipal permanece sem veterinário, não tendo sido nomeado os aprovados ou classificados no aludido certame até o momento. Na última segunda-feira, o noticiário Bom Dia Brasil, da Rede Globo, exibiu matéria sobre as péssimas condições de funciomento da quase totalidade dos matadouros públicos no interior de Pernambuco, levando a coordenadora da vigilância daquele estado a sugerir o fechamamento de 240 desses matadouros, onde um dos principais problemas é a falta de veterinário, essencial para a análise dos bois abatidos e a qualidade da carne, ou seja, se o produto tem condições ou não de ser consumido pelo ser humano. Em Alto Parnaíba a situação não é diferente. Além de inexistir veterinário, a carne é transportada para os açougues em veículo que não teria condições necessárias de higienização e preservação do produto que é consumido pela maioria absoluta da população. Um outro problema crônico desde a inaguração do matadouro: a falta de saneamento e condições mínimas sanitárias para o seu funcionamento. Ali, urubús e o lixo acumulado servem de paisagem, já integrados ao local do abate da carne nossa de cada dia. As víceras são tratadas sem o mínimo de cuidado com a saúde de quem se aventura nessa tarefa nem sempre gratificante.
Em 01.02.2011, o PDT, diretório municipal de Alto Parnaíba, protocolou representação para a interposição de ação civil pública ou outras medidas administrativas e judiciais, petição assinada pelo presidente Wladimir Brito Rocha, ao Promotor de Justiça, em que denuncia os mesmos fatos aqui relatados. Não tenho notícias se alguma providência tenha sido tomada.
Fotos: Léo Nogueira

domingo, 27 de novembro de 2011

EU NÃO ME VENDO. EU NÃO ME ENTREGO.

Quando criei esse espaço, a minha intenção era, como continua a ser a de divulgar com fatos e dados as notícias, os acontecimentos, a história, o presente e as perspectivas de futuro da terra onde nasci, vivo e trabalho, o município sul maranhense de Alto Parnaíba. Permaneço como d'antes!

Envolvido no movimento estudantil desde o antigo ginásio, quando o Brasil ainda estava mergulhado na escuridão da ditadura militar de 1964, e depois na universidade, confesso que continuo com a mesma convicção - o maior mal do país é a corrupção e a sensação de impunidade dos corruptos.

Nesse aspecto não mudei. Engordei e os cabelos estão embranquecendo, mas a resistência de adolescente à ditadura é a mesma contra o desvio do dinheiro público, que atrasa um povo, infelicita uma comunidade, maltrata a humanidade como criação de Deus, pavimenta o incentivo a outros crimes, gera o caos, desestabiliza a economia local e o desenvolvimento social.

Nunca exerci cargo eletivo ou mesmo de confiança na administração pública. Perdi uma eleição para prefeito, em 2000, em Alto Parnaíba. Era a vontade soberana do povo. Na época, combati a compra de votos, a esmola com o dinheiro público corrompendo a consciência de pessoas desprovidas de recursos financeiros mínimos para a própria sobrevivência. Fui a praticamente todo o município e alertei o povo sobre o perigo de permanecermos votando e ao mesmo tempo reféns de um populismo chulo, barato, desinteligente, que privilegiava, como privilegiou meia-dúzia de apaniguados e não promoveu nenhuma mudança positiva na vida dos alto-parnaibanos e na administração pública. O movimento de 1988 é o grande causador da sensação de impunidade dos corruptos e da busca da riqueza fácil com o dinheiro da população de Alto Parnaíba, como se tudo isso fosse a coisa mais natural do mundo.

Não sou santo. Sou um ser humano de carne e osso e, portanto, com defeitos, fraquezas, virtudes e resistência. Entretanto, aos navegantes de maré baixa, viciados em cargos fictícios e dinheiro público, que muitas vezes mudam apenas a pele e aos ingratos de plantão, a única certeza: nenhum laço consaguineo ou de amizade me fará calar ou concordar por ação ou omissão com a corrupção e seus atores. Permaneço como sempre, resistente e na trincheira contra os mal feitos, os abusos, a impunidade, os maus tratos impostos impiedosamente à minha terra e sua gente.

Àqueles que fingem me desconhecer, a única certeza é a de que esses dias já são breves e tudo passará enquanto permanecerei como d'antes com o pensamento, os atos e as ações voltados para o combate sem trégua à corrupção, que desvia o dinheiro da merenda escolar, violena o direito consagrado à saúde, à educação, à moradia, aos transportes, à cidade limpa, ao saneamento, ao urbanismo, à assistência social, ao esporte como lazer, à cultura, ao emprego, ao agronegócio que emprega e propicia divisas e o bem coletivo.

Enfim, sem hipocrisia, sem sorriso forçado e sem medo, felizmente sou o mesmo de antes contra as mazelas que retardam o desenvolvimento de minha terra natal.

sábado, 26 de novembro de 2011

MP FISCALIZA USO DE CARROS OFICIAIS

O Promotor de Justiça da comarca de Tasso Fragoso, no sul do Maranhão, Sílvio Mendonça Ribeiro Filho, recomendou no último 1º de novembro ao prefeito Antonio Carlos Rodrigues Vieira, determinados e necessários cuidados com a frota de carros oficiais daquele município, localizado à margem do rio Parnaíba e a 984 km de São Luís, devendo encaminhar à promotoria, em 30 dias, as providências tomadas para o atendimento das solicitações. O Ministério Público do Maranhão também encaminhou cópias do mesmo documento à Câmara Municipal e à Polícia Militar de Tasso Fragoso.

O documento do MP sugere, dentre outras medidas, a confecção de planilha com dados dos veículos, horários em que estão prestando serviços públicos, autorização expressa da Prefeitura para viagens, uso de combustível, relatórios com todas as informações, inclusive gastos e motoristas responsáveis. É a busca do controle em defesa do patrimônio público.

No vizinho município de Alto Parnaíba, uma ambulância da Prefeitura permanece se deteriorando no pátio do hospital público municipal Zuza Soares, conforme denunciamos aqui no blog. Outros veículos oficiais municipais são poucos. Os carros adquiridos pertencem ao prefeito Ernani Soares e filhos. O alcaide recebe 12 mil reais como chefe do poder executivo. É um ótimo salário. Entretanto, não seria suficiente para a aquisição de dezenas de veículos, a maioria luxuosa, em menos de três anos de governo. Aqui, no mais meridional dos municípios do Maranhão e com certeza o de pior administração pública, qualquer carro novo que chega o povo já diz: mais um do prefeito. Se qualquer pessoa quiser vender carro novo, usado, carroça, enfim, até carrinho de brinquedo, eles compram; pagar é que é difícil. Aqui, onde o belo Parnaíba nasce o MP quando agir não será para recomendar o uso correto dos carros oficiais, mas como usar, utilizar e destinar os veículos deles... Ora, isso seria incomum, mas desde que ao povo seja retornado o seu patrimônio, louvável Ministério Público!

Fonte: subsídios do Jornal Pequeno, de São Luis, versão eletrônica, de 25.11.2011.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

CRÔNICAS PARA TIRZAH

Recebi essa bela crônica do jornalista, tradutor, professor e escritor vitoriense de Alto Parnaíba Berilo Vargas, radicado na cidade do Rio de Janeiro, a quem agradeço em meu nome pessoal e de toda a família Rocha, juntamente à sua irmã Maurina Vargas, por essa mensagem inesquecível sobre minha tia Tirzah de Araújo Rocha, que empreendeu a viagem natural e insubstituível no último dia 19 de novembro, pois seria egoísmo guardá-la apenas para a família.


O quase imperceptível murmúrio fluvial que fez companhia constante a Tirzah na velha casa da beira do rio repercutiu longe. Ontem tive vontade de conversar com alguém sobre a morte de sua tia e liguei para minha irmã Maurina em Brasília. Ela recebeu a notícia com espanto consternado. "Meu Deus, Tirzah!", exclamou, como se a morte tivesse levado precocemente a jovem que ela preservava na memória.


Depois li seu belo texto, falamos de Tirzah e de outros vitorienses dos tempos heroicos que já se foram, e ela lhe mandou um recado:"Diga ao Décio que fiquei muito sentida, e que seu texto me trouxe saudades de uma época e de pessoas que estão sempre guardadas lá no fundo da memória. Diga que me lembrei de Tirzah de luto, já não sei por quem. Dos seus óculos de lentes grossas. Do jeito blasé. Até da casa deles, que tinha um cheiro bom de beira de rio. Diga que cheguei a escutar o murmúrio do Parnaíba, e vi até as pedrinhas no raso".Também tive saudades, meu caro Décio. Tirzah faz parte de uma felicidade coletiva que também foi nossa. Mas a vida é assim, o desaparecimento de pessoas muito queridas é sempre um choque, um baque surdo, um vazio repentino. E, paradoxalmente, quanto mais idoso aquele que se vai, maior o silêncio, maior o vácuo da ausência: o fim, embora esperado por ser um imperativo biológico, nem por isso parece natural. Era alguém que estava conosco desde sempre, e qualquer coisa dentro de nós exige a continuação de sua presença. Só com o distanciamento do tempo a dor amortece.


Berilo me fez relembrar uma passagem descrita em prosa por nosso poeta-maior, o imortal Luiz Amaral, que, chegando de uma viagem cansativa em lombo de burro do garimpo de Boqueirão, no municipio piauiense de Gilbués, onde estava estabelecido com a esposa, tia Zenade, familiares e numerosos amigos que nunca abandonou, e hospedando-se na velha casa ribeirinha de meus avós na margem do seu cantado e encantado Velho Monge, ansioso para madrugar no bar e clube Victória de Ivan Brito, com a santa impaciência que Deus lhe deu, forçado pela prima Tirzah ele teve que retornar à hospedagem e, perdidas algumas partidas de sinuca, deixar como legado, assim como Berilo, a prosa-crônica intitulada Sinuca, pimeiramente escrita a mão no álbum de minha tia.


Eu tenho que jogar na bola 'ás'...
mas a 'sete' me priva de o fazer.
Sinuca igual, Tirzá, você me faz
pedindo-me que escreva sem saber.


Eu bem conheço e não censuro mais
esses caprichos próprios da mulher.
Quando ela quer... impõe, não volta atrás.
Que doa o seu pedido a quem doer!...


Ou 'cegar'...ou a 'branca' na caçapa...
De sinuca tamanha quem escapa
Realmente, Tirzá, não sei... não sei...

Aperto como este, só se vendo!
Mas... vamos ver - que o 'tempo' está crescendo...
Joguei na bola 'sete'... suicidei...

O soneto Sinuca está publicado na obra Meu Livro, de Luiz Amaral, à pág. 75.

FALTA DELEGADO NO MUNICÍPIO

Um dos delegados de polícia de Balsas responde ao mesmo tempo pela delegacia de polícia civil do município de Alto Parnaíba, a 246 km de distância. É humanamente impossível que ele consiga desempenhar ao mesmo tempo essas atribuições em lugares diferentes. É o velho Maranhão de tantas mazales e políticas governamentais equivocadas, agora imitado pelo vizinho Piauí, não menos maltratado, nessa questão. Em Santa Filomena, o delegado é o mesmo de Corrente, cujo famoso carreiro para Gilbués dispensa comentários, aumentando a distância no minimo no dobro do normal. Em Alto Parnaíba, no sul maranhense, até os flagrantes, boletins e termos circunstanciados de ocorrências teriam que ser remetidos a Balsas para o processamento final pela autoridade policial. Os inquéritos da mesma forma. A polícia militar prende, mas, sem a autuação do flagrante, que é o processo legal, tem que soltar. Com isso, matar o próximo ficou mais fácil, ante a sensação de impunidade que reina no muncípio, e qualquer um pode facilmente constatar esse fato notório. Traficar drogas ilegais e propagar o seu uso por crianças e adolescentes, o que tornou-se indiscriminado em minha terra natal, da mesma forma. E assim por diante.

O governo do Maranhão nada diz ou se sente blindado. Uma liminar concedida pelo ex-juiz de direito da comarca de Alto Farnaíba, Franklin Silva Brandão Júnior, atendendo a pleito do Ministério Público estadual nos autos de uma ação civil pública, que obrigava a Secretaria de Segurança Pública a nomear delegado de carreira para o nosso município foi revogada pelo Tribunal de Justiça. É um abuso - todos sabemos - que tende a se perpetuar.



Foto: Rafael Rocha

terça-feira, 22 de novembro de 2011

CASOS DE LESHIMANIOZE EM ALTO PARNAÍBA

A leshimaniose é uma doença transmitida pela picada do mosquito pólvora. Existem vários tipos da doença e suas causas e efeitos também se diversificam.

Segundos informações não oficiais, já que a Prefeitura de Alto Parnaíba se silencia sobre tudo o que é verdadeiramente de interesse público, alguns casos de leshimaniose teriam sido diagnosticados na cidade sul maranhense. Conheço um caso concreto do que seria leshimaniose através de ferida cutânea, em que a paciente terá que receber oitenta injeções ou vacinas.

Esse tipo de doença é comum em palafitas e em cidades sujas de países subsenvolvidos e mesmo em metrópoles europeias onde o lixo prolifera, como na Itália. Em Alto Parnaíba, a proliferação de cães (cachorros) com sinais de calazar abandonados ou praticamente abandonados perambulando pelas ruas da cidade sem tratamento, além de ratos é fato notório, em comum com a sujeira de suas ruas, o que é visível e independe de comprovação, tudo isso aliado a esgotos a céu aberto, à obra inacabada e danosa da Codevasf na implantação do sistema de esgotos sanitários, o lixo doméstico acumulado nas ruas pela ineficiência absoluta da Prefeitura em seu recolhimento, os bueiros e galerias sem limpeza, a água da chuva que invade avenidas, ruas e praças levando consigo o mato, a lama, o lixo, a imundice.
Não se pode negar que muitos proprietários de imóveis não cuidam adequadamente da higienização e limpeza de suas propriedades, a começar pelos quintais comuns em cidades do interior brasileiro.

No mais, a preocupação maior pela certeza absoluta que tenho, o que é compartilhado pela maoria da população, de que a atual administração municipal de Alto Parnaíba permanecerá omissa, silenciosa, o que é grave e não mais tolerável, deixando de lado por completo as necessidades públicas da comunidade.

Imagens: Rafael Rodrigues Brito

sábado, 19 de novembro de 2011

A MORTE DE TIRZAH ROCHA

Às 18:30 horas de hoje, 19.11, faleceu em sua residência Tirzah de Araújo Rocha, ou simplesmente Tizahinha como nós, os seus sobrinhos e amigos, a chamávamos.

Há dois anos convalescendo de um AVC, porém plenamente lúcida e após deixar o hospital, cercada pela única irmã viva, Júnia de Tarso Rocha e Aragão, por sobrinhos e vizinhos, minha tia Tirzah morreu serenamente, ouvindo, ao seu pedido, os salmos 91 e 23, lidos pela dedicada sobrinha Maria do Socorro Formiga Rocha.

Nascida em 20 de outubro de 1928, na mesma casa onde desencarnou, à margem do rio Parnaíba na então Victória do Alto Parnaíba, hoje por concepção político-administrativa apenas Alto Parnaíba, no extremo sul do Maranhão, Tirzah era o oitavo filho vivo - sem contarmos os que morreram crianças - de meus avós paternos, Antonio de Araújo Rocha e Ifigênia do Nazareth Rocha. Os outros irmãos eram: Elias, José Benedito, Izidora, Ritinha, Rochinha (meu pai), Corintho, Ben-Hur, Carmona e ainda viva Júnia, a caçula.

Minha tia Tizahinha não se casou e nem teve filhos biológicos, criando dois sobrinhos como filhos, os irmãos Saulo Antonio, falecido neste ano, e Elias, o Lila, deficiente mental, a quem dedicou os melhores anos de sua vida.

Sua irmã Júnia diz que ela era a advogada natural da família. É verdade. De temperamento forte, firme, direta, objetiva, inteligente, Tirzah acompanhou a vida pessoal, profissional e política do pai, irmãos e sobrinhos com a altivez e a coragem de enfrentar os momentos mais difíceis e as adversidades, pois nos dias festivos ela se esquivava recolhendo-se na solidão da velha casa secular onde seus pais iniciaram a vida em comum e onde todos os seus irmãos vieram ao mundo, onde apenas o som quase impercetível do Velho Monge descendo em busca do mar era a sua companhia.



Tirzah com a sobrinha-neta Emylenne de Mesquita Rocha, filha de Saulo Antonio.



Conselheira e amiga sem ser subserviente, sabia aplaudir assim como cobrar dos parentes, especialmente dos sobrinhos, sempre visando o bem, o melhor, o caminho de paz, de trabalho honrado, de respeito ao próximo, de decência e de amor a Deus.

Membro ativa da Igreja Batista desde criança, Tizahinha não tinha vaidades, não acumulou riquezas, não exigia luxo, ao contrário, viveu com a humildade de Jó e a fé de Paulo ao enfrentar doenças, mortes dos ente queridos, amor à família, carinho e dedicação aos deserdados da sorte.

Ela fará falta. A sua velha casa era o local do encontro da família numerosa, que, em torno dela, a convivência era mais fraterna. alegre e permanente. Esse o legado de Tirzah de Araújo Rocha, a tia interiorana, bondosa, justa, coerente, amiga. O meu adeus e o meu carinho eterno.

Foto: arquivo de Maria do Socorro Rocha.