quinta-feira, 24 de setembro de 2009

ESCOLA DA COMUNIDADE CONTINUA FECHADA


Há aproximadamente dois anos, a Campanha Nacional das Escolas da Comunidade - CNEC -, fechou a sua escola na cidade de Alto Parnaíba, no extremo sul do Maranhão, sem explicação plausível à comunidade escolar e à sociedade local.

A Campanha da Comunidade foi instalada em nossa cidade na gestão do ex-prefeito Raimundo Alves de Almeida (Mundico), hoje com 90 anos de vida, há mais de meio século, dando a oportunidade de acesso ao antigo ginásio pelos jovens daqui e das cidades vizinhas de Santa Filomena, no Piauí, Lizarda, no Tocantins, e Tasso Fragoso, também Maranhão.

Várias gerações foram formadas pelo Ginásio Alto Parnaibano, a primeira denominação de nossa mais importante escola, e daqui a maioria saíu, alcançou faculdades e venceu na vida. Era o primeiro passo. Com essa visão e dando sequência ao projeto liderado pelo prefeito Mundico Almeida e acampado por todas as lideranças políticas, religiosas e comunitárias, meu pai, Antonio Rocha Filho (Rochinha), em seu primeiro governo, com o apoio indispensável do então governador José Sarney, construíu e entregou aos estudantes e à comunidade alto-parnaibana um belo e imponente prédio para o funcionamento do nosso ginásio, no ano de 1968, e o reformou na segunda gestão, em meados dos anos 1980.

No decorrer do tempo e já chamado de Centro Educacional Cenecista de Alto Parnaíba - CECAP -, outros cursos, de segundo grau, foram introduzidos, como o magistério (normal) e técnica em contabilidade. Por ali, desde a fundação, passaram abnegados e dedicados mestres e administradores, e faço questão de regitrar alguns nomes, não exatamente pela ordem cronológica, tais como Aderson Lustosa do Amaral Brito, Luiz Amaral, Padre Emílio Ragonío, Padre André Fillipe, Padre João Audízio, Alberto Tavares, Luiz Gonzaga da Cruz Lopes, Deusdedith da Cruz Lopes, o magistrado Antônio Carlos Medeiros (hoje desembargador aposentado do Tribunal de Justiça do Maranhão), Maridete Bezerra do Amaral, Carmen Pachêco Lustosa, Carmélia Maria Pachêco Lyra, Cícero Sousa, Árison Marden do Amaral, Benvindo Lustosa Nogueira, Dr. Valeriano Ribeiro (Promotor de Justiça, já morto), Maria de Lourdes Gouveia Rocha, Émerson Leitão do Amaral, Maria Albanisa do Amaral Mascarenhas, o advogado Plínio Aurélio do Amaral Rocha, os magistrados Aluizio Ribeiro da Silva (desembargador já falecido) Jethro Sul de Macêdo (também morto) e Ilva Salazar Eliseu, dentre inúmeros outros merecedores da gratidão e do reconhecimento de nossa gente.

Não cheguei a estudar no CECAP. Todos os meus irmãos ali estudaram. Meu pai tinha admiração especial por essa obra pioneira, símbolo de luz acessa na escuridão do ensino então reinante na pequena cidade. Ouvia na semana passsada. no fórum de Santa Filomena, o advogado filomenense Niso Sousa Silva Filho, hoje radicado em Teresina, relembrando com orgulho o ginásio onde estudou e teve início, com certeza, sua formação intelectual, assim como de centenas de outros e outras espalhados pelo Brasil afora.

Fecharam a escola. Inexplicável decisão. Falta de verba, de lucro? Nada justifica. Participei de um movimento da comunidade para pressionar o Município a voltar a colaborar com a manutenção do colégio, praticamente público. Mensalmente, o CECAP recebia, em forma de bolsa ou de ajuda de custo, recursos públicos municipais. Teria havido uma divergência nem um pouco institucional entre o ex-prefeito e o último diretor, que também não serve de razão para o lacramento de um prédio e de uma escola erguidos pela vontade de nossos antepassados, fruto da união da pequena Alto Parnaíba de outrora, berço formador de gerações vencedoras e produtivas, verdadeiramente escola onde estudavam filhos de ricos e pobres, congregando, sem discriminações, pessoas de todas as cores, raças, credos e posições políticas. O CNEC chegou a oferecer à penhora na Justiça do Trabalho do Pará, o edifício que não construíu, que recebeu gratuitamente e a resposta ao povo de Alto Parnaíba, o desprezo, a desconsideração, o fim do tradicional Ginásio Alto Parnaibano, em face de uma dívida totalmente estranha ao CECAP.

Confesso que me sinto mal com o fechamento de qualquer escola, mesmo não sendo professor. Ainda é tempo de reagir. Com a vinda de um juiz de direito titular para a comarca de Alto Parnaíba, vaga desde janeiro de 2007, que espero ser breve, promoverei ação popular ou outra medida similar, objetivando fazer reabrir e retornar à comunidade de Alto Parnaíba a escola da comunidade. Aqueles e aquelas, que ali estudaram ou mantêm vínculo de qualquer natureza com o CECAP e Ginásio Alto Parnaibano, não fiquem omissos e abracem essa causa, que é de todos os amantes da história, da cultura, da educação e do respeito para com o bem público.
Fotos do arquivo pessoal do Pe. Piercarlo Mazza, ex-paróco de Alto Parnaíba.

Um comentário:

  1. Dr. Décio,

    Parabéns pela excelente matéria. Relembrar a memoria do CECAP, de certa forma é contar um pouco da história de Alto Parnaíba, alí passaram praticamente todos os seus ilustres cidadãos e cidadãs, os que não foram estudandes foram professores ou ainda colaboraram com opoio, como foi seu caso, que muito ajudou aquela instituição. Fui um cenecista convicto, por onze anos estudei e por mais dez lecionei, foi uma vida inteira dedicada a mais tradicional escola de nossa região, que por sinal começa sentir sua falta, hoje não encontramos mais professoras(es) normalistas para suprir a demanda das nossas Escolas, principalmente da Zona Rural. Para mim o fechamento do CECAP foi o fato mais triste da história de Alto Parnaíba, resta nos apenas a alegria de não tê-lo demolido. Podemos pelo menos ao passar pela rua Poeta Gonçalves Dias relembrarmos dos bons momentos vividos ali.

    Um grande abraço.

    Carlos Biá
    Ex-Aluno e Ex-Professor do CECAP

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