quinta-feira, 17 de setembro de 2009

FALTA UM HOSPITAL PÚBLICO

Em 1977 o município de Alto Parnaíba, no extremo sul maranhense, ganhava o seu hospital público, um projeto de inteira responsabilidade do INAMPS, já extinto, a partir da iniciativa das lideranças políticas e comunitárias locais, à frente o prefeito Corintho Rocha e o deputado federal José Machado, que não sei se ainda vive, apenas que esse político de Brejo, mesmo no período ditatorial de 1964, era um municipalista atuante, cuja causa principal era voltada aos pobres e distantes municípios do interior do Maranhão, sabendo honrar os votos recebidos em Alto Parnaíba.

O nosso hospital público foi inaugurado oficialmente na gestão do prefeito Renan Soares. No segundo mandato de meu pai, Antonio Rocha Filho, entre 1983-1988, o hospital passou a ser gerido por uma fundação municipal de saúde e conseguiu funcionar no máximo de sua plenitude, com cinco médicos, uma enfermeira, dois dentistas, auxiliares de enfermagem, assistente social e outros profissionais ligados à saúde e à área administrativa, sob a direção da saudosa assistente social Célia Lustosa do Amaral Brito, morta em 10 de setembro de 1988.

Naquele período e no mesmo hospital, em convênio com o Banco do Brasil, funcionou um laboratório de análises clínicas e um raio-x. A sala cirúrgica era ampla e moderna para a época. O hospital, denominado de Prefeito Lourival Lopes, em uma homenagem a um dos grandes lutadores pela saúde em nosso município, possuia alguns leitos e ali eram realizadas pequenas cirurgias. Agora, se alguém, como o lavrador aposentado Izidoro Ramalho, do bairro São José, que fraturou uma perna em pequeno acidente na semana passada, tiver que saber se um osso do corpo foi ou não fraturado, para ser devidamente tratado, precisa se deslocar até Balsas, a 240 km de distância, pois o raio-x do hospital público desapareceu, assim como o hospital foi fechado em 02 de janeiro de 1989, pelo prefeito que assumira o poder. Veja o absurdo: consta que, em razão do abandono, até a sala cirúrgica teria sido roubada. Triste fim.

Entretanto, a reminicência é apenas introdutória. No último dia 09 de setembro, o governo do Maranhão autorizou a construção de 64 novos hospitais, com 20 leitos cada, no estado. Em cerimônica na Secretaria da Saúde, em São Luís, com a presença dos prefeitos dos municípios contemplados e do secretário estadual da Saúde, Ricardo Murad, a governadora Roseana Sarney, assinou a ordem de serviços. Infelizmente, mais uma vez Alto Parnaíba ficou de fora. Mais uma vez esqueceram-se de minha terra, como se não existisse e não integrasse o Maranhão. Não sei as razões e nem me interessa de quem partiu a falta de iniciativa ou a incompetência. Sei apenas que vivo em um município sem hospital público, funcionando apenas um velho e congestionado posto de saúde, construído no início dos anos 1950, que não preenche a demanda, levando a comunidade a passar por vexames e humilhações, como as filas intermináveis. Não estou aqui a discutir a iniciativa privada em nossa saúde, que é benéfica. O hospital e maternidade São Geraldo e o centro médico Carlos Braga, prestam excelentes serviços, dentro do possível, à população. Falo de saúde pública, que é precária em Alto Parnaíba. Falo do hospital público, cuja reforma não teve continuidade, que serve unicamente de depósito de lixo. Relembro que há mais de 30 anos, construíram o nosso hospital e que, por incrível que pareça, um prefeito decidiu fechá-lo e os outros, com raras exceções em alguns momentos, o mantiveram lacrado ou funcionando parcialmente. Falo da falta de compromissos dos governos do Maranhão com nosso município. Nada custa repetir que a saúde é direito de todos e dever do Estado - União, Estado-membro e Município. É preceito constitucional. O que está custando para nós, alto-parnaibanos, é ver e sentir o cumprimento pelos governos do que determina a Constituição da República.

Também não custa mais uma vez apelar ao governo estadual, desta feita objetivando a inclusão de um hospital público, ou a reconstrução do atual, nos moldes do projeto anunciado, para Alto Parnaíba, uma cidade distante dos grandes centros urbanos do país e do estado, onde a séde pólo regional, Balsas, não oferece muito na área, sendo apenas uma passagem para Araguiana/TO, Imperatriz/MA e Teresina. Os pobres não aguentam a carga de um tratamento em lugares tão distantes e o jeito, na maioria, é de mendigar, daí a compra de votos antes mesmo dos pleitos, em que o cidadão, sem outra alternativa, recebe do pretenso candidato a passagem e a hospedagem, além dos medicamentos e até de internações e tratamento completo, e é inquestionável que essa mesma pessoa, deserdada da sorte e da cidadania, irá retribuir ao político com o mais valioso para este, o voto. O resto é balela. Aqui, quanto a esse procedimento pré-eleitoral, continua como d'antes. As reações e os holofotes pouco adiantaram. É preciso concretamente ação de Estado. O resto é mero discurso repetido em cada eleição.
Fotos: Carleandro Pereira da Silva

Um comentário:

  1. É lamentável ver este hospital nessas condições, principalmente por ter sido dentro deste prédio que eu nasci.

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