terça-feira, 9 de agosto de 2011

O DINHEIRO VIROU PÓ









Quanto mais eu penso que a falta de organização, de responsabilidade, de respeito e de planejamento do atual governo municipal de Alto Parnaíba, no extremo sul maranhense, teria chegado ao limite, surge um fato novo que me deixa estarrecido.

O prefeito havia anunciado a recuperação e aplicação de cascalho em trechos da estrada municipal que dá acesso à região do Povoado Figuras, na margem do Rio Parnaibinha, com 64 km de extensão, uma das mais importantes vias do interior de nosso município.

Na última sexta-feira, empreendi viagem ao dito povoado, objetivando participar no sábado, como de fato ocorreu, do festejo ao Bom Jesus comemorado há mais de cem anos de geração em geração pela família de minha sogra, a família Barros radicada primeiramente na região do próspero Povoado Angical, nas divisas com o Estado do Tocantins.

Quase a metade da estrada não é ruim, exatamente a parte efetivamente cascalhada por um agricultor de nome Maranhão, ou seja, uma via particular construída sem dinheiro público. A partir daí, a reconstrução empreendida pela Prefeitura, com o dinheiro do povo, mostrou a sua face verdadeira. O que existia foi destruído; o pouco cascalho do leito da trilha (de rally), retirado; as máquinas cavaram e deixaram um considerável trecho da vicinal em petição de miséria, em total desrespeito aos moradores, aos sertanejos, aos usuários daquela estrada pública.

A ponte sobre o ribeirão São José, interditada pelos moradores na administração anterior do primo do atual prefeito permanece como d'antes, ou seja, para passar é preciso enfrentar as águas e as pedras de um dos principais alfuentes do Parnaibinha.

Mas não é apenas de poeira que aquele povo sertanejo desassistido e abandonado é obrigado a conviver. Ao chegar nas Figuras, soube que uma criança com 12 anos de idade havia sofrido um acidente doméstico no lugar Faveira, do outro lado do rio Parnaibinha, há mais de 13 horas, com fratura exposta em um dos braços e o outro bastante machucado. O veículo que me transportava foi ao local. Pouco tempo depois chegou uma caminhonete sem a mínima condição de transportar uma pessoa naquele estado. O telefone público do povoado estava quebrado. Não existe outro tipo de comunicação. Acomodamos uma hora depois a pré-adolescente no carro em que eu viajava e a mandamos para a cidade. É uma calamidade. As ambulâncias da Prefeitura, que desfilaram durante dias na cidade quando adquiridas, ficaram apenas na festa. Em contraste, na noite seguinte, empregados da família do prefeito chegaram em carros do ano, gastando combustível e farreando não sabe com o dinheiro de quem. Com o deles é que não é. É o caos do mínimo de moralidade com a coisa pública. As imagens - fotos de Olívia Barreira de Castro - dizem da pobre estrada e do dinheiro gasto com máquinas, combustível, operários e empreiteiro que foi pelo ralo, ou, mais precisamente, pelo pó. Indago ao TCE, ao MP e à Câmara Municipal: houve licitação para a o-bra (assim mesmo, com as sílabas separadas, pois, nesse caso, o significado é o inverso do conceito da palavra), e se houve qual a empresa vencedora, a quem pertence, quais as demais concorrentes, quanto foi gasto?

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