sábado, 2 de julho de 2011

80 ANOS DE UMA VIDA DE TRABALHO

No último final de semana, a velha Fazenda Lageado, à margem maranhense do rio Parnaíba, aproximadamente 20 km da sede da cidade de Alto Parnaíba, a família, amigos, contemporâneos, vaqueiros e antigos vaqueiros de Wagner Teixeira Mascarenhas comemoraram seus 80 anos de existência.

Homem simples, sertanejo típico, que trabalha arduamente desde a infância, Wagner Mascarenhas é remanescente de uma geração de ouro de vitorienses, como costuma dizer o nosso escritor e jornalista Berilo Vargas, de uma estirpe quase em extinção em nosso torrão natal.

Nascido na antiga Fazenda Lageado, que hoje lhe pertence e que já pertenceu aos seus pais, Otacílio Lustosa Mascarenhas e Elza Teixeira da Costa (dona Nanú Mascarenhas), e aos avós, Wagner é o terceiro dos filhos, herdou do pai o gosto pelo trabalho duro de vaqueiro, boiadeiro, enfim, de homem do campo e da roça, aliado ao interesse pela leitura n'uma rara combinação entre o puro sertanejo e o autodidata, e da mãe a cordialidade, o bom convívio, o trato ameno, a aptidão pela conciliação, o ser humano pacato e caridoso na compleixão física de um atleta.

Aprendi a conhecer a vida e a trajetória de Wagner Mascarenhas com meu falecido e saudoso pai, Antonio Rocha Filho, o Rochinha, de quem era compadre e por quem nutria a admiração pelo homem determinado, que trabalhava de sol a sol, sem hora para o descanso, que sozinho valia por três trabalhadores braçais ou vaqueiros, que não intimidava ante laçar um boi bravo ou pegar na foice e preparar a terra para o cultivo, mesmo sendo o patrão.

Presidente de partido político nas décadas de 70 e 80, Wagner Mascarenhas foi vice-prefeito de Alto Parnaíba entre 1970 e 1973, na gestão do ex-prefeito Luiz Gonzaga da Cruz Lopes. Em 1976 era, se tivesse aceitado, o candidato a prefeito apoiado por Antonio Rocha Filho, que acreditava que a capacidade dele nos negócios e na administração dos próprios bens, adquiridos com o suor do rosto e o calo das mãos, poderia se estender à gestão pública.

Casado com a educadora Maria Albanisa Avelino do Amaral, hoje Mascarenhas, filha de Carlos Lustosa do Amaral, o Carreta, ex-prefeito de Santa Filomena, ex-presidente da Câmara Municipal de Alto Parnaíba e um dos grandes construtores de nosso município, e de Rosita Nunes Avelino, falecida ainda jovem, Wagner colocou os filhos para estudar fora e formou todos - Rosita, Rosa Núbia, Marilda, Marília e Wagner Filho -, cujo exemplo de retidão de caráter e da prosperidade alcançada pelo trabalho honesto e permanente, edifica a sua descendência.

Maria do Carmo, morta recentemente, José, Du-lar, também falecida, Tersandro, Wille, Cristan, Paulo e Elza, são os irmãos desse construtor de Alto Parnaíba, vindo de uma geração romântica de quem levava as boiadas tangidas a distâncias de mais de mil quilômetros, ou em balsas de talo de buriti pelas águas do Velho Monge; de um período em que os ensinamentos da moralidade para conduzir corretamente a vida eram ministrados naturalmente na família, que os praticavam.

Por tudo isso, nossa terra também está em festa pelos oitenta anos de vida, trabalho e lucidez de um grande filho seu. Vida longa a Wagner Teixeira Mascarenhas.

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