quinta-feira, 12 de abril de 2012

O ABANDONO E A VENDA DE UMA CIDADE

Talvez ontem, 11 de abril, o plenário do Senado da República tenha sido palco de um dos pronunciamentos mais importantes de sua história, que fugiu do seu objeto principal para abranger grande parte do país.

Quando o Senador Cristóvam Buarque (PDT-DF), melancológico mas coerente, realista e altivo, dizia à nação que está sentido a sua Brasília, o seu Distrito Federal abandonados e vendidos eu confesso que me senti em uma pequeninha Brasília, a centenas de quilômetros de distância, sem palácios e sem sediar os Poderes e os poderosos maiores da República, no alto sertão do Maranhão onde nasce o grande rio Parnaíba.

Quando Cristóvam vaticinava de que o governador do Distrito Federal ou era alheio, ou era cúmplice das mazelas ou era apenas incapaz e incompetente, eu igualmente me senti forçosamente governado por um governante semelhante em meu pequeno município. Não digo com satisfação e nem com qualquer mágoa ou sentimento outro que não seja o da preocupação com os rumos ou com o desenfreio que se agrava a cada dia no governo de Alto Parnaíba. Não fui omisso e mesmo não votando no atual prefeito, disse-lhe em algumas ocasiões, no início das crises e quando ele me pediu orientação, que assumisse diretamente o controle da administração, que afastasse os filhos do comando da Prefeitura, que não entregasse o governo a pseudos administradores, que não confundisse o bem público com os interesses particulares. Ele, o prefeito, nunca contestou, mas tão pouco me ouviu ou ouviu a razão. Não sou senhor da razão e nem profeta, mas não precisava sê-lo ante o anúncio de tudo o que está acontecendo.

Vivemos em uma pequena comunidade onde as famílias mais velhas descendem dos mesmos troncos que fundaram e desbravaram honradamente essa terra abençoada por Deus. Todos aqui se conhecem. O clima de ameaça que paira sobre a Prefeitura, a delegacia de polícia como refúgio de pessoas do prefeito, as notícias que vazam - aumentam, sim, mas não mentem -, mostram uma situação sombria, praticamente insolúvel. Não me sinto feliz com o drama alheio, ao contrário, os laços consanguineos falam mais alto e creiam, como advogado militante no direito há mais de vinte anos, leitor da história, acompanhante da vida, não vejo outra solução, para o bem dele, da família e do município de Alto Parnaíba, que não seja uma mudança completa no governo e no seu rumo nessa reta final de mandato, ou a renúncia imediata - como ato de coragem - do Prefeito Ernani do Amaral Soares.

A ineficiência, a paralisia, os agiotas e credores que clamam e ameaçam pelas ruas da cidade, o prédio da Prefeitura avacalhado e desrespeitado constantemente - a Prefeitura é uma instituição e como tal é sagrada. A coação a um prefeito se estende aos seus governados. Se o prefeito se torna prisioneiro de compromissos não cumpridos ou impossíveis de serem cumpridos, precisa ter a altivez e a coragem de dizer isso ao povo, a humildade de se abrir, de dialogar, de não delegar atribuições que são próprias e exclusivas do prefeito. É preciso reagir e mudar ou reagir e renunciar. Por muito menos (muito menos mesmo) o ex-Prefeito João Borges Leitão, aconselhado, dentre outros, pelo ex-Prefeito José Soares, o Zuza (avô e ídolo de Ernani), renunciou em 1952. Não se pode nem se deve fugir aos fatos históricos, elementos vitais para a construção de um presente e de um futuro melhores.

Ernani, do fundo peito, não pense duas vezes e não vá na onda daqueles mesmos que ficam com todos os prefeitos, que não são amigos e nem aliados leais, mas meros aproveitadores da inoperância e apatia de seu governo. E se você insistir, nenhum deles será uma simples testemunha sua no futuro próximo.

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