sexta-feira, 2 de outubro de 2009

UM VISIONÁRIO CONSTRUTOR

Nas férias escolares e com a vontade imensa de chegar à terrinha, meus pais traziam a mim e aos meus irmãos, especialmente nos finais do ano, de São Luís a Alto Parnaíba, utilizando a estrada mais viável, pavimentada, bem construída, de Teresina a Gilbués, que facilitava o acesso de nossa capital à cidade sul maranhense.

Para chegar a Alto Parnaíba, tínhamos apenas pouco mais de 300 km de asfalto entre São Luís e Presidente Dutra; o resto, cascalho bruto, que atolava até o chassi dos veículos, incluindo os ônibus desumanos da época, no período das chuvas, e assim percorríamos mais de 700 km até o destino.

Como única escapatória e mesmo mais longa a viagem em termo de quilometragem, utilizávamos a rodovia construída pelo maior realizador público do Piauí, o engenheiro Alberto Silva, quando governador no primeiro mandato nos anos 1970, que faleceu no final de semana com mais de 90 anos de vida produtiva e no exercício de mais um mandato de deputado federal.

Nas longas viagens de ônibus, cortando todo o Piauí de norte a sul, ouvia meu saudoso pai, Antonio Rocha Filho, discorrendo sobre a capacidade administrativa, a ousadia e a visão futurista do Dr. Alberto Silva, a quem conheceu pessoalmente por via do Dr. Astrolábio Paiva e Silva, primo de Alberto, secretário de governo deste e esposo de minha tia, Maria Stela do Amaral Paiva e Silva, irmã de minha mãe. Meu pai aceditava mais no administrador do que no político - aliás, detestava a politiquice que tantos males ainda causa ao Brasil em todas as esferas de governo. Apontava a rodovia como marca de integração do Piauí e da união de suas lideranças durante o regime militar, especialmente do Senador Petrônio Portella e do Ministro Reis Veloso, que canalizavam recursos e os aportavam nas mãos probas, corretas e eficientes do administrador Alberto Silva, que detinha a capacidade de transformar o dinheiro em obras estruturais e vitais para um estado tão necessitado como o Piauí.

Faltou a Alberto Silva concluir a grande estrada com a construção do pequeno trecho de 120 km entre Gilbués e Santa Filomena, onde se concentram as melhores terras do cerrado piauiense e nordestino. Entretanto, o Dr. Alberto fez muito; os outros governadores, nessa área, pelo menos para o sul do estado, quase nada promoveram.

Ao tentar em pouco tempo retomar a navegabilidade do rio Parnaíba até Santa Filomena, Alberto Silva, no seu segundo e último mandato de governador, pecou pela ousadia; não conseguiu concretizar essa obra vital para regiões distantes dos centros políticos e financeiros do país. A hidrovia possibilitaria o escoamento mais barato da grande produção de grãos, especialmente soja, arroz, milho, feijão e algodão do sul do Maranhão, sul e sudoeste do Piauí e faria a integração com o Corretor Norte de Exportações - Bahia, Tocantins, Piauí e Maranhão e os portos de São Luís. Não foi possível, mas fica a coragem do realizador em iniciar o projeto, em dar o primeiro passo. Que esse e outros sonhos, como do biodiesel através da mamona, do engenheiro e homem público Alberto Silva, não morram. O Dr. Alberto foi um político útil ao seu povo. Uma grande perda.

Um comentário:

  1. Belissima homenagem ao grande Homem público do nosso vizinho Paiuí.
    Estranou-me, a falta de homenagens pelo seu falecido, ocorrido recetemente. Na vizinha cidade piauiense - Santa Filomena -, pouquissimas pessoas comentavam sobre o fato. Dr. Alberto Silva, sem dúvida foi um grande político e construtor de obras, além do mais, era um amante do rio Parnaíba, inclusive, seu sonho era vê-lo navegavel como antes.

    Um grande abraço.

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