sábado, 21 de janeiro de 2012

CENTENÁRIO DE JOSÉ BENEDITO ROCHA

Se fosse vivo, José Benedito de Araújo Rocha teria completado cem anos de vida no último dia 12 de janeiro. Primo e da mesma idade de Luiz Amaral, poeta, jornalista, escritor e professor. Ambos nascidos com diferença de menos de mês no ano de 1912, em Victória do Alto Parnaíba, hoje apenas Alto Parnaíba, no extremo sul maranhense.

Não cheguei a conhecer pessoalmente o meu tio José Benedito, morto cinco anos antes do meu nascimento. Era o segundo filho dos meus avôs paternos Ifigênia do Nazareth e Antonio de Araújo Rocha. Entretanto, uma espécie de ídolo sertanejo ou rural dos irmãos e dos sobrinhos mais velhos, a sua história de vida e de luta e os seus causos, ainda contados e cantados em modinhas por poucos sobreviventes que o acompanharam principalmente nas décadas de 30, 40 e 50, tangendo boiadas, nas cavalgadas, demarcando terras, garimpando, nas rezas regadas à devoção e à cachaça da terra em nossa vasta região. Ainda vivos repetindo esses causos e modinhas feitas para o valente Zé Benedito, que, segundo a boa história que não pode dispensar uma lenda ingênua e crédula daqueles pioneiros, o Manoel Fernandes, ou Manezim de Zé Benedito, que faleceu há dois anos na Fazenda Serra Branca, a predileta de meu tio, e o velho Cordeiro. Em 2010, o maior expoente da vida de José Benedito Rocha, o José Rodrigues, ou apenas Zé de Leônidas, nos deixou com imensa saudade.
Com bom tino para os negócios, ele deixou um considerável patrimônio em espólio dos mais valorizados de sua época, entre terras, gado e benfeitorias. Filho de chefe político, por três vezes exerceu o mandato de vereador em Alto Parnaíba, com votação trazida do interior do município, com certa independência política que o fazia ainda mais próximo das pessoas do campo. Ele próprio morava na zona rural.
De personalidade forte, estatura mediana em uma grandeza de espírito e de determinação quase incomuns, não leva desaforos para casa e nem se intimidava com os poderosos, nem com bicho do mato, nem com visagem do outro mundo. A realidade e a ficção acompanham a trajetória dos grandes homens, que, até no pequeno universo de seu recanto em um remoto sertão do interior brasileiro, conseguiu deixar admiradores e seguidores que nem o tempo apaga.
José Benedito de Araújo Rocha morreu quatro anos após o pai, em 16 de maio de 1960, deixando viúva, Benta Batista de Oliveira Borges, filha de Henrique Batista, da Fazenda Serra Branca, e nenhum filho. O seu corpo ficou sepultado na cidade onde por questão do destino e de outra opção na época, faleceu. A cidade da Barra, talvez por coincidência, tem por vice-prefeita, no segundo mandato, além de ex-secretária municipal de educação e presidente da Câmara Municipal, a professora Zênia Lúcia Rocha Aragão Santos, sobrinha de Zé Benedito.
Foto: arquivo da família Rocha.

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