sexta-feira, 18 de novembro de 2011

DELEGACIA QUASE SEM ESTRUTURA

A casa onde funcionam a delegacia de polícia civil e o comando local da Polícia Militar do Maranhão em Alto Parnaíba, a 1.080 km de São Luís, é uma das mais antigas ainda existentes na cidade sul maranhense, que pertence ao patrimônio do município e já serviu para o serviço público em geral, escola, loja maçônica, a primeira creche e até um antigo salão de barbeiro.
Como o Estado do Maranhão pouco ou quase nada constrói ou investe em Alto Parnaíba, para funcionar a polícia necessita da colaboração da Prefeitura, que nem sempre atende a questões de segurança pública, por acreditar que não é obrigação sua e sim do estado-membro como se a questão segurança não interessasse direta e essencialmente à população da comuna interiorana, mas mantém um prédio de sua propriedade cedido gratuitamente ao governo maranhense para que a estrutura mínima das polícias civil e militar ali tenham um endereço e funcionem - quase precariamente -, além de uma contribuição para a alimentação dos policiais.
Também, justiça seja feita, a Prefeitura disponibiliza um servidor estável seu como escrivão da polícia civil à disposição da Secretaria de Segurança Pública e sem qualquer contrapartida salarial ou de qualquer outra natureza desta ao zeloso funcionário público, o que perdura há mais de 25 anos, além de uma cozinheira no quartel.

Mesmo pouco, mas a participação da Prefeitura talvez seja a responsável ainda pelo funcionamento das duas polícias no município.
Quanto à estrutura de espaço de duas pequenas salas onde funciona a delegacia chega a ser um local praticamente insalubre para a permanência do ser humano em suas dependências em qualquer horário do dia, especialmente em dias quentes como na tarde de ontem, quando presenciei a calçada da delegacia cheia de pessoas que procuravam algum direito nesse indispensável órgão público.A polícia civil agora mantém um investigador na cidade, mas mesmo assim a sala do delegado e de audiências possui um espaço mínimo, sem ar condicionado, sem internet, sem telefone, sem possibilidade de que algum depoimento sigiloso seja colhido ou mesmo que uma testemunha receosa em face de crimes brutais não sinta medo de falar com o réu ou familiares seus ouvindo do lado de fora. No mais, ainda mais grave, os depoimentos quase sempre são tomados na sala do escrivão, cuja porta dá diretamente para a rua.

Antiga delegacia (mantém o nome na porta), hoje a cadeia com alguns presos, cujo alento é o de permanecerem próximo à primeira igreja da cidade.


Desse jeito é difícil para as polícias trabalharem melhor. Hoje, felizmente o município de Alto Parnaíba possui um bom contigente da PM, sob o comando do 1º sargento Josickeber Oliveira Silva, prudente, inteligente, diligente e enérgico sem ser violento, conquistando a admiração e o respeito populares, o que é raro quando se trata de policial. Também a civil destacou um experiente investigador, que de fato conduz a delegacia, possui bom relacionamento com os policiais fardados e encaminha com todas essas dificuldades casos de violência que se amontoavam em inquéritos, TCos e BOs não concluídos na mesma sala do delegado, onde o espaço para uma única pessoa já é insuficiente.



É preciso que o governo do Maranhão entenda que o município de Alto Parnaíba faz divisas com três estados brasileiros, com vasto território, banhando por um grande rio, localizado em uma das mais prósperas regiões econômicas do país com pessoas vindas de todas as regiões do Brasil, inclusive bandidos que estão fugindo das grandes metrópoles para o interior promissor do nordeste. Necessitamos não apenas de um prédio condizente para o funcionamento da delegacia de polícia, com tecnologia que possa identificar com mais agilidade um simples suspeito que aparece no município, pessoal e toda a estrutura necessária, mas também de um quartel da PM mais amplo, com acomodações dignas, alimentação adequada, mais policiais, enfim, o Estado deve assumir suas responsabilidades, com a vigilância permanente do Ministério Público maranhense.


Fotos: Rafael Rodrigues Brito.

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