terça-feira, 1 de novembro de 2011

TERRENO DE TV AMEAÇADO DE INVASÃO

Na primeira metade dos anos 1980, o então prefeito de Alto Parnaíba, no sul do Maranhão, Antonio Rocha Filho, o Rochinha, deu início ao seu compromisso de campanha de trazer para sua cidade um sistema próprio de televisão, com transmissão instantânea via parabólica e a implantação gradual de uma mínima programação local.



De início, obteve de Constantino José Dias, por anos oficial de Justiça de nossa comarca e ao mesmo tempo construtor de imóveis, individualmente o maior de nossa terra e com certeza um exemplo de quem construiu uma pequena fortuna com os próprios braços, já morto, a doação formal do terreno em área logo demarcada no chamado Morro do Rapadura, onde o desembargador Aluizio Ribeiro da Silva construiu uma casa de veraneio e de encontros culturais, quando juiz de direito de nosso município. A casa da televisão foi construída pela Prefeitura e com apoio da comunidade alto-parnaibana e da vizinha Santa Filomena, do lado parnaibano do Piauí, cujo prefeito, Almérico Lustosa de Alencar, se engajou na campanha que juntou governos e população no mesmo objetivo. Para se ter uma ideia, Alto Parnaíba e Santa Filomena não possuiam um sistema próprio de televisão. O inovador na área foi o empresário e ex-vereador Evandro Vargas Leitão, que implantou um pioneiro sistema de VT em 1980, inaugurando, assim, a televisão nas duas cidades co-irmãs.

Mais de trinta anos depois que o empresário e jornalista Assis Chateubriand inaugurou a televisão no Brasil, com a extinta TV Tupi, após o ex-prefeito Rochinha obter contrato com a Rede Globo para a retransmissão de sua programação, cuja participação do ex-senador maranhense Magno Bacelar, então dono da TV Difusora, afiliada da Globo no Maranhão e amigo particular de meu pai, foi essencial, e tendo o apoio fundamental de uma associação cultural criada por agricultores, pecuaristas, comerciantes, bancários, profissões liberais, funcionários públicos, professores, estudantes, entidades da sociedade civil, donas de casa, trabalhadores do campo e das duas cidades, finalmente a TV Rio Parnaíba foi inaugurada com muita festa e inesquecível entusiasmo popular.
Entretanto, pessoas com o claro intuito de se apoderar da casa da TV Rio Parnaíba e de todo o seu terreno, levantaram cerca de arame com portão e cadeado, além de colocarem cães de guarda amarrados praticamente dentro das instalações da retransmissora, o que impede, por sinal, o acesso do encarregado para a manutenção permanente nos aparelhos e transmissão do único sinal de televisão ainda existente para quem não pode comprar uma parabólica e instalar em sua residência, ou seja, a maioria da população.


Fui o advogado do inventário dos bens deixados por Constantino José Dias, processo arquivado no fórum da comarca de Alto Parnaíba, e posso garantir que em momento algum a sua viúva e inventariante, professora Maria da Conceição Lopes de Carvalho, e sua única filha legitimada, professora Afonsina Antunes Dias, ambas falecidas, desrespeitaram a decisão do marido e pai na doação do aludido terreno. Ao contrário, fizemos questão de preservar e resguardar esse patrimônio de nossa primeira emissora de televisão, que é das duas comunidades


À Prefeitura de Alto Parnaíba cabe tomar as medidas administrativas e judiciais necessárias de imediato em defesa do patrimônio de todos. Aos pretensos herdeiros de quem está viva, ou seja, a nossa TV Rio Parnaíba, um apelo para que cessem com essa aventura já nascida morta, sem sucesso, pois posse não incide em terra pública e mesmo em particular, somente se for pacífica, o que não é o caso. Aliás, nem posse nem detenção existem. É preciso que todos respeitem os bens públicos, não apenas os governantes. Às comunidades de Santa Filomena e Alto Parnaíba, a vigilância e a defesa de um patrimônio comum, que é cultura e já faz história.



Imagens: Américo Borges.



Um comentário:

  1. Lamentável esta notícia!!! Nós que estamos de longe e que contamos com os benefícios da modernidade, torcemos para que esta situação seja solucionada e não venha a colocar em perigo o direito do cidadão alto parnaibano e santa filomenense de contar com o mínimo que a tecnologia atual pode ofecer, qual seja, o direito de assistir os canais abertos da televisão. Seria muito triste se este direito fosse violado! Torcemos para que as autoridades competentes intervenham no feito e que os herdeiros repense sobre seus atos. Um beijo tio. Ótima matéria!

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