quarta-feira, 15 de agosto de 2012

R$ 60 MIL PARA EVENTOS. ONDE FORAM APLICADOS?

Não estou fazendo qualquer acusação leviana; não é a minha praia. Mas, talvez porque o sentimento da indignação ainda não me abandonou, fiquei perplexo quando deparei ontem com uma resenha publicada no Diário Oficial do Maranhão, edição de 13 de julho último, dando conta de que a Prefeitura Municipal de Alto Parnaíba, no extremo sul do estado, firmou contrato nº 086/2012 com   Joaquim Pereira da Silva Neto, como contratado, no montante de R$ 60.000,00 (sessenta mil reais), assinado em 10/07/2012, objetivando a realização de eventos no período de férias de julho no município de Alto Parnaíba.

Um outro fato grave. O contrato foi celebrado após as convenções partidárias, inclusive a que escolheu o atual prefeito como candidato à reeleição e o contratado - conhecido apenas por Peba - como candidato a vereador na mesma coligação. Por sinal, a coligação tem o mesmo nome do slogan do governo municipal - Unidos pelo Povo.

Ora, as atrações seriam em determinada área na margem do rio Parnaíba, exatamente na confluência com o riacho Rapadura, o que, a princípio, já não justificaria o montante do contrato. Aliás, nenhuma banda mais cara foi contratada, ao contrário, pelo que consta ocorreu uma pequena movimentação em um dia de um final de semana cujos gatos não chegariam a 95% dos R$ 60 mil destinados. A margem do Velho Monge continua suja, com lixo, mal iluminada, com o mesmo cais construído por meu pai, o ex-prefeito Antonio Rocha Filho, em 1968, sem conservação e sem a extensão planejada (fotos  abaixo).  Um rally amador que vem sendo realizado há muitos anos é de iniciativa particular. Cada motoqueiro participante desembolsou R$ 175,00 de inscrição. Outras festividade nas férias de julho findo, confesso que desconheço.

Realmente o valor me assusta e me deixa indignado. Não acredito que a Câmara de Vereadores irá se silenciar sobre isso; pelo menos requerer informações, abrir procedimentos, cumprindo o seu dever institucional. Não pode e nem deve o legislativo local aguardar uma decisão prévia do Tribunal de Contas, que somente sairá daqui a dois, três ou cinco anos, quando os fatos já foram naturalmente esquecidos.

Com R$ 60 mil a Prefeitura construiria, no mínimo, dez pontes de madeira que estão ruindo ou já ruiram na zona rural, como a do ribeirão São José na estrada que liga a cidade ao povoado Figuras. Com tal quantia, daria para melhorar algumas estradas vitais do município, praticamente intrafegáveis, como a que dá acesso à serra da Bacaba. Esse montante, que soma noventa e seis salários mínimos, é a renda de praticamente uma centena de lavradores e lavradoras aposentados, assim como da maioria dos funcionários públicos municipais, para manterem a si e suas famílias. Igualmente, com sessenta mil reais daria para colocar em dias o pagamento da psicóloga contratada pela Prefeitura, Dra. Maria de Jesus Lopes, que não recebeu, durante o ano de 2011, um único mês de salário. Com esse dinheiro, que é do povo de Alto Parnaíba, a Prefeitura poderia e deveria ter feito o pagamento atualizado e com melhores condições de trabalho e remuneração aos diaristas, inclusive aos poucos que ainda varrem de vez em quando as nossas ruas.

  Fica a denúncia. Com a palavra e a lei, os vereadores, o Ministério Público do Estado do Maranhão e o Promotor Eleitoral. 

Imagens: Cândido Henrique Noronha Brito

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