sexta-feira, 7 de agosto de 2009

SENADO - A INSTITUIÇÃO É ESSENCIAL; SENADORES O MACULAM

Atacar o Senado da República como instituição não considero racional e de bom tempero para uma democracia ainda capenga. O Senado mantém viva a federação e, bem ou mal, é essencial para que um pouco de igualdade e respeito federativos ainda existam. Se por acaso o Senado fosse extinto, as distâncias entre Maranhão e São Paulo, Acre e Rio Grande do Sul, Piauí e Minas Gerais, Tocantins e Rio de Janeiro e daí por diante, seriam inatingíveis. Pobres dos pequenos, ou seja, das menores populações e, consequentemente, dos eleitores irrisórios diante dos grandes estados.

O problema não é o Senado, que deveria ser a casa da maturidade e não apenas de maduros irresponsáveis, em sua grande, pois os anciãos são os mais depredadores da instituição, mas a administração interna da Câmara Alta e a atuação cínica de alguns de seus integrantes, principalmente de suplentes que não tiveram um único voto - uma outra aberração em nosso enfermo processo eleitoral.

Ontem o Senado viveu mais um dia triste, lamentável, condenável em todos os aspectos. Para retaliar Arthur Virgílio, a tropa de choque do PMDB e de Sarney o processam no Conselho de (sem) Ética. O líder do PSBD cometeu, ao meu ver, quebra de decoro, entretanto teve a altivez de assumir o seu erro e de devolver aos cofres públicos os valores recebidos indevidamente por um servidor de seu gabinete que estudava na França e não frequentava o trabalho. Cassação do mandato, não. Arthur Virgílio não roubou, não empregou parente, não é acusado de possuir fortuna adquirida ilegalmente, ao contrário, é um dos bons senadores que o Brasil tem. O seu principal acusador, Renan Calheiros, sim, era pobre e mais do que o Rei Midas ficou riquíssimo; amigo e protegido por empreiteiros; dono de canais de rádio, de televisão, de fazendas e de muitos bens; manda chuva nos sucessivos governos, chegou a ser ministro da Justiça (sic) de Fernando Henrique Cardoso e presidente do Senado de Lula, quando obrigado a renunciar. O país não tem memória curta como dizem e não poderia, pois os escândalos que envolveram o alagoano ainda estão a pipocar. Arthur encarna os melhores valores morais e éticos. Renan o inverso; a ameaça; a chantagem; a mais completa ausência de espírito público.

É necessário a reforma política, todos dizem isso, inclusive os nossos legisladores, mas ninguém ousa iniciar o processo. A figura do suplente de senador é um escárnio. Os suplentes, quase sem exceção, não recebem o voto do eleitor e não se sentem nem um pouco responsáveis pelo destino de seus estados, de seu povo, de seu país, do próprio Senado Republicano, alicerce do estado de direito. O sistema anterior era melhor. Vaga a titularidade, era chamado o segundo colocado na eleição, que foi votado e disputou o pleito voto a voto. Tivemos bons suplentes que, mesmo derrotados foram sufragados, com nome inscrito na história recente do país por boas atuações, como José Fragelli, de Mato Grosso do Sul, primeiro presidente do Senado após o fim do regime militar, corajoso ao garantir a posse do civil José Sarney na presidência da República. No Maranhão, um homem de bem e de rara integridade, que perdeu a eleição e o patrimônio para que a afiliada da Rede Globo no estado, a TV Difusora, perdesse essa condição e o controle passasse para a TV Mirante da família Sarney, o ex-deputado Magno Bacelar, tornou-se senador com a eleição do titular Edison Lobão para o governo maranhense, e teve destacada atuação no Parlamento.

Com a maior crise de sua história, o Senado se depara com vultos estranhos e esquisitos a integrá-lo, como o folclórico e boçal fluminense Paulo Duque, suplente do suplente do atual governador do Rio, com jeitão de malandro carioca, que não esta nem aí para a instituição e para a opinião pública, a presidir o Conselho de Ética e arquivar todas as representações contra Sarney e Renan Calheiros, sem o mínimo de ética. Esse Duque não respeita nem a própria idade. Ou o suplente de Hélio Costa e dono de faculdades (é estarrecedor!), um tal Wellington Salgado, que não se constrange em dizer em alto e bom som que defende interesses particulares e do famigerado PMDB. Ou ainda Gim Argello, suplente do renunciante Joaquim Roriz, do Distrito Federal, vice-presidente do Conselho Sem Ética. Ou Mauro Fecury e Edison Lobão Filho... pobre Maranhão. E a lista é longa, mas não vale a pena esticá-la.

O Senado precisa ser mantido e deve ser revestido administrativa e politicamente. Como disse no início, os seus anciãos, ao contrários dos anciãos da Judéia ou de Roma, não dão exemplo algum aos novos. Existem exceções, é lógico, onde incluo o correto Elizeu Resende, de Minas. Agora, com a santa paciência, além de não vestirem o pijama e curtirem uma tranquila aposentadoria, José Sarney, Paulo Duque e Epitácio Cafeteira, tentando disfrçar uma visível decripitude, tornam ainda mais desacreditava a classe política e mais ferido o Senado da República. É simplesmente lastimável!

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